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Mostrando postagens com o rótulo Milton Hatoum

Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum

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Por Henrique Ruy S. Santos Milton Hatoum. Foto: Cairo Vasconcelos   O mito sempre foi a matéria-prima de Milton Hatoum. Com uma obra tão arraigada espacial e culturalmente na região Norte do Brasil, principalmente o Amazonas, o autor sempre se esquivou da pecha de regionalista — por vezes lançada a modo de ofensa por mentes fechadas e esteticamente conservadoras — ao recorrer aos ditos “temas universais” e, acima de tudo, a arquétipos narrativos e tropos clássicos sempre bem aproveitados: a rivalidade entre irmãos, as possíveis relações incestuosas, as fortes figuras maternas etc.   No melhor de sua produção ( Relato de um certo oriente , Dois irmãos ), o aproveitamento do conteúdo é sempre caracterizado pela paciência e pelo cuidado meticuloso com as vozes narrativas. O recurso hoje algo banalizado a diferentes narradores em um único romance, por exemplo, nas mãos de Hatoum é empregado não pela simples obtenção de efeitos-surpresa, mas pela criação de um painel de vislumbres,...

As Evas e as Marias da Amazônia de Milton Hatoum em “Relato de um certo Oriente”

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Por Henrique Ruy S. Santos Milton Hatoum. Foto: Olga Vlahou   Milton Hatoum nasceu em 1952, na cidade de Manaus, Amazonas. É autor, até o momento, de seis romances, um livro de contos, várias traduções e produções de cunho acadêmico, oriundas de sua atuação como professor de literatura em universidades brasileiras e estrangeiras. Chama a atenção, em sua produção escrita, a afeição por questões relacionadas à sua ascendência libanesa. De fato, como o próprio escritor declara em entrevista, ele sempre esteve imerso em uma atmosfera culturalmente versátil, em que o português e o árabe disputavam o posto de língua materna:   “Antes de mais nada, a noção de pátria está relacionada com a língua e também com a infância. O que mais marca na vida de um escritor, talvez seja a paisagem da infância e a língua que ele fala. Eu me lembro - a propósito do dilema: falar árabe ou falar português — de que minha mãe dizia que eu deveria falar português, porque a língua é a pátria.”   Uma...

A noite da espera, de Milton Hatoum

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Por Pedro Fernandes A primeira referência que saltará aos olhos do leitor diante o nome do protagonista do romance de Milton Hatoum é a personagem de Iracema , de José de Alencar. É possível que não haja quaisquer determinações propostas pelo romancista, mas na tessitura textual, ou mesmo no nosso imaginário literário, essa relação, tal como a dos irmãos Yakub e Halim que remetiam aos irmãos Esaú e Jacó de Machado de Assis, não deve ser desprezada. No romance do escritor cearense, que trata sobre a formação do ideal de nação no Brasil, Martim refere-se à figura histórica do primeiro colonizador da colônia do Ceará e significava a presença do colono português e suas tradições na constituição desse ideal – do que muito mais tarde chamaremos de identidade. É cedo para apontar relações mais concretas entre a personagem de Milton Hatoum e a de José Alencar. A noite da espera é o só o primeiro dos três volumes de O lugar mais sombrio . Este lugar mais sombrio, entret...

Clarice Lispector, a travessia da linguagem

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Por Milton Hatoum A família de Clarice Lispector. Da esquerda para a direita, Mania, Clarice, Pinkouss (sentados); Elisa e Tania (em pé). Recife, década de 1920. Em 1920, aos dois meses de idade, Clarice Lispector fez sua primeira grande travessia da distante Rússia ao nordeste do Brasil. Filha de imigrantes judeus ucranianos, Clarice cresceu sob o calor de Recife (Pernambuco), onde viveu dez anos; perdeu a sua mãe em 1930 e, dez anos depois, se mudou com seu pai e suas duas irmãs para o Rio de Janeiro.  A partir de 1944, quando se casou com um diplomata, viveu em Belém (Pará), nos Estados Unidos e em vários países da Europa; durante sua larga permanência no exterior, com temporadas no Brasil, escreveu e publicou dois romances ( O lustre e A cidade sitiada ) e um livro de contos. Em 1959, quando voltou definitivamente ao Rio, já era considerada uma das mais notáveis escritoras brasileiras. Clarice Lispector, os dois filhos (Paulo e Pedro) e seu companheiro Maur...

Dois irmãos, de Milton Hatoum

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Por Pedro Fernandes Este não é o primeiro romance do escritor Milton Hatoum. O primeiro é  Relato de um certo Oriente , publicado em 1989 e logo vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance daquele ano. Dois irmãos é o segundo e é tão premiado quanto o primeiro: mereceu outro Jabuti e já figura até o presente em mais de oito diferentes idiomas. É este romance minha porta de entrada pela literatura do autor. Já havia lido – numa das tantas idas às livrarias – alguns contos esparsos da antologia  A cidade ilhada  (Companhia das Letras, 2009) e, claro, como já notifiquei noutras ocasiões, alguns ensaios escritos pelo Hatoum para a extinta revista  EntreLivros .  Não precisa dizer – mas vou mesmo assim fazer isso – que este romance me fisgou ponta a ponta. E há algumas razões que devo citar nestas notas. Primeiro, e isso deve ser uma observação corriqueira entre os críticos, é que Hatoum não é, à princípio, influenciado por dois modismos ...

Milton Hatoum

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Poucos são os escritores brasileiros contemporâneos que dão novo fôlego à Literatura Brasileira. É fato que os grandes escritores hoje se contam nos dedos das mãos e ainda ficam dedos órfãos. Não é que não seja conhecedor da própria literatura. Tenho minhas limitações. Isso é fato. Mas quando faço essa constatação faço pensando no que define um escritor como grande.  E é verdade que não é necessário ser nenhum mago - perdoem-me o trocadilho aos leitores de Paulo Coelho - ou nenhum bruxo de vendas - novamente perdoem-me - mas o fato é que ser um escritor que reinvente a linguagem e-ou o ato de narrar constitui, na minha ingenuidade, num dos fatores para ser-se grande. Assim vejo Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, para ficar nesses quatro nomes... E é aí que dou com um que não é tão desconhecido, mas que ainda necessita dos leitores brasileiros uma leitura mais acurada de sua obra. Falo de Milton Hatoum.  Verd...