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Diz-me com quem andas e te direi quem és: influências literárias na obra de Gabriel García Márquez

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Por Megan Barnard Alguma vez Gabriel García Márquez comentou acreditar que a principal razão pela qual os escritores leem os romances dos outros era para aprender como foram escritos. Para o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, os livros tinham uma importância tremenda e com frequência escreveu e falou sobre os outros autores que mais haviam lhe influenciado. Em 1981, o ano anterior ao de quando ganhou o maior galardão de sua carreira, García Márquez identificou várias das influências capitais em sua obra numa entrevista que concedeu à Paris Review : “Quando escrevi meus primeiros contos me disseram que se percebia neles um cariz joyceano”, disse. “Nunca havia lido Joyce, de modo que logo fui ler Ulysses ”. Começou com uma tradução em espanhol que mais tarde qualificou de pobre, depois foi ler o original em inglês e uma boa tradução francesa.   Sem dúvidas, esse romance o impactou profundamente conforme declarou: “Aprendi algo que haveria de ser m...

Walt Whitman, o poeta do futuro, da multidão e da liberdade

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Por Neiva Dutra Walt Whitman nasceu em 31 de maio de 1819, em West Hills, Long Island. Foi um autodidata. Aos treze anos, já trabalhava como aprendiz de impressor no Brooklyn e cinco anos mais tarde escrevia para diversos jornais; base que o levou a ser  diretor do  Long Islander  entre 1838 e 1846 e do  Brooklin Daily Eagle , a partir de 1846, cargo que abandonou em 1848 por divergências em questões políticas, especialmente o problema da escravidão. Em 1850 viajou a Nova Orleans, onde trabalhou como construtor durante cinco anos. Um ano depois editou, com seus próprios recursos, o livro  Folhas de erva (1855), que se converteu em sua única e essencial obra, plena de liberdade formal, de acentuado lirismo, inclinação liberal e expressividade poderosa.  A imprensa atacou-a furiosamente como escandalosa pela forma – versos longos, com termos próprios da linguagem popular e direta – e pelos temas.  Porém, também despertou a admiração de ...

Boletim Letras 360º #144

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Pesquisadores encontram três poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade. Mais detalhes ao longo deste boletim. Todo sábado, o leitor do  Letras in.verso e re.verso  tem a oportunidade de re/ver o que noticiamos ao longo da semana em nossa página no Facebook. E o que noticiamos? Sempre assuntos ligados a escritores, obras e temas comuns ao universo do blog. Esta é uma maneira não apenas de organizar o conteúdo disperso na rede social e muitas vezes não alcançado pelo público; é também uma resposta à política de comercialização do publicado no FB. Chamamos essa publicação dos sábados de Boletim Letras 360º; e esta é a edição desta semana. Segunda-feira, 16/11 >>> Estados Unidos: De Gabriel García Márquez para José  ‪ ‎Saramago "José Saramago é um dos escritores grandes deste século e seu Prêmio Nobel é um dos mais justos. A alegria que isto casou nos países de língua espanhola, como se fosse uma vitória nossa, confirma o que alguns escritore...

Para que serve um crítico?

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Por Rafael Kafka A pergunta que dá origem a esse texto é algo que me incomoda desde meados de 2009. Foi nesse ano que comecei a frequentar cineclubes na cidade de Belém. Na época, tais espaços eram locais ainda tímidos, novos nichos de cinema nos quais era possível ver o genuíno cinema clássico sem ter que pagar nada por isso. Além disso, após os filmes havia debates com os exibidores do filme, o que a princípio me soou como uma forma interessante de troca de ideias e incentivo ao hábito de idas ao cinema em busca de um entretenimento maduro, crítico e enriquecedor. Eu tinha o hábito de ir a dois cineclubes naquela ocasião. Em um deles, comandado por críticos mais experiente, eu percebia a presença mais firme de debates sobre a ideia do filme si. A maior preocupação era tirar do espectador a sua impressão de leitura acerca do longa-metragem visto e assim, em uma troca impressões, gerar uma boa conversa que por si seria um motivo a mais para idas mais frequentes ao cinema...

Mulheres de cinza, de Mia Couto

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Por Aurélio Furdela Chamou-me a atenção para a leitura do mais recente livro do respeitável escritor Mia Couto, uma apreciação feita por um companheiro das lides literárias, dizendo que por razões profissionais, lera o Mulheres de cinza ,¹ tendo concluído que estávamos diante de uma grande obra literária, talvez a melhor do autor em toda sua carreira. Fim-de-semana seguinte, outra coisa não me ocuparia, senão a leitura do romance, uma leitura ferida do grande defeito que marca um escritor, diante de uma obra de ficção, seja ela de poesia, prosa ou teatro, visto que, na verdade, um escritor não lê, reescreve com os olhos os livros que lhe chegam a mão.  E, na leitura do Mulheres de cinza , também deixei-me embalar naturalmente por este defeito congénito, que arrisco-me a dizer que persegue a todos os escritores, lendo não passivamente a prosa que se propõe conduzir o leitor a Inharrime. Porque também bastante elogiada esta obra, e muito realçados os aspectos positiv...

O mágico e umbral: as biografias conjeturais de Hermann Hesse

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Por Alfredo Monte 1 Não deixa de ser um fato inusitado, apesar de auspicioso, a Record publicar uma edição comemorativa dos cinquenta anos da tradução de Ivo Barroso para Demian – História da juventude de Emil Sinclair 1 .  Texto-ícone do século vinte, fez a cabeça de muitos. Nele encontramos a famosa e nietzschiana frase: «Quem quiser nascer tem que destruir um mundo». Hermann Hesse (1877-1962) publicou-o em 1919 sob pseudônimo e houve muita especulação na época sobre a verdadeira identidade do autor. Quando foi descoberta, o livro passou a ser considerado uma espécie de divisor de águas na sua trajetória artística. E um grande salto, constata-se hoje, embora na memória de quem aqui escreve e tenham permanecido, durante anos, após a primeira leitura, muitos aspectos irritantes e literariamente derrisórios, a saber: 1) essas pessoas ( guias , como são denominadas) que aparecem do nada e que dão ao leitor a ideia de que o universo inteiro está v...