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Limiar dos pássaros, de Eugénio de Andrade

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Por Pedro Belo Clara Eugénio de Andrade. Desenho de Dordio Gomes Retornamos à obra de Eugénio não por motivos de lúgubres celebrações, visto assinalar-se no presente mês a primeira década do desaparecimento físico do profícuo autor, mas pela importância do teor da obra em causa no conjunto poético. E, uma vez que até ao momento a nossa viagem pelas páginas do poeta tem sido razoavelmente extensa e profunda, salvaguardando a lógica que a iniciou fará completo sentido abordarmos hoje este Limiar dos pássaros . Não criemos ilusões a respeito do livro e do seu conteúdo, pois não iremos ao encontro do universo que o poeta habitualmente nos reserva. Estamos diante de uma obra de nítida ruptura. Já o havíamos notado em Obscuro domínio , mas neste trabalho, editado em 1976, Eugénio vai muito para além dos ditames explorados pelo título anteriormente referido. O que julgaríamos conhecer sobre a sua poesia cairá por terra. Deveremos, contudo, ter o devido cuidado no uso de...

Quem lê um poema abre uma janela

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O título desta promoção é uma glosa a partir de um poema do Mário Quintana. Do poeta, o Letras in.verso e re.verso, já sorteou obras suas. Agora, sortearemos mais. A editora Alfaguara preparou uma nova edição com os melhores poemas do poeta escolhidos por ele próprio. E, claro, pensando nos leitores queremos presenteá-los. Essa promoção é desenvolvida numa ação conjunta do blog com a página Dicas de Leitura. Para participar, vejam só: 1 – curtir a página do Letras in.verso e re.verso e da Dicas de Leitura no Facebook; 2 – deixar umcomentário na post convidando três amigos para participar do sorteio; 3 – inscrever-se na aba promoções . Serão sorteados dois exemplares. Isso no dia 08 de junho . A promoção é válida apenas para leitores do Brasil. Depois do sorteio, os ganhadores devem entrar em contato conosco para providenciarmos a entrega. Pode ser via Facebook ou através do e-mail <pedro.letras@yahoo.com.br> Ganhadores que cumprirem o regulamento estarão d...

Boletim Letras 360º #119

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Já está tudo pronto para a promoção que sorteará a nova edição da Antologia Poética , de Mário Quintana (Alfaguara Brasil); o evento acontece em parceria com a página Dicas de Leitura. Além disso, lançamos, desde terça-feira (26) um desafio: chegar a mil amigos no Twitter . Quando chegarmos sortearemos entre os tuíteiros a edição de Alice no país das maravilhas (Cosac Naify). Enfim, se já agradamos a 150 leitores com livros podemos agradar, dentro das nossas possibilidades, muitos outros. Abaixo compilamos as notícias que circularam durante a semana em nossa página no Facebook. Boas leituras! Dante Alighieri. Em 2015 chegamos a sete séculos e cinco décadas do escritor. Uma série de atividades é programada ao redor do mundo para marcar essa data. Mais detalhes ao longo deste boletim. Segunda-feira, 25/05 >>> Brasil: Obra do vencedor do Man Booker Prizer International chega em 2016 Tango de Satã  é considerada um das obras mais significativas do escri...

O autor como personagem: o Goethe de Martin Walser

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Por Alfredo Monte   OS SOFRIMENTOS DE WERTHER ENVELHECIDO   “Que ora devo esperar de algum rever, Da flor ainda fechada deste dia? Com Paraíso e Inferno a te envolver, Na indecisão tua alma se angustia! – Adeus, ó dúvidas! No umbral dos Céus Ela te leva a alçar nos braços seus. … No Paraíso então foste acolhido, Como se jus fazendo à vida eterna; Finda a esperança, e o desejo contido, Cá estava pois a meta mais interna, E ao contemplar da singular beleza Secava a fonte ansiosa da tristeza. (…)   A um seu olhar, como ao vigor solar, E a um sopro seu, como aos da primavera, Derrete-se o egoísmo a degelar Toda a crosta invernal em que estivera; Finda o interesse, acaba a teimosia, Quando ela chega e os põe em letargia. … É como se dissesse; `De hora em hora A vida se oferece amigamente. Do passado o registro é incerto agora. Do amanhã é vedado estar ciente. E se com a noite eu já me amedrontei, Com o pôr do sol, que brilha, me alegrei. … Faça pois como eu: sensato e rindo, O...

Reificação, coisificação e insensibilidade

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Por Rafael Kafka Um dia, eu conversava com uma conhecida minha no campus do Instituto Federal do Pará em Belém. Acabáramos de sair de uma reunião com o Ministério da Educação que avaliaria se nosso curso seria legalizado e teríamos, enfim, o direito de retirar nosso diploma, que esperava essa burocracia para ser retirado. Dirigimos-nos para uma área mais aberta e passamos a conversar sobre coisas variadas da existência até chegarmos ao então emergente Facebook. Isso era meados de 2011, uma época na qual eu estava bastante preso às redes sociais, mais preso do que hoje até, lendo bem pouco e não sabendo como sair da teia que eu criara ao meu redor após sair da primeira faculdade. Observava as redes sociais como grandes painéis humanos nos quais as pessoas mostravam-se do modo mais aprazível possível para as suas audiências. Ainda acostumado com a interface do Orkut, preso por demais às comunidades e aos recados e depoimentos, fiquei chocado com aquele mundo de informações...

1912: o ano do big bang de Franz Kafka

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1912 é um ano decisivo na vida e obra de Kafka. Tanto que, em seu desenvolvimento, nem uma nem outra, inextricavelmente unidas, resultam compreensíveis sem conhecer esse tempo estruturador. Várias são as razões que validam esse argumento. E sobre elas que aqui falamos. Em primeiro lugar, no dia 13 de agosto daquele ano, Kafka conhece Felice Bauer na casa dos pais de Max Brod. De todas as mulheres que articulam a vida emocional de Kafka, nenhuma como Felice retrata não só o que Kafka chegará a ser, mas sobretudo o que nunca será: marido, pai, um homem com raízes. A relação com Felice, sua vertigem de compromissos uma e outra vez adiados e pouquíssimos finalizados, desenha com singular empenho sua infernal solteirice, sua incapacidade (e, talvez sua terrível ânsia) para uma vida doméstica comum, que Kafka elevou, para variar, ao universo da sua literatura. Mas, não apenas a vida sentimental de Kafka será marcada para sempre em 1912. Também sua vocação como escritor, sua paixão...