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Miacontear - O rio das Quatro Luzes

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Por Pedro Fernandes Antes de tudo convém dizer que “O rio das Quatro Luzes” se situa na linha limítrofe do afeto e do desafeto, dos silenciamentos e do diálogos. Tomando como epígrafe um provérbio moçambicano é esta talvez a mais moçambicana das histórias de O fio das missangas .  Nela se acomodam três distintas gerações - a um de velho que remonta os primórdios de África, cujos valores eram outros, a de um casal, filhos da geração desse velho, e um menino, a terceira geração, esta contemporânea, das infâncias cortadas. Chamei de “a mais moçambicana das histórias” pelo fato de os valores suscitados pela primeira geração irem de encontro aos valores da última geração - já de traços culturais totalmente ocidentalizados. “O rio das Quatro Luzes” possui o tom das lendas contadas para explicar o nascimento ou a existência de determinada coisa -  no caso o nome para o rio que passa à frente da varanda da casa do narrador, rio este que não sei ser imaginário ou re...

Nei Leandro de Castro

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Por Pedro Fernandes Ontem, 17 de outubro de 2011, acompanhei o bate-papo do escritor Nei Leandro de Castro com alunos do curso de Letras da Universidade Potiguar, evento que ocorreu dentro da programação da Semana de Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Foi um privilégio conhecer e ouvir o escritor potiguar, que morando no Rio de Janeiro, vem poucas vezes ao Rio Grande do Norte.   Ouvi um Nei Leandro extrovertido e comentando fatos peculiares sobre suas personagens e alguns de seus trabalhos, seja como poeta, seja como cronista, seja como romancista. Nei Leandro de Castro tem já uma vasta obra e integra um seleto grupo de escritores brasileiros que têm uma aceitabilidade quase que unânime pelo público comum. Isso se deu graças ao lançamento nacional de O homem que desafiou o diabo , filme produzido com base em As pelejas de Ojuara , mas também pelo conteúdo da sua obra e a sua escrita. Nei é forte apaixonado pela literatura e o vocabulário popular que dão ao...

Sete escritores japoneses além de Haruki Murakami que você precisa conhecer

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Haruki Murakami é um dos escritores que goza de fama mundial graças a Best-Sellers como 1Q84 . Sem dúvida, sua popularidade é o motor que o faz ser sempre lembrado como o possível Prêmio Nobel de Literatura todos os anos. Mas, se o escritor pop revelou-nos a escrita japonesa, sua obra não é a única de seu país. Por isso, esta postagem, se não resolve o desconhecimento de grande parte do público leitor sobre a literatura japonesa, abre-lhe os olhos para outros importantes nomes – todos com obras em circulação pelo Brasil – fundamentais tanto ou mais que Murakami. Junichiro Tanizaki (1899-1972).  Estudou Literatura Japonesa na Universidade Imperial de Tóquio. Publicou seu primeiro trabalho em 1909, numa revista literária que ajudou a fundar. Sua obra de juventude revela forte influência de Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire e Oscar Wilde. A partir de 1923, deixou-se absorver pela cultura de seu país e abandonou a inclinação ocidentalizante, vivendo nesse momento uma crise...

Miacontear - Os machos lacrimosos

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Por Pedro Fernandes Aproveitando a máxima de que homem não chora, tão em vigor nos cenários sociais onde a figura masculina deve se portar como um autêntico da espécime, Mia Couto subverte o ditado com este conto “Os machos lacrimosos”. Também subverte a ordem de que o sorriso muda o mundo. Em tempos de espalhados risos - em sua grande maioria falsos-risos - o autor de O fio das missangas vem lembrar que o que essa humanidade carece não é dentes à mostra, mas sim, de lágrimas. O cenário é o Bar de Makatuane, onde, periodicamente, se reúne um grupo de amigos para distribuir entre eles prosa e riso. Até que um deles, Luizinho Kapa-Kapa, “o grande animador dos encontros”, muda o cardápio da prosa por uma notícia tristonha. Que história é essa não sabemos, mas sabemos que seu tom leva toda a macharada às lágrimas.  O inusitado é que depois do secreto episódio, a prosa de lágrimas passar a ser lugar-comum e, nos encontros seguintes nenhum dos participantes quer sabe...

D de Drummond. Dia D

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A ideia simples. O efeito interessante e até fabuloso. Transformar um dia do ano para Carlos Drummond de Andrade, um dos nomes singulares da literatura brasileira. Assim como já fizeram para James Joyce com a criação de um 16 de junho celebrativo a Bloom, personagem de Ulysses , fazer o 31 de outubro, data de nascimento do poeta mineiro, num grande dia de comemoração, o Dia D. E a ideia é, conforme notifica a página do evento , um dia para ser vivenciado “nas escolas, universidades, livrarias, bares, museus, TVs, rádios, centros culturais e mesmo em solidão, não importa onde e como, que todos se lembrem de festejar Drummond e a sua poesia. Um outro dia D, para apagar a guerra e saudar a liberdade, a imaginação, a aliança entre os homens de boa palavra.” Na proposta espalhada na web pelo Instituto Moreira Salles (IMS), surge a possibilidade de leitores dedicar sua voz à leitura de versos do poeta maior (além de participar da extensa programação que será ofertad...

Charles Perrault: o lado secreto e obscuro dos contos infantis

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Charles Perrault por Lallemant Philippe (detalhe) Nascemos acreditando que a Chapeuzinho vermelho foi salva por um caçador de ser devorada pelo logo, mas há uma versão sobre o destino da popular menina dos contos infantis anterior que nossa geração não conheceu (leia no fim deste texto). Nela, na versão anterior escrita pelo francês Charles Perrault, a pobre menina termina devorada pelo lodo sem outro desfecho. Charles Perrault nasceu em 12 de janeiro em 1628. É o autor da versão original de muitos contos populares que a posteridade (e em muitos casos por culta de Walt Disney) tratou de adoçá-los.  “Chapeuzinho vermelho” não é o único caso. Tomemos, por exemplo, “Cinderela”. A versão popularizada da história pelos estúdios Disney fez feliz a humilde donzela que, pese o desprezo e maltrato sofrido por parte de suas meias-irmãs, terminava eleita pelo bonito príncipe para casar-se com ela. Se na animação as meias-irmãs da Cinderela simplesmente são castigadas por su...