Postagens

Florbela Espanca, tormento do ideal

Imagem
Por Laury Maciel Florbela d’Alma da Conceição Lobo Espanca nasceu na Vila de Viçosa (Alentejo), em 1894. Seus primeiros versos são da época em que fez o curso secundário, em Évora, e que somente viriam a ser reunidos em volume depois de sua morte. Malogrado seu casamento, vai para Lisboa estudar Direito e, nesse mesmo ano, 1919, publica Livro de Mágoas , que passa despercebido. Igual destino teve a obra seguinte, Livro de Soror Saudade , dado a lume em 1923. Novamente infeliz no casamento, retira-se do convívio social, embora continue a escrever poesia e a publicá-la ao acaso. Recolhe-se a Matosinhos, já agora estimulada pelas renovadas esperanças de felicidade conjugal, mas seus versos entram a dar sinais de exaustão. Morre, segundo alguns estudiosos, de suicídio, em 1930. Toda a produção de Florbela entre os anos de 1915 e 1917 – tanto em poesia como em contos – foi escrita em um livro de mercearia ao qual ela deu o título de Trocando olhares . Deste livro ela separou 33 poemas p...

Vasco Graça Moura

Imagem
Vasco Graça Moura não é um nome totalmente alheio ao Brasil; embora não tenhamos conhecimento da publicação de alguma obra do escritor para esses lados, em 1989, entretanto, recebeu aqui a condecoração da Ordem do Rio Branco e a Medalha da Marinha. Nesta época ocupava cargo na Comissão dos Descobrimentos e passava por um intenso verão nas produções em poesia – como outros que já havia atravessado – o que também não se reflete na sua obra, porque deixou-nos, só de poesia, quase trinta livros. Sua carreira literária começou com o dinheiro dos primeiros ordenados como trabalhador numa fábrica de conservas em Matosinhos. Modo mudando , foi, em 1963, distribuído pela livraria e galeria Divulgação, um espaço ponto de encontro de escritores e intelectuais do Porto. Não demorou a chegada do segundo título, Semana inglesa , publicado dois anos depois, o que não se tornará uma constante esse arroubo poético. Depois do segundo título, até que venha o próximo – e aqui está seu primeiro ...

Em Busca do Ouro, de Charles Chaplin

Imagem
Aventura passada no Alasca traz a famosa cena em que o personagem Carlitos executa a dança dos pãezinhos É uma tarefa sempre injusta escolher títulos de Charles Chaplin para uma lista de películas essenciais. Como deixar de fora O Grande Ditador (1940), sátira contra os nazistas com aquele antológico monólogo do final? E ainda o meigo e apaixonado Luzes da Cidade (1931), um exemplo de como deveriam ser as comédias românticas? Mas, como o próprio Chaplin afirmou, o filme pelo qual ele mais esperava ser lembrado é Em Busca do Ouro . Lançada em 1925, a produção é uma das muitas protagonizadas pelo personagem Carlitos, o vagabundo patético e carismático que se mete em confusões e nunca perde o bom humor e a alegria de viver. Durante a corrida do ouro do final do século 19, Carlitos vai ao Alasca tentar a sorte no garimpo. Lá, ele conhece Big Jim, garimpeiro experiente que encontrou a montanha de ouro, mas perdeu a memória. Ao mesmo tempo, Carlitos se apaixona pela bela Geor...

Dez livros marcados pela bebedeira

Imagem
Jack Kerouac, entre a escrita, muita bebida. Depois da postagem sobre o trabalho de Fernando Pessoa em criar um slogan para uma bebida hoje corriqueira em mais de meio mundo, lembramos sobre o gosto do poeta não pelo refrigerante mas pelo vinho. Sabe-se que o português levou o resto da vida entregue à embriaguez perfazendo assim – pela bebida – uma revisitação de outros planos do sentido como sempre foi gesto dos verdadeiros poetas. Além de Fernando Pessoa, é possível lembrar de Charles Baudelaire e Charles Bukowski, de Vinicius de Moraes e William Burroughs. O primeiro dizia em "Embriagai-vos" que "É necessário estar sempre bêbado / Tudo se reduz a isso; eis o único problema / Para não sentirdes horrível do Tempo que vos  / abate e vos faz pender para terra, é preciso que vos embriagues / sem cessar". Mas, muitos outros poetas fizeram da bebida uma profissão de fé; e antes de todos esses nomes, Horácio, na Roma antiga já dizia, numa apologia à necessidad...

Mídia e educação

Imagem
Por Pedro Fernandes A idéia para a composição deste texto partiu quando de “zapping” parei num desenho animado que passava em determinado canal de televisão e que mostrava uma comunidade de formigas. Algo me chamou atenção. Foi justamente as feições humanas atribuídas aos insetos e isso me fez retomar outros desenhos animados. Por exemplo, lembrei-me bem dum episódio da Disney em que o pato Donald julgava-se dono do Pluto; de quando Bob Esponja não conseguia amarrar o cadarço do tênis; etc. A humanidade é mesmo prepotente, pensei comigo, é a única que sente necessidade de atribuir caracteres e modelos seus aos animais ou aos seres inanimados. Mas o que me mais me interessou no desenho das formigas é que estas se apresentavam com problemas de convivência tais quais os nossos; isso a Biologia prova que não existe, aliás, as colônias do mundo animal são sempre modelos para uma sociedade a Thomas Morus. Outro detalhe que captei ainda desse episódio foi a pungência do general formiga em...

José Saramago de “O Ano de 1993” é um poeta ruim?

Imagem
Por Pedro Fernandes 1. Por motivo de viagem, sai mais uma vez o Letras in.verso e re.verso para uma pequena estadia sem postagens. É possível que, quando voltar, muito provavelmente na segunda-feira próxima, já no mês de Machado de Assis, recorra a atualizações mais frequentes. Veremos. Deixo ao leitor um tema que poderá dar o que falar. 2.   Refleti aqui , certa vez, sobre a fala de um professor e crítico literário que discorria acerca do que denominava pontuação insólita de José Saramago; em seguida, apresentei um Saramago não tão conhecido dos leitores , o poeta. 3.  Hoje retomo a esta última post para fazer o que fiz na primeira, sugerir algumas questões anotadas de outro artigo, esse do professor de Teoria da Universidade de Campinas (Unicamp) Alcir Pécora, em que ele afirma ser o escritor português tudo, exceto poeta, num artigo para o jornal  Folha de São Paulo  logo quando do lançamento do livro  O ano de 1993 , publicado em Portugal...