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A história dentro da história: a filosofia, a poesia e os símbolos do fenômeno Guimarães Rosa

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Por Neiva Dutra Guimarães Rosa com um exemplar de Sagarana . Itamaraty, Rio de Janeiro, 1964. Foto: David Drew Zing. Arquivo do Instituto Moreira Salles O papel fundamental de Guimarães Rosa foi o de revolucionar a literatura, renovando a prosa regionalista e apresentando-a sobre uma ótica universal. Seus textos exigem um leitor atento e preparado para lidar com sua linguagem particular e sua narrativa cheia de digressões, fluxos de consciência e recursos poéticos. A ortografia própria, divergente em muitos pontos da gramática oficial, a invenção linguística que abrange o nível semântico (significado), o sintático (combinação) e o fonológico (som), que descobre associações imprevistas entre as palavras e reproduz ruídos da natureza ainda não registrados revelam uma inventividade e uma genialidade que configuram um estilo sem precedentes na literatura brasileira. João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, no interior de Minas Gerais, em 27 de junho de 1908; "para ser...

Boletim Letras 360º #147

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Por aqui, começamos a arrumar a nossa lista de final de ano. E, claro, ainda trabalhamos no exercício de revisão de conteúdo do blog. Este parece que não terá fim; quanto a lista, sim, esta tem seu fim e deve vir a lume no último dia do ano, como tem sido costume. É, não somos nada apressadinhos; enquanto outros espaços já divulgaram as suas (vimos que algumas saíram desde novembro! Menos, não é gente, os dias se passam tão rápidos e ainda há quem queira matar o tempo antes do fim...), mas nós não temos essa necessidade. A única, por enquanto, é a de organizar as notícias da semana em nossa página no Facebook.  Liev Tolstói. O escritor e sua obra serão novamente lembrado numa iniciativa em torno de  Guerra e paz . Segunda-feira, 07/11 >>> Brasil: O centenário de Roald Dahl O autor de dezenas de obras que fazem sucesso entre as crianças, como Matilda  e A Fantástica Fábrica de Chocolate  será lembrado no Brasil em 2016 por seu centenário de nascim...

Maria Teresa Horta: as bodas de Eros e Psiquê

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Por Márcio de Lima Dantas Diferente de outras mulheres poetas que tematizaram o amor de uma maneira em que o erotismo apareceu mais ou menos explícito no conjunto de uma lírica, como Florbela Espanca, esquecida e difamada em seu tempo, a poeta portuguesa Maria Teresa Horta teve reconhecimento em vida, sendo considerada, hoje, como um do maiores expoentes, de todos os tempos da literatura escrita por mulheres. Detentora de uma lírica erótica lastreada em um requintado pudor, pois não faz uso de palavras chulas ou que beirem a vulgaridade, a poeta porta-se em toda a sua vasta obra como possuidora de um politicamente sensato, que não busca escandalizar. Mesmo porque lhe parece natural o fato de tratar com detalhes os signos vinculados ao estrato do erótico no corpo ou ao ato sexual mais propriamente explícito, em suas inúmeras possibilidades, assim como nominar as partes que dizem respeito à consecução, quando dos corpos buscando um ao outro com o objetivo de sentir e da...

Sete novas peças sobre a vida de Pablo Neruda

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Por Winston Manrique Sabogal Matilde Urrutia e Pablo Neruda. Ela revelou os afetos maternos do poeta. Pablo Neruda acreditava que Carlos Morla Lynch, maior responsável da embaixada chilena em Madri como encarregado de alguns negócios, não havia ajudado ao poeta Miguel Hernández a sair da Espanha durante a Guerra Civil, em 1939. O escritor estaria em várias prisões, de Sevilha, Madri, Valência e Ocaña e morreria no Reformatório para Adultos de Alicante, em 28 de março de 1942. Mas Morla tentou, sim, ajudar Hernández, segundo uma carta inédita do poeta. Esta é só uma das várias revelações trazidas pelo historiador Mario Amorós na biografia publicada em novembro nos países de língua espanhola, Neruda: o príncipe dos poetas (tradução livre para Neruda: el príncipe de los poetas ). 1. Hernández e a guerra A carta descoberta por Amorós mostra que o Prêmio Nobel de Literatura chileno estava equivocado. Morla Lynch primeiro escreveu a Hernández: “Não lhe aconselho solic...

A importância da “palavra” e do “silêncio” em Eugénio de Andrade

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Por Maria Vaz A poesia é feita de palavras e dizer isto pode parecer uma falaciosa queda em algo evidente e simplório. Não obstante, as palavras nascem em campos férteis em que a imaginação impera ou em que a memória se impõe. E tantas vezes germinam no cantinho mais luminoso ou obscuro que possuímos invisivelmente: nesse campo energético que transcende a aparência. Quantas vezes sentimos sem racionalizar e quando percebemos, já dissemos o que talvez preferíssemos ocultar? Paradoxalmente, muitas vezes, é a consciência da razão que, talvez por medo (esse limitador existencial), nos inibe de dizer aquilo que, secretamente, colore ou importuna de desejo ou rejeição o nosso encontro com outras psiques. Não obstante, nem tudo é construído de razão e os poetas têm essa fome de algo que os transcende, enquanto materializam palavras, enquanto símbolos de poder articulados em exterioridades linguísticas, em uma folha em branco. Mas nem tudo é linear: não há uma linha invisível a ...

Girândola, Julio Cortázar e O Poeta de Meia-Tigela. Ou: uma breve crônica literária

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Por Léo Prudêncio Após ler o mais novo livro do Poeta de Meia-Tigela intitulado Girândola (Substânsia, 2015), relembrei uma conversa rápida que tive, pessoalmente, com ele. Na ocasião, me falou de alguns livros que viriam a lume e um deles, desde esse dia, me chamou atenção logo pelo título: Girândola . Indaguei sobre e sua composição, e ele confidenciou-me (acaba-se agora a surpresa), de que se tratava de uma obra com indícios cortazarianos (nessa época o autor cearense estava em contato assíduo com a obra do cronopiano-mor).  Quando o livro me chegou em mãos e, lendo-o, me deparo com o nome do argentino escrito de maneira subliminar em um contopoético: "desinvenção da fábula, a ou era uma vez... para cortar o azar". A forma como os poemas são apresentados não segue uma linha lógica de sumário, pois eles estão embaralhados ou misturados com todas as oito divisões do livro: se bem que a (des)ordem não altera o fator final dessa leitura; mesmo embaralhado, o...