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Mostrando postagens com o rótulo Patricia Highsmith

Eva Vitja e a imaginação disruptiva

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Por Jorge Ayala Blanco Em Loving Highsmith (Suíça-Alemanha, 2022) — multi-revelador film 2 da roteirista e documentarista germano-suíça Eva Vitija, primeiro longa documentário, depois de My Life as a Film ou How My Father Tried to Capture Happiness (ambos de 2015) ou Storm & Co (2013), com roteiro dela, de Sabine Gisiger e Andrés Veiel — se evoca e invoca a figura cult da escritora texana de romances policiais com cenário europeu Patricia Highsmith (1921 -1995) tomando como base suas evasivas entrevistas e reportagens de TV em contraste com as profusas confissões pessoais dos cadernos e diários da autora de entre 1941-1955 que foram publicadas post mortem e lidas de forma muito seletiva com uma formidável e sensual voz em off da estrela inglesa Gwendoline Christie (da série Game of Thrones ) e as indiscrições saborosas ou ressentidas de suas agora muito antigas ex-amantes, especialmente Marijane Meaker, também uma romancista estadunidense de rosto comprido e magro, a bonachona...

A grande mentira de Patricia Highsmith

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Por Guillermo Altares   Patricia Highsmith, 1980. Foto: Maurice Rougemont.  No centésimo aniversário de seu nascimento, a obra da escritora estadunidense Patricia Highsmith ( Fort Worth, EEUU, 19 de janeiro de 1921 ― Locarno, Suíça, 4 de fevereiro de 1995 ) ganha nova relevância. Se há um tema que une seus melhores livros ― a série de Tom Ripley, O tremor da suspeita , alguns de seus contos ― é a ideia da mentira como forma de vida. Na era das notícias falsas e dos fatos alternativos de Donald Trump, a possibilidade de uma vida inteira ser construída sobre uma mentira e vivida assim, tranquilamente, é especialmente poderosa. Nesse sentido, Highsmith antecipou o tema central de romances que tiveram enorme repercussão nos últimos anos, como O adversário , de Emmanuel Carrère, ou O impostor , de Javier Cercas.   O outro argumento sobre o qual a literatura de Highsmith, uma texana que vive na Suíça, que amava os gatos (e os caracóis que ela criava como animais de estimação...

A cena do crime

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Por Patricia Highsmith Positano. Foto: Umberto D'Aniello   Em meu primeiro livro sobre Tom Ripley, este é um homem de 25 anos, inquieto e desempregado em Nova York, morando temporariamente no apartamento de um amigo. Havia ficado órfão numa idade jovem e foi criado em Boston por uma tia bastante mesquinha. Tem um certo talento para a matemática e a mímica, e essas duas habilidades permitem que ele continue, por carta e por telefone, um pequeno jogo de intimidação aos contribuintes estadunidenses: ele pede um novo pagamento a uma repartição da Receita Federal cuja filial, diz, se encontra num certo endereço: o do amigo em cuja casa ele mora, e Ripley recolhe as cartas quando elas chegam, embora não haja nada que ele possa fazer com os cheques recebidos, exceto rir com estranha satisfação.   Quando Ripley percebe uma noite que está sendo seguido nas ruas de Manhattan por um homem de meia-idade, seu primeiro pensamento é que o homem é, ou poderia ser, um policial enviado para pr...

Sobre Patricia Highsmith

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Por Laura Broitman Não acredito, além disso, faço doutrinação sobre, que a vida, a biografia e a personalidade de um autor sejam a explicação de seus textos, de sua obra. Pode ser que sim. Como um autor encara sua obra, suas ideias, suas convicções, tudo o que existe em sua mente antes da criação, tem a ver, será, como encara sua vida? Inclusive influencia esta, sua vida (infância, relação com os seus pais, juventude) na forma criativa e nas escolhas que estes fatos biográficos o impulsionam? É inegável que um autor não é uma ilha. Provém de algum lado e isto influencia na criação. Mas logo, a análise do texto se centra mais nele que em tais convicções pessoais e opções estéticas; a análise não parte da personalidade e chega assim ao texto, mas parte deste para estudar a forma, a maneira de narrar, as opções estéticas e a escolha do ponto de vista, elemento primordial para explicar uma obra. No caso da narrativa, partimos da análise sobre a forma...

Carol, de Todd Haynes

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Por Pedro Fernandes Romper a estereotipia. Primeiro da visão rasa alimentada pela crítica repetitiva de que Patricia Highsmith só escreveu suspense e romances com certa inclinação para o policialesco. Segundo da visão sobre a sexualidade; esta nascida não pelo filme de Todd Haynes, que achou de adaptar o título da escritora estadunidense para o cinema, mas pelo papel desempenhado pela obra quando da sua publicação nos anos 1950; o romance foi o segundo da escritora e sofreu retaliação por parte da editora que primeiro publicou sua obra por se desviar do gênero com o qual estreou e, claro, pelo conteúdo.  No livro, Therese Belivet, num dia de movimentada clientela na loja de brinquedos onde trabalha, se vê hipnotizada pela “alta e clara, com um longo corpo elegante dentro do casaco de pele folgado”* que lhe aborda, depois de perceber certo interesse no olhar da vendedora em saber de um presente para a filha (essa cena é reproduzida pela narrativa cinematográfica)...

A literatura em 13 mandamentos por Patricia Highsmith

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Patricia Highsmith conta que uma das ferramentas que mais lhe ajudou a escrever foi a sesta, aquele cochilo que geralmente a gente tira depois do almoço. Em seus primeiros tempos, quando ainda desempenhava outros trabalhos para sobreviver, dormia ao chegar em casa pela tarde e tomava banho ao acordar para simular que começava um novo dia, o de verdade, aquele em que podia fazer o que sonhava: colocar uma palavra atrás da outra para construir histórias. Multiplicar cada dia por dois foi o cartola de mágico da escritora, da qual saía não um coelho, mas um punhado dos romances de suspense que continuam sendo os melhores tantas décadas depois. “Uma sesta salva o tempo ao invés de desperdiçá-lo”, dizia. “Adormeço com o problema e acordo com a resposta”. A divina sesta de Patricia Highsmith não é apenas uma das sensíveis confissões que nos dá o livro dela que aqui vamos falar. É o relato de que a literatura mais sofisticada não está na sofisticação, na visão perdida em busca...