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2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick

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Ficção científica revolucionária discute a aventura do homem para compreender o mistério da criação A Odisséia no Espaço narrado em 1968 pelo genial Stanley Kubrick pode parecer tediosa quando vista por olhos acostumados ao ritmo incessante das aventuras intergaláticas de Guerra nas Estrelas (1977). Mas, desde seu ponto de partida, trata-se de uma obra surpreendente: o diretor filma um grupo de hominídeos da pré-história disputando domínios à base de paus e pedras. Por perto, um enigmático monólito, que reaparecerá em outra etapa do filme como seu símbolo mais marcante. Até que um pedaço de ferramenta arremessado para o alto funde-se com a imagem de uma espaçonave cruzando o cosmos. Assim, neste famoso plano que esboça um salto no tempo de milênios, está dado o tom filosófico que só cresce ao longo da narrativa. Sabe-se que os astronautas terão de enfrentar um computador que assumiu o controle da nave, HAL 9000. Construído para gerenciar a missão a Júpiter, ...

John Steinbeck no cinema

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cena de As vinhas da ira , um dos filmes a partir de uma obra de John Steinbeck mais conhecidos. O cinema foi generoso como Steinbeck e ele com o cinema. Foram feitas, desde que alcançou a notoriedade ainda jovem (publicou em plena efervescência liberal rooseveltiana As vinhas da ira em 1937 e havia nascido em 1902, tinha, portanto, 35 anos) 17 filmes sobre obras suas e não seria estranho ver outras nos próximos anos. O sucesso cedo levou também a ser quisto para a escrita de alguns roteiros – tarefa que levou ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme Um barco e nove destinos , de Alfred Hitchcock. Da extensa leva de títulos há quatro filmes mais famosos cuja narrativa é produto de uma adaptação da obra de Steinbeck. Além de As vinhas da ira , adaptada por John Ford em 1940, houve Boêmios errantes , dirigido pela solvência e sutileza com que Victor Fleming representava as ambiguidades sexuais nas relações entre amigos – Spencer Tracy e John Garfield exec...

Por que ler os clássicos: os livros de Italo Calvino (Parte 1)

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Se uma parte dos escritores preferem não avançar sobre o tema de quais são os seus livros preferidos a título de não causar mal-entendidos entre os da sua comunidade, uma pequena quantidade prefere citar os clássicos, outra esnobá-los, outra só falar sobre o assunto quando interpelado por gente muito próxima e mais outra que prefere não citar ninguém, mesmo tendo sua lista de preferidos, como sabemos que todos têm. Italo Calvino foi um dos poucos que preferiu, não só registrar suas leituras fundamentais no extenso trabalho de crítica literária que é exemplo para qualquer iniciante ou reconhecido na área, como comentá-las sistematicamente ao ponto de, naturalmente, oferecer-nos uma resposta para uma das perguntas mais cabeludas da literatura: o que é um clássico? E todo esse itinerário de leitor lhe forneceu algumas especulações e formulações só dadas à aproximação aos que guardam pelos livros uma paixão fora do limite de culto ao objeto, mas pela sua forma e o conteúdo. Em ...

Manual de pintura de caligrafia, de José Saramago

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Uma das capas para uma edição brasileira de Manual de pintura e caligrafia.  Manual de pintura e caligrafia é o primeiro romance de José Saramago; pelo menos até enquanto o escritor português não admitiu publicamente que aquele A viúva , publicado em 1947, com outro nome,  Terra do pecado  era um romance que estaria na sua tábua bibliográfica. Até meados dos anos noventa, ele relutou que o livro publicado quando era um moço de vinte e poucos anos merecesse a permanência entre os seus trabalhos posteriores. Nesse périplo difícil de estabelecimento do escritor, sabe-se que além de textos de variada espécie (crítica literária, crônica, artigos de opinião, poesia e o romance fracassado ) também existiu a decepção pelo esquecimento de um datiloscrito que até agora permanece inédito: A Clarabóia . Falemos alguma coisa sobre o romance de 1977, publicado pela Moraes Editora com o paratexto de "Ensaio de romance", como se apontasse uma tentativa tímida do escritor tr...

Maiakóvski: o farol que era um poeta*

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Por Francis Combes Sou poeta, e exatamente por isso é que sou interessante. É sobre isso que escrevo; sobre o resto só foi defendido com a palavra. Maiakóvski Antes mesmo de ter colocado "o ponto final com uma bala" em sua própria vida, Vladímir Maiakóvski tinha saltado para a história. Durante o período soviético, ele, que não queria estátua como monumento póstumo, mas um fogo de artifício, foi com freqüência estatuado, fixado na pose do "poeta da revolução", quando era deixado na sombra (e por muitas vezes censurado) o que nele ultrapassava o cenário da época. Stálin não tinha escrito "Maiakóvski é o melhor e mais talentoso poeta da época soviética. A indiferença à sua memória é um crime"? Maiakóvski tornou-se assim um "clássico"... Certos poemas seus eram conhecidos de todos e ensinados às crianças. Lembro-me de ter visto no cemitério de Novodievitchi, lenços de pioneiros colocados sobre seu túmulo... Seu apartamento tinha s...

O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton

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Robert Mitchum se encaixa com perfeição no papel de um psicopata que assombra criancinhas nesta grande fábula sombria Quando fez O Mensageiro do Diabo , o currículo de Charles Laugton tinha apenas uma co-direção ( O Homem da Torre Eiffel , de 1951). Era na atuação que este inglês fizera seu renome, até então com mais de 50 papéis – alguns deles, desempenhados soberbos sob a direção de gênios como Alfred Hitchock e Jean Renoir. Tal experiência nos sets de filmagem parece ter se transportado para este longa-metragem, peça única, inimitável e, ao mesmo tempo, herdeira de outros estilos cinematográficos. O filme possui imagens em preto-e-branco bem contrastado, semelhante às fotografias do expressionismo alemão e do noir norte-americano. Se a estética é influência dos austríacos Fritz Lang e Otto Preminger (este, quando já filmava nos Estados Unidos obras como Alma em pânico, de 1952), o tom da história é o do Hitchock, com engendrado suspense mesclado com humor. Mas a violência é ...