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João Silvério Trevisan

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João Silvério Trevisan. Foto: Brigitte Friedrich A obra de João Silvério Trevisan marca de forma perene a literatura brasileira desde a década de 1970. O escritor figura entre aqueles que transformaram temas e situações da comunidade gay em matéria criativa de sua literatura, que ora assumem o enfrentamento aos modelos impostos pelos padrões, ora em denúncia das múltiplas violências geralmente entregues por essa sociedade fundada no dogmatismo e sectarismo.   O sobrenome Trevisan logo recorda o de outro escritor essencial da literatura brasileira, o curitibano Dalton Trevisan. Pura coincidência notável também no gosto e no lugar central que ocupam no nosso universo literário. Mas, a família de João Silvério é do interior de São Paulo; ele nasceu em Ribeirão Bonito, no dia 23 de junho de 1944. Cada um dos escritores forma parte, assim, em gerações distintas. Pelas filiações temáticas e temporais, o autor aqui em destaque se encontra mais próximo de outros nomes de sua época, como ...

Júlio Dinis, romances de transição

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Depois das novelas de amor passional de Camilo Castelo Branco eis que surge em território português uma série de romances em que os traços do sentimento amoroso eram outros. É o período ainda da estética romântica, mas que a crítica literária classifica como transitório para outras manifestações literárias. A terceira geração. Nos romances desta leva já havia a predominância de traços do realismo, estética que se consolidaria mais tarde com a obra de Eça de Queirós. Desta leva de romances, destaque-se a de Júlio Dinis. Júlio Dinis nasceu no Porto. O ano era o de 1839. Cursou Medicina e foi professor universitário na Escola Médico-Cirúrgica da cidade natal até quando descobriu que estava com tuberculose. Nessa época vai morar em Ovar, depois na Ilha da Madeira até retornar ao Porto. Apesar de ter vivido pouco (Dinis morreu em 1871) deixou uma obra que palmilha diversos gêneros: do teatro à crítica literária, da poesia à prosa (conto e romance). Seus romances apresentam o que a críti...

Há romances ruins de quem escreve romances bons?

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Por Pedro Fernandes José Saramago, sempre acusado de ter escrito alguns livros que não deviam sequer sido publicados.  Já postei  neste blog algumas notas   acerca de  A Caverna  (2000). Aos que me conhecem ou me leem vez por outra neste espaço, ou mesmo aqueles que passam de relance por aqui, sabe que tenho me tornado leitor da obra de José Saramago há alguns anos e parte disso tem sido registrado por aqui. Ultimamente, tenho atualizado essas leituras com uma certa velocidade, principalmente depois que escrevi minha monografia de fim de graduação intitulada  O Ser em O conto da ilha desconhecida Diante do Ser Sartriano , em agosto de 2008, sob orientação do professor e poeta Leontino Filho. E agora que me dedico a uma nova fase acadêmica, a do mestrado, não é mais que minha obrigação cumprir com essa necessidade uma vez que a obra do escritor português  permanece no centro de interesse e nas minhas preocupações de pesquisador.  ...

In Nomine Dei, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes “Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?” Este fragmento pertence à nota introdutória de In nome dei , edição de 1993, publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Este livro trata-se de um texto escrito por José Saramago para o teatro. Uma encomenda, como foram todos os seus outros textos do gênero, como ele próprio lembrou em várias ocasiões. Trata-se de um texto que poderíamos dizer, vem compor uma revisão acerca do fio ideológico do discurso religioso, juntamente com O evangelho segundo Jesus Cristo , romance de 1991 e A segunda vida de Francisco de As...

Cruz e Sousa

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“Tem poetas que interessam mais pela obra, artistas cuja peripécia pessoal se reduz a um trivial variado, sem maiores sismos dignos de nota, heróis de guerras e batalhas interiores, invisíveis a olho nu. Tem outros, porém, cuja vida é, por si só, um signo .” Assim inicia Paulo Leminski a apresentação que faz da vida de   Cruz e Sousa, considerado, desde cedo um importante nome da poesia brasileira pelos opositores do parnasianismo e que dividiu a opinião crítica desde sua dupla estreia literária, com a publicação dos livros Broquéis  e Missal , em 1893. Ivan Teixeira esclarece que críticos como José Veríssimo e Araripe Júnior foram insensíveis ao modelo de poesia desenvolvido pelo poeta, estavam, provavelmente tomados dos modelos poéticos da chamada nova geração. Dos nomes conhecidos da época, Teixeira cita que Adolfo Caminha, impulsionado talvez por dividir o mesmo teto da casa editorial — no mesmo ano de 1893, Magalhães & Cia. também publica A normalista ...

Arménio Vieira, Prêmio Camões 2009

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Depois de João Ubaldo Ribeiro, brasileiro nosso, que recebeu ano passado o Prêmio Camões, neste ano, o galardão ficou com o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, escolhido vencedor no último dia 2 de junho. Ele é o 21º a receber a premiação   que é a mais importante da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Arménio Vieira nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 24 de janeiro de 1941. Além de escritor, é jornalista, com colaborações em publicações como o Boletim de Cabo Verde , a revista Vértice , Raízes , Ponto & Vírgula e  Fragmentos .   Algumas das obras do primeiro escritor cabo-verdiano a receber o Camões, são: Poemas  (1981), O Eleito do Sol  (1989), No Inferno  (1999) e  Mitografias (2006). Recentemente, publicou O Poema, A Viagem, O Sonho . "Labiríntica poesia, fascinante leitura. A sonhadora viagem proporcionada pelos poemas deste Vieira, dito Arménio, refirma-o entre os melhores da lusografia con...