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As inspirações do teatro de Shakespeare

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Por Carolina Cunha William Shakespeare por Lous Coblitz. No século 16, na Inglaterra, no período da rainha Elizabeth, um grupo de jovens escritores começou a escrever peças e deu início ao chamado teatro elizabetano, que se tornou muito popular. Em 1591, o jovem William Shakespeare decidiu sair da cidadezinha de Stratford-upon-Avon e se mudou para Londres, onde assimilou o que já havia sido feito no teatro e potencializou sua criação. Tornou-se ator, escreveu peças e virou diretor do Teatro Globe, o mais prestigiado da capital. Sua trupe era considerada a número I da cidade e se apresentava para todo tipo de plateia, conseguindo entreter ao mesmo tempo os nobres e o povo. Filho de um comerciante, Shakespeare nasceu em abril de 1564 e morreu aos 52 anos de idade. Foi autor de 38 peças (entre históricas, comédias e tragédias), como Hamlet , Romeu e Julieta , Otelo , Macbeth , Sonho de uma noite de verão , Ricardo III , Rei Lear , A megera domada e A tempestade , entre outr...

O imaginário visual de William Shakespeare

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David Garrick no papel de Ricardo III (1745), de William Hogart.  Como todos os grandes gênios literários, William Shakespeare e sua obra têm servido de inspiração a uma amplíssima e variada leva de artistas, sobretudo, os que, como ele, tem fascinado nossa época, a ponto de convertê-los merecidamente em mito. Esta observação nasce no interior de um instante em que a obra do bardo inglês alcança níveis cada vez mais acentuados de crítica e público desde o século XVIII. De modo que, pode-se dizer que a projeção internacional alcançada pelo autor no século XIX ainda se mantém vigente nos dias atuais. Do ponto de vista das artes visuais, a obra de Shakespeare tem servido de criação de imagens de todo tipo e técnica; deste a arte gráfica, a pintura e a escultura, até a fotografia, o cinema e as novas mídias. Frente a este imenso caudal de releituras, nos cabe mais centrar nossa atenção em alguns exemplos característicos, selecionados entre os  que produziram durante a p...

A desumanização, de Valter Hugo Mãe

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  Por Pedro Fernandes Pode-se dizer que A desumanização é um romance de retornos. Embora, uma das obsessões de Valter Hugo Mãe, segundo o autor tem confessado, seja a de não buscar se repetir e fazer de cada romance um começo de tudo porque lhe frustra a ideia de viver toda uma vida para ser autor de um só texto; embora não alcancemos certa limitação criativa, fato que se verifica em alguns nomes já conceituados como Mia Couto (julgamento que é uma birra particular com seu último romance, A confissão da leoa ); A desumanização é um corolário de obsessões muito particulares da obra de Valter Hugo Mãe. E isso não o limita. No seu caso específico, é o contrário: inaugura uma feição literária até certo ponto inovadora na literatura de língua portuguesa – consideração que vai de encontro ao que o próprio escritor tem dito buscar, fazer do seu texto um texto universal. Um desses retornos notados está um novo ângulo para o tema da morte tomando por base a ótica de uma cr...

Boletim Letras 360º #61

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Semana intensa e com um desfecho triste. As letras, mais uma vez, vestem-se de luto pela morte de Gabriel García Márquez, um dos grandes escritores do século passado. Pertencente ao seleto grupo dos seis nomes latino-americanos que já receberam o Prêmio Nobel da Literatura, a obra de García Márquez é um marco por ter reaberto os eixos do cânone e dado a conhecer para o mundo outros universos, igualmente ricos, da criação humana. Mas, depois do escritor, fica a obra – e nela pulsa sua existência toda vez que voltarmos à leitura. Neste BO, as notícias destaque da semana do Letras no Facebook, mais um apanhado de singelas homenagens que temos conduzido desde o último dia 17, quando ficamos sem o mestre Gabo. Segunda-feira, 14/04 >>> Brasil: Mais inéditos de Dalton Trevisan Pelo menos dois títulos do escritor foram anunciados para breve. Some a esses mais um. No segundo semestre de 2014 – é isto uma previsão – deve sair pela Editora Record, O beijo na nuc...

A lamentável leveza da morte

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Por Rafael Kafka Gabriel García Márquez, aplicado às letras desde quando jornalista. Dessa dedicação brotou obras clássicas como Cem anos de solidão . Lembro-me de um professor meu, em meus tempos de cursinho, no Centro Federal de Educação e Tecnologia do Pará (CEFET/PA) em 2007, apresentando para mim um livro de título bem singelo: Memórias de minhas putas tristes . Lembro igualmente de outro professor, no mesmo recinto, dizendo que não entendia como aquele autor conseguira ganhar o Prêmio Nobel de literatura. Eu levaria sete anos para comprar o livro e deixá-lo me esperando na prateleira improvisada de meus livros. Levaria um pouco menos, seis anos, para comprar o maior clássico de Gabriel García Márquez , Cem anos de solidão , que seria dele a primeira leitura feita por mim. No excelente prefácio de Eric Nepomuceno, uma cena a qual eu adoraria ter vivido: a do jovem tradutor encontrando o seu mestre e criando uma rara e profunda relação de amizade com o mítico escrito...

O rei se inclina e mata, de Herta Müller

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Por Pedro Fernandes Quando Herta Müller ganhou o Prêmio Nobel em 2009 até seu nome me era desconhecido, embora já circulasse no Brasil algumas traduções de livros seus. Resisti certo tempo em buscar a leitura de sua obra, por razões diversas, mas cito ao menos duas delas: o interesse pelas literaturas de expressão portuguesa, cuja formação acadêmica me exige, e o tempo escasso para permitir a entrada de outros nomes em meu cânone particular. Sobre esta última, basta ter uma dimensão do que é a literatura dos cinco países falantes do português para se dar conta que, ainda que eu tivesse todo o tempo do mundo, nunca irei contorná-lo. Mas, o encontro com obras da escritora romena nas várias idas às livrarias após sua premiação e a leitura de uma crítica qualquer, esparsa e vulgar, dessas que sai com frequência nos ditos cadernos de cultura que circulam no Brasil sempre me mantiveram um alerta de que há algo na obra de Herta que quase me obriga a ler alguma coisa dela. Já ...