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Dalí e Lorca, cartas de sedução

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Por  Carles Geli Federico García Lorca e Salvador Dalí, em foto de 1925 “Tu és uma tempestade cristã e necessitas de meu paganismo [...] irei te buscar para te dar uma cura de mar. Será inverno e acenderemos uma fogueira. As pobres bestas ficarão anestesiadas. Tu te recordarás como inventor de coisas maravilhosas e viveremos juntos como se numa máquina de retratos [...].” Assim, apaixonado, Salvador Dalí escreve, no verão de 1928, a seu íntimo amigo Federico García Lorca. Era algo mais, “um amor erótico e trágico, pelo fato de não poder compartilhá-lo”, explicaria o pintor em 1986, numa carta para o editor publicada no jornal El País e dirigida a Ian Gibson, que o acusava de subestimar sua relação com o poeta, “como se tivesse sido uma açucarada novela cor de rosa”. A relação entre estes dois gênios se deu, com altos e baixos, entre 1923 e 1936, e deu  origem, colaborações artísticas à parte, a uma intensa troca de correspondência iniciada em 1925 e que, pela primeir...

Samuel Beckett

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Pouco a pouco vamos deixando o século XX e, embora ainda o tenhamos vendo com certa paixão, já é possível entendê-lo como uma unidade que começou e terminou. Podemos imaginá-lo como este século irmão será visto dentro de várias gerações, dentro de um punhado de séculos, por exemplo. E quando se formam as listas essenciais de datas, descobertas, lutas, construções e autores, apostamos que na última categoria estará Samuel Beckett, o magro e elegante escritor irlandês cuja vida e obra transcorreram em pleno século XX. Nasceu em 1906 no povoado de Foxrock de Irlanda (um subúrbio de Dublin) e morreu em Paris no último mês de 1989. Beckett é muito mais acessível do que parece à primeira vista. Se apenas um o conhece por uma boa quantidade de suas obras teatrais, como Esperando Godot e Dias Felizes , é possível classificá-lo como um autor avant garde , ou – para usar uma frase um pouco mais detestável – um escritor experimental. Beckett, em sua vida e obra, foi uma pessoa simples...

Dez filmes que tratam sobre a vida de pintores

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A relação entre as artes plásticas e o cinema é muito estreita, tanto que, muitos cineastas não terão deixado de buscar representá-la da melhor maneira possível. Sabendo disso, fomos buscar, motivados em parte pela recente filmagem da biografia de Renoir (incluída nesta lista), alguns títulos que são de grande significação para os interessados nessa relação temática. Esta lista não é um ranking e parte do conteúdo que apresenta filme a filme é copiado de sites e blogs especializados na apresentação e discussão sobre cinema.  cena de Moça com brinco de pérola . Sede de viver , 1956. Dirigido por Vincent Minnelli, o filme é baseado no romance Lust for life (traduzido no Brasil como A vida trágica de Van Gogh ), de Irving Stone. Atua no papel do pintor holandês um excepcional Kirk Douglas, quem levou o Globo de Ouro de Melhor Ator seguido de Anthony Quinn, quem recebeu o prêmio de Melhor Ator Secundário. O filme começa em 1877, contando o serviço religioso de Van Gogh...

Boletim Letras 360º #17

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Queremos fechar a semana divulgando que a parceria entre o Letras in.verso e re.verso através de sua página no Facebook com a página da Parábola Editorial vai permanecer. Em breve divulgaremos o que os leitores poderão esperar.  Agora, outra que devemos chamar atenção: desde o dia 13 de junho, data dos 125 anos do nascimento do poeta português Fernando Pessoa, que apresentamos a promoção “Ler todas as pessoas de Pessoa”. No páreo quatro obras da coleção de bolso da Companhia das Letras. No fim deste boletim está um atalho para o regulamento de como proceder para concorrer a mais esse brinde. Antes, vamos saber o que foi notícia na nossa linha do tempo nesta semana? Capa de um dos livros de uma coleção de 14 capas desenhadas para alguns clássicos da Literatura pela dupla de designers Eurydyka e Rafal Szczwinski. Mais informações no fim da post. Segunda-feira, 10/06 >>> Brasil: Mais uma edição de Drácula Sai pela Editora Civilização Brasileira. A reediçã...

Um áudio raro: T. S. Eliot lê "Quatro Quartetos"

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Aí estão as vantagens da web : não há nada que a gente procure e não ache. No arquivo a seguir podem uma gravação completa de T. S. Eliot lendo uma de suas obras-primas de seus últimos anos, o ciclo de poemas chamado Quatro Quartetos . No caso desses poemas, o próprio poeta considerou como sendo uma de suas maiores obras, ainda em 1959, numa entrevista a Donald Hall para a Paris Review – “O segundo é melhor do que a primeiro, o terceiro é melhor do que o segundo e o quarto é o melhor de todas. De qualquer forma, esse é um trabalho do qual eu me orgulho”, disse. A crítica considera o mais místico e mais religioso dos poemas de Eliot. Cada um deles é uma meditação sobre o tempo no qual se misturam imagens cristãs e hindus com eventos pessoais e históricos. Como em The Waste Land , Eliot utiliza os quatro elementos clássicos como dispositivo estrutural dos Quatro Quartetos . O primeiro poema, “Burnt Norton”, está associado com o elemento ar. É dedicado a uma mansã...

O grande Gatsby, de Baz Luhrmann

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Os jornais ao redor do mundo ricochetearam desde a recepção fria de Cannes em uníssono toda a sorte de deselogios à readaptação de Baz Luhrmann para o romance de F. Scott Fitzgerald, O grande Gatsby . Quando digo os jornais ao redor do mundo inclui-se nesse rol também a pequena e medíocre crítica brasileira. Desde a chegada às telas da produção na última sexta, 7 de junho, a saliva não foi poupada nos adjetivos negativos. Fato é que, conversando com alguns amigos mais entendedores de cinema que eu, notei ser isso produto de uma patologia que se tornou moda por esses dias: basta a opinião inicial de quem teve o primeiro contato com a obra de arte que ela será repetida de forma variada, seja ela negativa ou positiva. Em alguns casos o lance se parece muito com tirar a sorte grande. E para desgraça do cineasta a sorte não lhe veio dessa vez. Terá de esperar o tempo para ver (ou não) se de fato acertou em reexperimentar o romance já clássico. Agora, digo por esses dias, mas pode se...