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História do novo sobrenome, de Elena Ferrante

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Por Pedro Fernandes Há pelo menos duas linhas através das quais é possível construir uma leitura para o segundo volume da série napolitana – uma sequência de romances da italiana Elena Ferrante que se constrói em torno do desenvolvimento de uma figura alter ego, digamos assim, da escritora e sua amiga. Enquanto no primeiro volume, o leitor encontra o período que vai da difícil infância ao casamento de Lila, aqui, sabemos sobre a nova vida dela, como a Sra. Carracci, as desavenças com um companheiro do qual se arrepende haver se casado ainda na noite de núpcias e dos desencontros e subida nos estudos de Lenu depois de ganhar uma bolsa de estudos na Universidade de Pisa. Uma das linhas é a sobre a corrosão das relações pessoais pelo capital, se percebemos o motivo do casamento de Lila, as extensas preocupações do companheiro na estreita briga pelo território comercial com os Solara e o progressivo afastamento da amizade entre Lila e Lenu e a maneira como aquela ...

O homem do país azul, de Manuel Alegre

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Por Pedro Belo Clara Aqui temos, diante do olhar, uma obra que por grande parte da sua breve extensão revela vívidos testemunhos de uma época já extinta. Relatando-os com tamanho fervor e poesia, como só os profundamente humanos corações são capazes de o fazer, eleva-os em algumas situações quase ao estatuto de lendas, não estivesse praticamente a maioria das incidências que por estas páginas poderemos encontrar relacionada com um período específico da história portuguesa mais recente. Trata-se de um livro de contos, dez no total, lançado em 1989, que firmou o seu autor como um talentoso prosista. Tendo em conta o seu passado como poeta, e considerando o espaço temporal a que nos referimos, surgiu como a confirmação do talento de Manuel Alegre para outros voos literários que não aqueles que, com merecido louvor, já lhe eram conhecidos. Ademais, 1989 foi igualmente o ano de lançamento do seu romance Jornada de África , prova fulcral desta marcada mudança de género pratica...

Boletim Letras 360º #172

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Raduan Nassar, o Prêmio Camões de 2016. Sempre que se reclamar que no Brasil não se lê, poderíamos mostrar o boletim que ora é publicado; não é sempre, mas nesta semana os lançamentos de extensa significação por editoras diversas são tantos que até mesmo um leitor mediano talvez não seja capaz de dar conta de todos eles no que ainda nos resta de 2016. E, se há publicação, imagina-se que há, mesmo pouco leitores. É evidente que não queremos negar nossa medíocre capacidade de leitores, mas só gostávamos de pensar a questão por outro ângulo. Talvez pela pergunta: e os leitores, o que fazem pelos não leitores? A proposta deste blog se consolida como uma alternativa nesse breu. Tanto que, enquanto alcançamos quase 31 mil amigos em nossa página no Facebook, ousamos, por conta própria reinvestir na aposta de agradar nossos leitores: há uma promoção que sorteia um kit com três livros da Lygia Fagundes Telles à escolha do vencedor. Saiba mais indo aqui . Mas antes não esqueça de ver o qu...

Passagem dos inocentes, de Dalcídio Jurandir

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Por Rafael Kafka Passagem dos inocentes é um romance de Dalcídio Jurandir marcado pelo signo da transição. O modo de narrar que caracterizou os primeiros livros do ciclo do extremo norte, com um ritmo mais fluido e suave, começa a dar lugar aqui aos fluxos de consciência e à temporalidade oscilante que dão ao texto um aspecto mais surrealista, angustiante e perturbador. Praticamente não temos um narrador nessa obra e a mesma se dá por meio das vozes de personagens que por meio do discurso indireto livre contam a história de como Alfredo chegou à passagem que dá nome ao romance, localizada no atual bairro da Umarizal, área nobre de Belém. Em Passagem... , Dalcídio mais uma vez foca nas desventuras de Alfredo, um garoto cheio de questionamentos existenciais e crises de identidade que veio para a capital do estado do Pará para estudar e subir na vida, sonho antigo de sua mãe, Amélia. Porém, o autor paraense como sempre consegue focar em outras histórias paralelas, evidencia...

Manhattan Transfer, de John Dos Passos

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Por José María Guelbenzu Manhattan Transfer , de John Dos Passos, foi publicado em 1925. É um dos grandiosos romances da grande década da criação literária e, como terá lembrado anos depois seu autor, um exercício que teve como inspiração – sobretudo quanto à técnica narrativa – o Ulysses , de James Joyce e The Waste Land , de T. S. Eliot, além dos experimentalismos com colagem no cinema do diretor russo Sergei Eisenstein. A grandiosidade da obra reside ainda na importante repercussão nos meios literários e entre os leitores mais importantes de seu tempo. No fim, se tratava de um romance social que apresentava algumas características mais audaciosas e inovações quanto à criação que fascinaram os leitores e escritores acostumados e obrigados às formas mais antigas da narrativa. Manhattan Transfer era um exemplo vivo de um novo modo de narrar e, por conseguinte, um verdadeiro guia para todos aqueles que tratava de enfrentar a triste e medíocre realidade circundante de um ...

Uma lista de leituras a partir da biblioteca de Julio Cortázar

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Julio Cortázar em sua biblioteca em Paris, 1975 Uma espécie de anfíbio. Ou talvez um duende que toma forma de um literato importante. Poucos sabem com certeza o que é um cronópio e, ao mesmo tempo, todos sabemos a quem se refere a palavra: esta estranha conjugação de entendimento e incerteza só foi possível na obra de Julio Cortázar, tão experimental até nossos dias num grau superlativo de desafio e performance para o leitor. Não há descrição física destes seres; a única coisa que sabe é que são verdes e voláteis, um tanto sensíveis e idealistas, beirando ao ingênuo e que protagonizam uma série de contos reunidos no livro Histórias de cronópios e famas . Por que isso vem em conta? Sensivelmente como um exemplo desse mundo cortazariano que o autor foi capaz de criar e mesclar com o que há de comum na terra e nós mortais o experimentamos. Como uma mostra de criatividade frente a algo que tem demandado um estudo profundo da crítica interessada em desvelar o misté...