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Rock e Literatura

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Por Pedro Fernandes The Doors. O nome da banda foi revelado a partir de As portas da percepção , de Aldous Huxley. Dias desses estive por aqui organizando uma curta playlist de algumas músicas que foram inspiradas em alguns dos mais famosos clássicos da literatura. Hoje, Dia Mundial do Rock, voltei a ela para ver uma coisa: quantas das músicas ali indicadas são de grupos do gênero.  Antes de responder a observação, que seja feito um curto parêntese aqui para justificar que as duas coisas têm, na gênese um princípio em comum. Afinal, a grande característica que define o literário é sua capacidade de transgressão. Logo, cá, eu pergunto, que outro gênero musical mais se define pela ideia que não o rock?  Até quando algumas bandas se baseiam numa hermenêutica da música, isto é, quando algumas bandas se deixam guiar apenas pela fúria adolescente e propõe revoluções no plano estético do gênero a que pertencem, até nesses casos, rock liga-se à literatura. Logo, não dá para redu...

Adaptações de livros para o cinema

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Semana dessas enquanto dispunha um vídeo com o trailer para O Hobbit , e para O grande Gatsby na fan page do Letras no Facebook, me dei conta de quantas adaptações o cinema está preparando para o fim de 2012 e 2013. São muitas. Ficamos na torcida que tanta adaptação assim aqueça o interesse dos telespectadores pelos originais. Por isso, resolvemos fazer este post com os títulos das estreias e um breve resumo das obras a fim de que, antes que o filme chegue às telas, todos possam ter lido/relido tudo, como manda o figurino. Comecemos pela estreia de amanhã (12/07) e depois as já citadas: Recorte do filme  On the road . On the road . Romance.  É o título mais conhecido de Jack Kerouac, tido como o escritor da Beat Generation estadunidense. O escritor, que pôs mochila nas costas e saiu num tour pelo interior dos Estados Unidos, produziu o livro na viagem. A primeira versão é de 1951, mas só seria publicada em 1957.  On the road  é a viagem sonhada por todo g...

Os 60 anos de 10 dias de uma viagem que deu novos rumos à Literatura Brasileira (Parte 2)

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Por Pedro Fernandes Ouvir as histórias dos dois vaqueiros, Manuelzão e Zito, é ouvir a toada da própria narrativa de Guimarães Rosa. Entendam aí a razão que alguns trabalhos oriundos de outros têm a importância que têm. Em termos de ritmo narrativo, sabemos todos que, cada escritor compõe o seu e, às vezes basta ouvi-lo ou ouvir um intérprete para darmos conta disso.  O próprio Saramago conta nos seus Cadernos de Lanzarote da experiência que teve quando veio ao Brasil e foi convidado a assistir junto a um pequeno público num restrito espaço teatral uma adaptação para o seu O conto da ilha desconhecida . O conto com a interpretação de um texto que, segundo o escritor, jamais havia sido pensado para o teatro, levou-o a conclusão de que a sua narrativa encarnava o poder da oralidade com tamanha particularidade que reconheceu que sua escrita para ser melhor compreendida havia que ser lida em voz alta. Não que o escritor já não acreditasse nisso, mas contato com a expressão oral...

Alice digital (2)

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Páginas de abertura do manuscrito para Alice. A primeira edição foi manuscrita e ilustrada pelo próprio Lewis Carroll. Copyright © The British Library Board Ano passado disponibilizei por  aqui  uma nota sobre uma versão digitalizada para a web  de Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll. Agora, foi disponibilizada a versão original, manuscrita. Um trabalho da British Library. O achado, assinado ainda pelo nome verdadeiro de Carroll, Charles Dodgson, é de 1864. Dodgson era uma matemático em Oxford e dois anos antes conheceu Alice Liddell,  com então 10 anos, Lorina e Edith, todas  filhas do reitor da universidade. Parece que a primeira menina chamou mais atenção do professor que, durante um passeio de barco no Tâmisa, com as três, teria contado uma história de aventura para entretê-las. Na história inventada, Alice era a personagem principal em aventuras por um mundo mágico subterrâneo aonde chegava com a ajuda de um coelho falante.  Co...

Prometheus, de Ridley Scott

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Por Pedro Fernandes Michael Fassbender, na pele do robô David; sua personagem está para além da necessidade de sobrevivência, pela simples razão de está condenada a imortalidade. O simples fato lhe dá a capacidade de, sozinho, chegar ao cerne de tudo, afinal numa aventura em que os humanos, seus criadores, estão à cata de saber de si, David quer saber também dos outros para aprender a ser ele próprio. As chamadas para Prometheus  deixaram, certamente, muitos expectadores como eu, em suspense, à cata dos dias pela chegada do filme ao cinema. Um Ridley Scott verdadeiro, desde Alien  ou Blade Runner  se anunciava. Ainda dei com dois trailers fora do normal, denunciando uma grandiosidade para além do normal. Agora, o suspense desfeito, já alerto: não estamos diante de grande coisa. Tudo e todos têm seu limite e o da ficção científica de Scott parece ter findado mesmo nos idos 1980. Ainda assim, acalmo: não estará o telespectador diante de um trabalho em vão. Promethe...

Carlos Drummond de Andrade, o cronista do vasto mundo

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“Sempre gostei de ver o sujeito às voltas com o fato, tendo de captá-lo e expô-lo no calor da hora. Transformar o fato em notícia, produzir essa notícia do modo mais objetivo, claro, marcante, só palavras essenciais. Ou interpretá-lo, analisá-lo de um ponto de vista que concilie a posição do jornal com o sentimento comum, construindo um pequeno edifício de razão que ajude o leitor a entender e concluir por si mesmo: não é um jogo intelectual fascinante? E renovado todo dia! Não há pausa. Não há dorzinha pessoal que possa impedi-lo. O fato não espera. Então você adquire o hábito de viver pelo fato, amigado com o fato. Você se sente infeliz se o fato escapou à sua percepção.”   Carlos Drummond de Andrade,  Tempo vida poesia . Carlos Drummond em sua biblioteca particular. Foto: Jornal do Brasil. Os jornais foram porta de entrada para Drummond em todas as fases de sua carreira. Sim. Desde quando se constitui leitor a quando é o escritor conhecido. O fascínio pela b...