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Bertolt Brecht no banco dos réus

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Poeta, dramaturgo e teórico, Bertolt Brecht autor de obras famosas como Ópera dos três vinténs (1928) e Mãe coragem e seus filhos (1938) nunca negou ser um marxista comprometido. Propôs um novo teatro para quebrar o que via como confortável às convenções da classe média, tanto o drama trágico como o realista. Sua teoria do teatro épico subjacente à sua prática firmou-se como uma tentativa de chocar o público complacente com o que chamou de Verfremdungseffekt (estranhamento ou efeito de distanciamento). A enorme influência de Brecht é sentido não só na Europa, mas também fora do continente, como nos Estados Unidos, onde se estabeleceu por um tempo curto, juntamente com muitos outros artistas e intelectuais alemães que fugiam da perseguição nazista. Em 1943, colaboraram com Brecht os companheiros também exilados Fritz Lang e o compositor Hanns Eisler para um filme Os carrascos também morrem , seu único roteiro produzido para Hollywood, vagamente baseado no assassinato do nú...

Boletim Letras 360º #46

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Já vão 75 anos do clássico tantas vezes adaptado para o cinema. Uma exposição nos Estados Unidos relembra a primeira montagem de O mágico de Oz. Só mais uma semana e já acaba esse jejum. Para a próxima semana ainda teremos algumas postagens – remanescentes de 2013. Vê este boletim, com perna no antigo ano e a outra no novo? E a pergunta volta: quanto tempo leva para a morte definitiva de um ano? Talvez não haja tempo e seja todo o tempo do mundo; que os anos não se entregam uns aos outros de mão beijada, mas se entrelaçam e formam um só tempo comum. Para a semana de estreia, prever-se promoções já novas – só para por os ânimos à espreita. Que ainda seguimos com nossa retrospectiva e tudo o que foi o melhor de 2013. Aí segue mais uma edição do nosso BO 360º: Segunda-feira, 30/12/13 >>> Inglaterra: Filme que narra a relação extraconjugal do escritor britânico Charles Dickens com uma mulher mais jovem estreia em fevereiro É o primeiro título sob di...

Os 10+ de 2013

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Por Pedro Fernandes Este instante é o mais o pessoal de todos os instantes que por aqui estou. O blog, em 2013, iniciou um processo de expansão, dada a grande visibilidade e ao aumento das responsabilidades, evidentemente, com este público que por aqui circula. Mesmo nas ocasiões em que providencio leituras sobre livros e filmes, por exemplo, busco sempre ocupar um lugar crítico que embora possa em alguma passagem se confundir com o lugar pessoal, não é necessariamente uma posição de igual natureza. Do mesmo modo quando estou destilando minhas opiniões sobre determinada questão; nesse caso, em específico, mesmo que haja um lugar do pessoal a se intrometer, é a posição crítica que busca se estabelecer sobre ela. Como no dia 31 de dezembro de 2012 disse que aquele ano havia sido um ano intenso, volto a esse mesmo dito para redizê-lo de igual maneira. A correria para as apresentações de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago – meu livro – que resumo aqui c...

Boletim Letras 360 #45

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A vergonha nacional exposta. No dia posterior as celebrações do Natal de 2013, mais um ato de vandalismo ao monumento mais visado do Brasil: a estátua de Carlos Drummond, em Copacabana, Rio de Janeiro, foi pichada por casal já identificado como "empresários" de Minas Gerais. O último de 2013. Está mais magro do que o costume. Compensa-se. Dizem por aí que ainda mal nos recuperamos da gordura e já estamos abrindo espaço para a engorda do Ano Novo... Estamos desejosos de que o ano que segue será assim, gordo de coisas boas, sobretudo, de boas leituras. Enquanto isso, vamos saber o que foi notícia ainda neste restinho de ano ocupado com listas e mais listas disso e daquilo. Continuamos a fazer as nossas que serão postadas aqui no dia 31. Fora isso, lista só a das melhores postagens, que estamos a percorrer desde o início da semana até meados de janeiro. Isso no Facebook. É só acompanhar a hastag   #RetroDoLetras2013 . E uma vez falarmos sobre nossa página no Faceboo...

Um diário inédito de Alejo Carpentier é publicado em Cuba

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Alejo Carpentier era um homem meticuloso e capaz de acumular uma prodigiosa informação enciclopédica que logo levava para sua obra. O romancista e musicólogo cubano anotava tudo o que via, ouvia e lhe chegava através de sua cosmopolita vida, estivesse em Paris, Caracas ou Havana. De fato, vários estudos sobre sua obra narrativa têm apontado esse rigor documental que logo se transformava em estilo artístico. Faltavam os diários publicados agora pela Fundação Alejo Carpentier que revelam suas angústias e preocupações durante o processo de criação literária. Um encontro que permite assistir a parte do traço criativo de obras como O século das luzes , Os passos perdidos , A perseguição e O caminho de Santiago ­ – este último ainda sem tradução no Brasil. Também se sabe que Carpentier estava organizando parte de sua correspondência cronologicamente com a ideia de publicá-la em forma de diário epistolar, empenho que deixou em suspenso devido sua morte. Esta edição agora publica...

Todos nós adorávamos caubóis, de Carol Bensimon

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Por Pedro Fernandes “Todas as ótimas ideias já pareceram más ideias em algum momento.” A afirmativa é da narradora de Todos nós adorávamos caubóis , o mais recente livro da escritora gaúcha Carol Bensimon que há dois anos publicou uma antologia de contos – Pó de parede – e um ano depois seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água . O primeiro título, que foi decerto, o de revelação da autora, tem um rico ensaio de escrita que reinaugura promessas no segundo e rui, que não seja em definitivo, nesta terceira tentativa. Se o título nos sugere uma ótima ideia, a sugestão é desfeita não em algum momento, mas em toda tentativa de romance; uma ótima ideia, repito, mas que aponta para uma má ideia (afinal, o que sugere um termo como este Todos adorávamos caubóis ?) e finda, se confirmando como tal: um texto com faro comercial e que pouco se aventura esteticamente, pedindo a todo instante uma fuga desse status medíocre e mais um tempo de maturação. De modo que, são necessári...