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Mais uma página da novela Kafka

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Franz Kafka, verão de 1906, quando se formou em Direito. Arquivo Klaus Wagenbach. Já havia comentado por aqui   sobre outros possíveis inéditos de Franz Kafka ainda fruto da decisão do amigo e editor Max Brod de não se desfazer dos papéis deixados pelo escritor, contrariando seu desejo. Se a desobediência de Brod beneficiou a nós leitores porque o escritor quando morreu só havia deixado alguns contos e uma novela publicados e hoje conhecemos dele mais que isso, por outro lado, formou-se uma história digna do próprio escritor tcheco. Ironicamente, Kafka previa esse imbróglio? Talvez todo escritor saiba da briga que pode causar entre herdeiros por causa de uns papéis valiosos. Mas, vamos lá. É que já entra para três anos que se descobriu os tais manuscritos de Kafka num apartamento em Tel Aviv. Eva Hoffe, no alto dos seus 70 anos e o estado de Israel se colocam num ringue pelos direitos aos papéis. O arquivo pode conter cartas, desenhos e, até manuscritos inéditos de Kaf...

Uma nova adaptação cinematográfica para Os miseráveis, de Victor Hugo

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Anne Hathaway caracterizada por Fantine na nova adaptação de Os miseráveis para o cinema. A adaptação mais recente para  Os miseráveis , de Victor Hugo, data de 1998. Antes, passou por uma série de outras releituras para a grande tela desde 1909, ano quando foi realizada a primeira versão cinematográfica, então dirigida por J. Stuart Blackton.  Agora, para finais de 2012, nos Estados Unidos, e fevereiro de 2013, no Brasil, o grande romance da literatura francesa volta às telas. O longa-metragem é dirigido por Tom Hooper, o mesmo diretor de O discurso do rei , e foi divulgado, por esses dias, o primeiro trailer.  A apresentação do livro de Hugo fecha um ano de ouro para o cinema. Não apenas porque relembra a altura os 150 anos do principal romance do escritor francês, como pela leitura inovadora proposta, já que a versão a ser apresentada agora é um musical com o repertório integral ao de 1985, quando foi montado na Broadway. Também foi em 2012 que o romance...

Ilustrar o Dom Quixote

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Por Pedro Fernandes Gustave Doré, um dos mais conhecidos ilustradores para o Dom Quixote . Imagem: BNP A edição do Dom Quixote que li foi a publicada pela Editora Nova Aguilar; tradução retrógrada, dizem os entendidos da arte de traduzir. Eu cá não tenho muitos méritos para sair julgando traduções. Depois, bem recente, saíram versões elogiadas em termos de tradução, pela Editora 34, inclusive em volumes de bolso. Mas, não estou aqui para tratar de traduções e nem de edições melhores ou piores.  É que a edição da Nova Aguilar vinha com ilustrações do multiartista da gravura, Gustave Doré, também reproduzidas nos dois volumes editados pela 34. O nome do francês não é incomum aos nossos ouvidos porque dificilmente terá existido algum clássico que ele não tenha ilustrado. A Bíblia deve ter sido o maior deles. Mas, compôs ilustrações ainda para a obra de Rabelais, Taine, Dante, Victor Hugo, Charles Perrault, entre outros. Das ilustrações do Dom Quixote , o seu trabalho ...

Ray Bradbury: um lugar entre outros mundos

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Por Jacinto Antón Luto em Marte e em nossos corações. A morte de Ray Bradbury, na terça-feira (5) à noite, aos 91 anos, o mestre da ficção mais lírica, deixa órfãos eles, os marcianos de olhos amarelos em seus crepusculares canais de sonhos, mas também a todos os que aqui embaixo, seus filhos leitores, temos viajado com ele em astronaves às estrelas e bebido o licor de verão das infâncias perdidas sob os alpendres da mítica Green Town, Illinois. Bradbury, que dispõe já de uma cratera com seu nome em Marte e que pediu que suas cinzas sejam espalhadas no planeta vermelho, será lembrado por muitas coisas, pelas Crônicas marcianas , essa excepcional coleção de contos sobre a colonização do planeta Marte que mudou para sempre o gênero fantástico e entusiasmou nomes como o de Jorge Luis Borges; O vinho da alegria e O campanário das trevas , dois dos romances mais comovedores escritos sobre o delicado momento em que as crianças descobrem a existência do tempo, da morte e da res...

Literatura e música

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Nos campos possíveis e impossíveis de relações da literatura com outras artes, algumas já até consagradas linhas de pesquisa em algumas universidades, como a pluricitada literatura e cinema, há uma que também se constitui rico campo de interferências: literatura e música.  A ideia para pensar sobre essa relação veio de algumas entrevistas que tenho visto por esses dias com poetas que são também cantores e que têm na música um espaço para inspiração da escrita. No universo da  prosa também se nota tal marca, evidentemente. Citável é o nome de Chico Buarque que fez do seu último romance  Leite derramado - embora não tenha nunca explicitado isso, mas claramente perceptível aos ouvidos e olhos dos leitores - uma extensão de "O velho Francisco", uma música sua que conta a história de um escravo alforriado entre o seu auge e sua decadência, mesmo estágio em que se encontra a personagem-narrador do romance de 2009. Também alguns cantores admitem se inspirar em alg...

O corvo, de James McTeigue

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Por Pedro Fernandes O filme não é a primeira adaptação a partir da obra mais conhecida de Edgar Allan Poe; para um poema que já serviu de inspiração para outros filmes, seriados, HQs, música etc. não será, evidentemente, uma releitura mal proposta pelo australiano James McTeigue que irá encardir seu modo de vida no panteão literário. Até porque trazendo o poema para um espaço de comercialização, ele passa a ter uma aceitabilidade além daquilo que nem o próprio Poe, por mais que previsse um sucesso futuro, iria imaginar. Não é que O corvo - o poema - baterá recordes de vendagem, mas irá, cada vez, transfigurando-se em imaginário mítico mesmo na cabeça daqueles que esbarrarem com o filme sem quaisquer ideia de que Poe existiu de verdade e que escreveu um poema com esse nome. Quando vi o filme procurei a todo tempo qual o sentido de o nome do poema servir de título. Confesso: minha capacidade mental é mesmo muito limitada para alguns casos. E nesse caso não encontrei o sentido. ...