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Os caminhos de Isaías ou três voltas sobre o mesmo parafuso (Parte III)

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Por Alfredo Monte Lima Barreto em retrato feito após a segunda internação no  Hospício Nacional dos Alienados em 1919. 3. A Confissão (O romance) Désespéré de ce qu´il sait et ne peut plus annuler, mais fidèle malgré tout au Don Quichotte intransigeant qui lui dicte son ideal, il va rester écartelé entre deux exigences incompatibles et également impérieuses, l´une, utopique, qui l´entraîne irrésistiblement dans l´irresponsabilité de la rêverie; l´autre, realiste qui le contraint à regarder de tous ses yeux du côté des choses ´positives´ les plus propres à soulever en lui angoisse, mépris haineux, rage, dégoût... Marthe Robert, Roman des origines et origines du roman A má vontade geral, a excomunhão dos outros, tinham-me amedrontado, atemorizado, feito adormecer em mim o Orgulho, com seu cortejo de grandeza e força. Rebaixara-me tendo medo de fantasmas e não obedecera ao seu império... Lima Barreto, Recordações do escrivão Isaías Caminha No sexto c...

Maurice Sendak, o ilustrador de Liev Tolstói

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O trabalho que parece ter dado destaque à ilustração de Maurice Sendak foi Onde vivem os monstros . Há, evidente, uma série de fatores que contribuíram para isto: um deles, a adaptação feita para o cinema em 2009 por Spike Jonze e a declaração de gente famosa como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que este é um de seus livros preferidos. Basta dizer, que apenas naquele país o livro alcançou a marca de 18 milhões de exemplares vendidos. No Brasil, Onde vivem os monstros foi editado pela Cosac Naify e os 10 mil exemplares também já voaram. Mas, há outro título ilustrado por Sendak e quase desconhecido do público brasileiro; ao menos, com o título que recebeu em 1963. Trata-se de Nikolenka’s childhood ( A infância de Nikolenka , numa tradução direta), de Liev Tolstói e é já uma raridade para colecionadores. O convite a Sendak foi enviado em 1961 pela lendária editora Ursula Norstrom. Veio em forma de uma extensa carta de motivação criativa já que sondagens...

Requiem – Uma alucinação, de Antonio Tabucchi

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Por Pedro Belo Clara Se somente fosse tomado em consideração o apelido deste autor, cuja obra aqui apresento, por certo que o leitor, com justa razão, não o consideraria de origem portuguesa. Como tal, seria adequado concluir que este trabalho que assino representa uma inocente “batota” ou uma aceitável traição ao propósito primordial desta coluna quinzenal, que se propôs, desde a sua fundação, a somente apresentar obras de autores oriundos de terras lusitanas. Permita-me, no entanto, que esclareça o tema um pouco melhor, uma vez que o mesmo não é tão linear como se poderá assumir. De facto, Antonio Tabucchi é um autor italiano nascido na cidade de Pisa durante a década de quarenta. Acontece que Portugal foi uma das grandes paixões que pintaram a vida de Tabucchi, ao ponto de, em 2004, requerer a nacionalidade portuguesa. Por isso, creio ser inteiramente justo que um dos seus mais emblemáticos trabalhos seja incluído do rol das habituais análises propostas por esta col...

Lewis Carroll: porque um dia odiou ter escrito Alice no País das Maravilhas

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Fac-símile da primeira página da carta de Lewis Carroll em que se sente cansado pela fama de Alice no País das Maravilhas . As aventuras de uma menina chamada Alice que cai um buraco para sair no País das Maravilhas converteram Lewis Carroll num autor reconhecido e bem sucedido, numa celebridade de seu tempo. Tudo terá chegado ao extremo que o criador daquele fantástico relato desejou um dia não haver escrito o livro que acabou por torná-lo em lenda literária. Charles Lutwidge Dodgson, o verdadeiro nome de um escritor que desejava guardar zelosamente sua privacidade sob o refúgio de um pseudônimo, reagiu mal quando sua identidade deixou de ser um segredo. A fama pública o fazia sentir-se como um animal de zoológico, tal como lamenta numa carta que escreveu a uma amiga, documento que acaba de vir a lume por ocasião de um leilão realizado recentemente em Londres.   “Toda esta sorte de publicidade conduz os desconhecidos a vincular meu verdadeiro nome com o livro, neste ...

Boletim Letras 360º #54

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Ariano Suassuna e sua companheira no Carnaval. Foto: Patricia Satavis/ Folha Imagem. Bom, iniciamos este Boletim para dizer que, até a pouco já chegávamos a pouco mais de 200 inscritos na nossa promoção pelo Dia Mundial da Poesia – números que nos deixa muito animados. E na torcida para que a sorte sopre para aqueles que tanto nos acompanham, de coração. E, em ritmo de Carnaval (por isso a imagem de Ariano Suassuna, assim, todo serelepe no desfile da escola de samba Camisa Verde em São Paulo) para deixar registrado por aqui as novidades nas redes sociais do blog nesta semana que hoje chega ao fim. Por falar nisso, em Carnaval e em poesia, viram a sequência de Poemas para ler no Carnaval que demos início a publicação ontem, 28/02/14, em nossa página no Facebook? Isso vai até a quarta-feira de cinzas à noite. Segunda-feira, 24/02 >>> Espanha: Os cartões postais de Pablo Picasso  Ilustrados e enviados pelo pintor aos de seu círculo de amizade; círculo qu...

Pequenas rotinas, grandes mentes (Parte 1)

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Haruki Murakami numa parte de seus rituais diários. Acordar cedo, escrever, e correr. Picasso pedia a suas musas que, por gentileza, só o visitassem quando estivesse em seu atelier e trabalhando. Com manchas na camisa listrada e os pinceis preparados para aproveitar a inércia dessa coisa chamada inspiração. Porque por mais pura que se apresente a arte, dedicar-se a pintar, escrever, fazer canções ou fotografia têm muito da rotina, de hábito e obrigação imposta do artista para si próprio. “Sê monótono e ordenado em tua vida como um burguês para que possas ser violento e original em tua obra”, dizia Flaubert, por certo, todo um senhor burguês. William Burroughs tinha muito claro que estava obrigado a fazer uma mudança nesse trabalho raro: “O preço que um artista tem que pagar por fazer o que quer fazer é que tem que fazê-lo”. Mas, qual era a fórmula (se há) dos crânios privilegiados da História para convocar musas e pagar essa hipoteca? O jornalista Mason Currey tomado pela cu...