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Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha

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Diagnóstico da condição brasileira sob a forma de ópera, filme é assinado por um dos maiores nomes da produção nacional Glauber Rocha possivelmente o mais genial cineasta nacional, já vinha de um curta memorável, O pátio (1959), e de um primeiro longa mítico, Barravento (1962), quando rondou este que é considerado por muitos o maior filme brasileiro já feito. Na verdade, algumas raras vezes ultrapassado por Limite (1930), de Mário Peixoto, e por outro do mesmo diretor baiano, a obra-prima Terra em Transe (1967). Mas Deus e o Diabo na Terra do Sol pisa em terreno sagrado do cinema nacional, que é o nordeste brasileiro, espaço simbólico que representa a realidade do país, suas origens e marginalidade em contraste com os grandes centros urbanos. Nos anos 60, com a efervescência do debate político, às vésperas do golpe militar de abril de 1964, o longa ganha importância suprema. Glauber, diferentemente do que se via nos documentários e do que outros cineastas fizeram nos ...

A vida e a obra de Aluísio Azevedo

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É muito difícil escrever romances no Brasil!... O pobre escritor tem de lutar com dois terríveis elementos – o público e o crítico. O público, que sustenta a obra, e o crítico, que a julga e às vezes a inutiliza; o público, que compra um livro para aprender; e o crítico, que exige que o livro sustente as suas idéias e pense justamente como ele – crítico. (Aluísio Azevedo,  Filomena Borges ) Os arquivos acerca do escritor dão conta de um sujeito que desde menino revelou inclinação às Artes. Ainda nos bancos da escola primária encontramos Aluísio Azevedo completamente fascinado pelo desenho, o que levou a família, presa ainda por uma psicologia do dom, matriculá-lo num curso de artes plásticas. Adolescente já desenhava bem. Chegou mesmo a pintar alguns quadros. E quando animado pelo sucesso que seu irmão Arthur Azevedo obtinha na Corte, partiu para lá. Foi confiante no êxito que ele obteria que fez a viagem. Em pouco tempo, impôs às redações de jornais como  O M...

Matar e criar

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Por Candido Pérez Gallego T. S. Eliot, 1947. Foto: George Platt Lynes No número de junho de 1915 da revista Poetry  aparece um poema de um tal T. S. Eliot ( A canção de amor de J. Alfred Prufrock ), que havia nascido em 1888 em Saint Louis (Missouri), passaria pela universidade de Harvard, por aquele período se casaria em Hampstead, Bertrand Russell o convidaria para o jantar de seu novo casamento e até propõe deixar-lhe um quarto em sua casa. A esposa tem uma instabilidade mental, é extremamente frágil  e logo terá a primeira crise importante. No fim, naquele poema se pintava um homem jovem prematuramente velho que passeia pelos bairros marítimos de Boston. Um texto que se abre de um novo modo e esmagador: "Sigamos então, tu e eu / Enquanto o poeta no céu se estende / Como um paciente anestesiado sobre a mesa". A poesia moderna acaba de entrar no panteão e faz uma homenagem a Baudelaire, Laforgue e Apollinaire. Se nos diz que será "tempo para matar e criar...

Cinco livros e cinco filmes para conhecer Charles Bukowski

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Por Pedro Fernandes Bukowski divide a crítica em dois grandes grupos: o dos que admiram sua ousadia e capacidade de fazer da experiência de vida, com linguagem simples e despojada, uma literatura e o dos que assinalam que somente isso ou meter-se em experiências depravadas é insuficiente para se produzir algo que possa ser chamado de literatura. Embates à parte, o fato é que o escritor cada vez mais tem ganhado espaço entre os leitores dentro e fora de seu país; e isso é nada mais que produto de uma motivação convincente de que a literatura não está restrita a um uso delicado ou rebuscado da linguagem. Ou que a literatura, para ser convincente, deve ter por “vocação” não apenas à construção de situações imaginativas, mas a transposição da matéria vivida. Um ou outro lado deve antes de assumir uma posição negativa em relação ao autor e sua obra conhecer sobre. Por isso, esta postagem. Ela copia uma sequência com a sinopse sobre cinco livros e cinco filmes indispensáveis p...

Caderno vermelho, caderno azul

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Por Maurício Montiel Figueiras De quem falamos quando falamos de Paul Auster? Do narrador que nos anos oitenta se tornou a nova ponta de lança da literatura estadunidense graças ao fato de a crítica francesa reconhecer o valor e as contribuições de títulos como O inventor da solidão , A trilogia de Nova York (composta por Cidade de vidro , Espectros e A sala trancada ), No país das últimas coisas e Palácio da Lua ? Do poeta cuja habilidade lírica fica evidente não só em Ground Work: Selected Poems and Essays (1970-1979) mas no seu trabalho como tradutor para o inglês de Jacques Dupin, Edmond Jabès e Stéphane Mallarmé, entre outros? Do ensaísta que em A arte da fome demonstra que pode praticar com facilidade o gênero de Montaigne? Do editor responsável por The Random House Book of Twentieth-Century French Poetry e Achei que meu pai era Deus , uma antologia que recupera cento e setenta e nove das quatro mil histórias verdadeiras recebidas como parte do National Story Project, lanç...

António Ramos Rosa

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Por alguns redutos da poesia, a obra do poeta António Ramos Rosa circula no Brasil. É evidente que o seu exercício literário num blog mantido (não com assiduidade) entre 2008 e 2012 e as participações esporádicas em diversos periódicos brasileiros são produtos para que não se diga ser o seu nome um total desconhecido por aqui. Que dos seus livros, até o presente, só conhecemos Animal olhar , uma antologia organizada por Rosa Alice Branco e publicada pela editora Escrituras. No entanto, é bom que se sublinhe que a obra e o nome somam como uma das mais interessantes figuras da literatura portuguesa contemporânea. Desde a publicação de O grito claro , seu primeiro título vindo a lume em 1958, Ramos Rosa escreveu quase uma centena de livros, reiterando uma observação já traçada por aqui noutra ocasião sobre a proficuidade dos escritores de além mar. Os últimos título publicados por ele foi Em torno do imponderável , de 2012, e Numa folha leve e livre , publicado no mesmo ano ...