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Glauber pela boca da mãe

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Glauber Rocha. Foto: Blog da Cosac Naify. Aos 90 anos a mãe do cineasta maior, numa conversa feita em 2008 com Rafael Munduruca, fala sobre o filho e as dificuldades para a carreira do diretor de Terra em transe. Todo pequeno entendedor de cinema sabe da importância que representa o nome Glauber Rocha para o cinema nacional e por que não para o cinema mundial. Glauber não foi apenas grande cineasta e diretor de uma obra genial e importante para o cinema. Deixou também uma produção escrita vasta com reflexões acerca do cenário no Brasil, sobre o movimento por ele preconizado – o Cinema Novo – e, sobre as perspectivas para o seu presente e futuro do cinema no mundo. Essa produção foi reunida em três amplos volumes pela editora Cosac Naify e representa uma produção importante para entender a magistratura do cineasta bem como sua produção cinematográfica. Autor de obras clássicas como Terra em transe e A idade da terra o autor é rememorado numa conversa inédita apresentada...

Miacontear - O peixe e o homem

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Por Pedro Fernandes “O peixe e o homem” reitera a linha do fantástico notada em outros contos de O fio das missangas , como “O homem cadente”. Retomando uma passagem do famoso sermão do Padre António Vieira - “O sermão de Santo António aos peixes” - colocada como epígrafe do conto, a narrador de Mia Couto, no tom de uma anedota daquelas de pescador, dá corda à história da mania do estranho Jossinaldo.  Jossinaldo é um vizinho que tem a também estranha mania de passear de trela com um peixe. Fato que por si o coloca na galeria daqueles sujeitos deslocados do espaço comum - “Jossinaldo era, nos gerais, tido por enjeitado: a cabeça do coitado, diziam, cabia toda num chapéu. E acresce-se que o temiam, sem outro fundamento que essa estranheza do seu fazer.”  Não se sentindo bem de saúde, o excepcional homem vem ter com o narrador para que ele, de agora em diante, passe a tomar conta do peixe de estimação. Isso desencadeará um...

Vincere, de Marco Bellochio

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Por Pedro Fernandes Benito Mussolini (Filippo Timi) e Ida (Vittoria Mezzogiorno), estão arrebatadores em Vincere . O filme foi posto na lista dos dez melhores filmes da década publicada pela especializada revista Cahiers du cinèma . Fez sucesso em Cannes, mas não chegou a convencer o júri do Oscar daquele ano: 2009. E o filme não chegou à lista final. Não é novidade nenhuma. A Academia de Cinema já rejeitou, não uma, mas muitas vezes, vários grandes filmes. E quando chego a dizer grande filme já estou antecipando meu julgamento à película de Marco Bellochio, que tive oportunidade de ver (atrasadamente) numa sessão cinecult. A trama, que apesar de dar contas de um perfil biográfico, não segue uma ordem cronológica usa de um artifício não-inovador mas bastante do comum da narrativa contemporânea. Seu elaborador tem em mãos uma série de materiais e faz uso deles num processo de montagem que à primeira vista parece desorganizado, mas o resultado final é um todo harmônico. C...

Notas sobre a aula magna de Ariano Suassuna

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Revirando o baú das postagens do Letras in.verso e re.verso surpreendi-me com uma coincidência de datas. Há exatos dois anos, isto é, em agosto de 2009, eu havia escrito “Ariano Suassuna, os encontros que não tive” ( aqui ). À época o escritor de O auto da compadecida estava em Mossoró para a edição da Feira do Livro. Naquele ano eu estava cursando no meio de um turbilhão de coisas o meu mestrado em Letras e não pude vê-lo, mesmo sendo a Feira do Livro de Mossoró um evento do qual sempre participei assiduamente desde sua primeira edição. O fato é que agora, nesse ano, o encontro aconteceu. À distância de alguns metros, mas eu estava lá para ouvi-lo. Eu que tenho a impressão de que somente eu ainda não tinha assistido uma das suas famosas aulas magna. Primeiro devo contar da minha vizinha de plateia. Que não mediu elogios para dizer que o Agosto da Alegria – evento maior no qual se situa a abertura do seminário feita hoje por Ariano – estava muito organizado. Disse i...

Tímidas aproximações a Carlos Drummond de Andrade

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Nota do editor: É verdade que relutei, não uma vez somente, a publicar uma nota ou uma linha sequer acerca do material biobliográfico do poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando adquiri um número da extinta revista Entrelivros que trazia um dossiê sobre o poeta, pensei (na época este blog ainda respirava muito os ares dos dossiês e das cópias de leituras minhas), pensei em digitar os textos, pelo menos um, da edição em questão. Afinal os nomes de João Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto foram apresentados por aqui nesse formato. Pois bem, concluía eu um curso sobre a constituição do moderno texto poético na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o dossiê para este blog acabou sendo descartado. Fui dedicar o tempo para escrever o ensaio de conclusão desse curso que, adivinhem, se debruçava sobre a obra poética de Drummond. O ensaio foi escrito e continua ainda guardado do público ou à espera de publicação. Isso porque os anais do evento em que foi apresentado até hoje ...

Quatro dias para Veríssimo de Melo

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Veríssimo de Melo. Imagem: Tribuna do Norte Quem foi Veríssimo de Melo pouco gente sabe. Eu pelo menos só conhecia o nome como prefaciador de alguns textos de outros escritores potiguares que já li. Está aí o déficit da parte de todos e, sobretudo dos estudantes de letras, em relação a determinados nomes e figuras da literatura do estado. Não fosse a reportagem publicada hoje, 20 de agosto, no caderno Viver , do jornal Tribuna do Norte o nome ainda continuaria a figurar apenas como alguém que prefaciou livros como a reedição de O livro de poemas de Jorge Fernandes . Aos desavisados como eu terão agora a oportunidade de saber mais sobre a figura do escritor. Pela passagem dos seus 90 anos que completaria agora em 2011 caso fosse vivo - o escritor morreu em 1996 - está sendo organizado numa parceria entre prefeitura e Capitania das Artes um evento com vasta programação, diga-se, em torno do nome de Veríssimo de Melo. Trata-se da primeira edição do Encontro de Folclore ...