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Boletim Letras 360º #201

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Encontradas novas fotografias de Machado de Assis.  No Boletim anterior havíamos dito que publicaríamos nossa lista de leituras e de filmes no dia 31, como é de costume todos os anos; mas não notamos ser esta data num sábado e sábado é dia de postar outro boletim como este. Então, oh, o que fazer? Anteciparemos! Bom é que a espera será menor. Mas, para não esperarmos mais, vamos às notícias divulgadas nesta primeira semana de recesso do blog.  Segunda-feira, 19/12 >>> Portugal: A Fundação José Saramago doa mais uma parte do espólio do escritor à Biblioteca Nacional de Portugal (BNPT) A decisão segue na contramão de alguns grandes arquivos que são comercializados a grandes centros universitários, como é o caso da venda do espólio de Gabriel García Márquez para o Texas. Entre os documentos que as herdeiras de Saramago agora entregam, se contam o manuscrito do livro póstumo Clarabóia , que o autor escreveu no final dos anos 40, ...

O violão azul, de John Banville

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Por Pedro Fernandes Novamente é preciso retornar ao tipo de romance que não assume – ao menos explicitamente – nenhum interesse pretensioso de renovação estética e, se não faz isso, consegue imprimir um tom único, no sentido de singular, na estruturação e, logo, na forma. A literatura contemporânea tem alguns exemplos desses consideráveis; o caso mais notório é certamente o da Elena Ferrante. A obra dessa escritora tem se utilizado dos mesmos protocolos narrativos tradicionais e abordado os temas mais caros da contemporaneidade, mesmo aqueles relativos ao interior do homem. E não somente: tem reelaborado as relações entre interior e exterior no âmbito da narrativa de modo a evidenciar novas possibilidades de engendrar uma totalidade do indivíduo. É evidente que, diferentemente de Elena Ferrante, é possível ser essa constatação verificável através da leitura da chamada série napolitana, Dias de abandono e A filha perdida não sintonizável com a literatura de John Banvill...

Roberto Bolaño, o imortal

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Por Karina Sainz Borgo Quando Roberto Bolaño visitou Nicanor Parra em sua casa de Las Cruces, em 1998, as primeiras palavras que o poeta lhe dirigiu foram em língua inglesa. Era as boas-vindas com que os camponeses da Dinamarca recebem o príncipe Hamlet. Neste dia, Nicanor Parra e Roberto Bolaño falaram sobre a velhice; sobre fantasmas e a loucura de Shakespeare; sobre acidentes automobilísticos; sobre Nova York e os amigos mortos; sobre os poetas e a nova narrativa chilena; sobre o México; sobre os Mapuche; de Pinochet. Num momento da visita, Parra levou Bolaño até o terraço de onde se via o mar e, do outro lado da baía, um bosque: “Vê esse bosque?” – perguntou Parra. “Sim, vejo”. “Qual bosque vê, o que está acima ou o que está abaixo, o da direita ou o da esquerda?” Bolaño não via nada especial, exceto algo parecido a uma paisagem lunar. Depois de 25 anos de exílio, até o tronco das árvores chilenas deviam parecer irreconhecíveis. Nicanor Parra insistiu. Sugeriu-lhe qu...

Boletim Letras 360º #200

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Estamos em recesso. Mas abriremos sempre que um texto subir à superfície. É um remanso. Por quatro semanas assim estaremos. Aos amigos que nos visitam diariamente uma lembrança: estaremos ativos nas redes sociais. No Instagram, por exemplo, seguimos com as dicas de presentes de final de ano até o dia 24 de dezembro; no Facebook e Twitter todas as notícias de interesse do núcleo do Letras e muito em breve iniciamos a nossa retrospectiva de 2016. Aos amigos, fica ainda o convite para acessar no dia 31 de dezembro a lista de leituras e filmes do Letras, publicada aqui. No mais, é já tempo de deixar o registro de novas forças para ano de 2017 e nossos agradecimentos - do mais fundo do coração - por estar conosco.  Desenho inédito de Leonardo Da Vinci (recorte). Mais detalhes sobre a descoberta ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 12/12 >>> Brasil: Um dos títulos mais esperados de sempre, a biografia de Lima Barreto deve sair em maio de 20...

O lobo da estepe e o convite ao enfrentamento de nossas múltiplas identidades

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Por Rafael Kafka A Larissa Oliveira O lobo da estepe é um daqueles romances experimentais que fazem até mesmo os leitores mais experientes e fãs de pesadas viagens literárias terem uma certa vertigem em diversos pontos de seu enredo. Isso porque uma obra de narrativa fluida, com ar similar ao de certos textos realistas, aos poucos assume uma atmosfera de sonho perturbador e de profunda viagem existencial rumo à descoberta de uma identidade que deve se achar na perdidão do mundo da modernidade tardia. Harry Haller, o narrador em primeira pessoa desse belo texto escrito por Hermann Hesse, é o típico burguês decadente o qual critica a classe da qual faz parte sem conseguir colocar em prática um projeto de vida que sirva de alternativa ao mundo de aparências de onde busca fugir. Até mesmo o seu eruditismo é uma criação do universo burguês renegado pelo protagonista, que em certos momentos do romance, em especial quando se depara com Pablo e o jazz e as novas formas de m...