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Os desenhos de Manoel de Barros

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Pedro Fernandes Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Manoel de Barros, entrevista para José Castello Já tem alguns anos que o diretor Pedro Cezar filmou Só dez por cento é mentira , filme que descobri já algum tempo, mas ainda não tive oportunidade de ver. Está, desde então, na extensa lista do que preciso assistir. O filme é um trabalho em torno da biografia a partir da obra de Manoel de Barros; o título, aliás, é aproveitamento de uma famosa frase do poeta pantaneiro. É fato que não irei comentar o filme, se ainda não o vi. Mas, começo me referindo a essa obra, porque foi a partir da sua descoberta, que também descobri Manoel de Barros desenhista. Sim, o poeta é um desenhista. Já usei essa frase noutra ocasião: quando se publicaram, encartados à quinta edição do caderno-revista 7faces , os desenhos de outro poeta, os de Márcio de Lima Dantas.  Repito não apenas a expressão. Retomo ainda a ideia que elaborei para o texto de p...

O barco da esperança, de Moussa Touré

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Por Pedro Fernandes Há quem duvide que deixemos de ser nômades ainda num lugar remoto da história humana. O que não é verdade. Hoje ainda somos os mesmos daquele tempo de nomadismos. Com condições mais ‘aperfeiçoadas’ em alguns casos e noutros com condições mais dramáticas. Isso porque temos criado ao longo de nossa história formas das mais diversas de capitalismos e o nomadismo se tornou uma forma econômica de subsistência. Há algumas décadas, o Brasil foi um dos campões do fato: ia-se do Nordeste para o Sudeste e, não há dúvidas já de que muito da riqueza concentrada naquela região dependeu diretamente do esforço dos que lá foram; ia-se do Brasil para outros países – drama até tema de novela. Hoje, vêm do Sudeste para o Nordeste; vêm de outros países para o Brasil. Mundialmente migram não só por melhores condições de trabalho, mas devido às guerras, às ditaduras, aos fenômenos climáticos, às crises econômicas. No interior dessas questões, o mal que boa parte dos países...

sem título

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Schiele,  Embrace  (1912) vale-me o corpo a carne que arde profana meu corpo enquanto vivo tudo o que ainda não tenho vale-me o corpo o nervo que pulsa profana meu corpo enquanto existo que depois disso tudo será vão * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Toni Morrison, Nora Ephron e dezenas de conselhos sobre escrita

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Houve um tempo em que escrever – um dos desafios caros, tanto quanto subir o Everest ou ir a Lua – era tarefa dada ao silêncio de alguém que nutria basicamente o interesse pela luta com as palavras. Depois o gesto, como tudo, midiatizou-se e tornou-se mais que um desafio, uma espetacularização. Digo, antes se escrevia sem pretensões à fama. Hoje, tem fama para a escrita. É moda nesse cenário os cursos de escrita criativa. Hoje também se fabricam escritores como se fabricam roupas e acessórios. Os cursos, que devem gerar uma receita razoável, afinal todos hoje têm as pretensões de aparecer, em grande parte das vezes, foram responsáveis pela artificialização do processo literário. Paralelo a eventos com esses cursos construímos ainda um verdadeiro arsenal tecnológico em torno do gesto da escrita. através dele espreitamos sob todos os ângulos a intimidade da palavra e de quem se utiliza dela como trabalho. Se pensarmos as campanhas publicitárias que as editoras engendram para ...

Músicas a partir da poesia de e. e. cummings e um texto raro de Virginia Woolf

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Por Pedro Fernandes Aproveito a ocasião para coletar duas novidades pinçadas recentemente da blogosfera gringa em torno de temas e de autores que, por alguma razão, me interessam. A primeira envolve o poeta e. e. cummings e a segunda a escritora Virginia Woolf. O poeta e. e. cummings. 1. As músicas a partir da poesia de e. e. cummings Espero não precisar abrir mais uma coluna neste blog com o título de literatura e música, tanto tem sido os encontros louváveis entre essas duas formas artísticas.  Recentemente, apareceu na web uma publicação dando contas de dezessete canções que tomam como base a poesia do estadunidense e. e. cummings; as obras compostas pela violinista Carla Kihlstedt, autora também de Literary Jukebox , inspirado em vários escritores, como T. S. Eliot, Dostoiévski, Susan Sontag, Balzac, entre outros (que pode ser ouvido indo aqui ).  O trabalho agora tornado público intitula-se Tin Hat: The Rain is a Handsome Animal .  Maria Popova, do Brain Pi...

Adeus Berthe ou o enterro da vovó, de Bruno Podalydès

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Por Pedro Fernandes O que é a morte? Um ‘pif’, ‘paf’, ‘psit’. A resposta bem-humorada é a encontrada por Armand quando sabe da morte de sua avó e vai até o asilo onde ela viveu por bom tempo em busca da causa mortis . Não apenas disso, mas em redescobrir quem era mesmo Berthe. A morte talvez seja o acontecimento que mais leve as pessoas a refazerem seus trajetos de vida, afinal, a dor da perda, ainda que ela esteja camuflada, como parece ser o caso neste filme, é capaz de propiciar um repensar sobre o que foi feito e o que estão fazendo com a própria existência que, no virar da próxima esquina pode também está desfeita. O significado da perda de um parente próximo é talvez o instante maior de se questionar sobre a vida e, em boa parte dos casos, um reencontro com a sorte de viver. O filme é uma divertida comédia com um tema sério e caro de se pensar, mesmo sabendo que é um estágio pelo qual todas as criaturas viventes um dia passarão. Não apenas o desenvolvimento do ...