Boletim Letras 360º #712

DO EDITOR

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Annie Carson. Foto: Golli. Reprodução a partir do The Guardian

 
LANÇAMENTOS

A guerra ficcionada pelo traço criativo e inventivo de e. e. Cummings. 

O leitor de uma obra ambientada em uma guerra já espera relatos dolorosos, caóticos e nauseantes. Neste livro, o estadunidense e. e. Cummings nos apresenta esse panorama. Porém, a notabilidade da obra está justamente em sua capacidade de inserir esses elementos em um fundo parodístico, conduzindo-nos a um “front” inesperado. Cummings, poeta e artista plástico, transforma em tecido literário-pictórico uma experiência autobiográfica. Por solidariedade ao amigo William Slater Brown e por uma boa dose de insolência diante dos inquéritos sofridos, acaba preso na França durante a Primeira Guerra Mundial. Desse confinamento nasce uma narrativa solipsista, em que a observação do mundo se confunde com a construção de uma linguagem própria, atravessada pelo inglês e pelo francês, por onomatopeias e jogos verbais, gerando uma polifonia do absurdo. Desfilam por essas páginas personagens que expõem o ridículo e a fragilidade de valores como o orgulho nacionalista, levados quase ao limite da caricatura. O resultado é uma espécie de “velório festivo”, em que o humor ácido é forma de revolta diante de um mundo entregue à sujeira, à vulgaridade e à desrazão.  Publicado em 1922, no mesmo ano que outros títulos consagrados, A cela enorme se junta a esse prolífico momento e antecipa procedimentos que marcariam o século XX, combinando nonsense, experimentação linguística e humor corrosivo. É nesse território híbrido, entre o relato verídico e a invenção, a amizade e o desprezo, o confinamento e a liberdade, que a habilidade e a experiência de Luci Collin como tradutora revelam-se em sua potência. Sua tradução nos conduz pelo universo de Cummings, preservando sua verve inventiva e colocando-nos o mais perto possível do campo de visão do autor, onde até mesmo a guerra pode se converter em matéria de riso, e o riso, em uma das formas mais radicais de resistência. Publicação da editora Iluminuras. Você pode comprar o livro aqui.

O último volume com a reunião do teatro completo de Eurípides com tradução de Jaa Torrano. 

É o sexto livro e nele encontramos as peças As Bacas, Ifigênia em Áulida e Reso. Na primeira delas, o conflito se instala quando o rei de Tebas, Penteu, se recusa a aceitar a divindade de Dioniso. Este dá ao rei e aos que o cercam várias oportunidades para o reconhecerem como um Deus, mas, após se deixar prender, acaba levando a cabo sua vingança-punição, a qual culmina, em cenas de força incomum, num final terrível para Penteu e sua família. O mesmo jogo de incompreensões e múltiplas perspectivas que move o enredo de As Bacas está presente em Ifigênia em Áulida, particularmente nos enfrentamentos entre Agamêmnon — dividido entre o dever de sacrificar a filha para, conforme a previsão do oráculo, conduzir seu exército contra Troia — e sua esposa Clitemnestra, impossibilitada de atinar com o real sentido de suas palavras.  Já em Reso, tragédia desde a Antiguidade atribuída a Eurípides, a ação se passa na planície que se estende das muralhas de Troia até o acampamento dos aqueus à beira-mar e retoma, de certo modo, um episódio célebre da Ilíada: a incursão que Odisseu e Diomedes fazem, como espiões, às tendas troianas, protegidos pelo manto da noite. Aqui também uma série de duplicidades e deslocamentos, com a intervenção de Atena, geram funestas consequências para Heitor e seu aliado, o rei trácio Reso. Além de um ensaio para cada peça e uma bibliografia geral da coleção, este volume conta com um glossário mitológico e índice remissivo para o teatro completo de Eurípides, por meio do qual o leitor pode localizar com precisão o verso exato em que determinado deus, mito, topônimo ou personagem é citado por Eurípides. Publicação da Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.

Originalmente escrito em 1971, o romance de Kezilahabi sobre as mudanças de atitudes culturais na Tanzânia tornou-se o mais controverso livro suaíli, de um dos escritores mais reverenciados no seu país.  

A adolescente Rosa vive com os pais e quatro irmãs mais novas em uma aldeia na ilha de Ukerewe, no Lago Vitória, onde frequenta a escola local e ajuda no trabalho da fazenda da família. A vida seria relativamente tranquila não fosse o pai de Rosa, que bebe até perder os sentidos e agride a esposa e as filhas. Inicialmente aliviada por ser admitida em um internato no continente, Rosa logo descobre que está despreparada para a vida fora de sua aldeia. À medida que se acostuma à atenção ― e às manipulações ― dos homens, ela começa a compreender sua sexualidade como uma arma. Mas essa compreensão, nascida da necessidade de sobreviver em um mundo de padrões duplos, tem um preço. Rosa Mistika é uma exploração narrativa radical da condição feminina, do amor materno, da agência e da autoridade. É considerado o primeiro romance em suaíli a abordar questões como violência doméstica, coerção sexual e aborto. Por meio da história de uma jovem mulher e de sua comunidade, o livro coloca uma pergunta duradoura: até que ponto somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e até que ponto somos moldados por forças fora de nosso controle? Proibido no momento de sua publicação e recentemente traduzido para o inglês pela primeira vez e agora para o português por Carolina Cândido. Com prefácio de Annmarie Drury, o livro sai pela editora Tusquets. Você pode comprar o livro aqui.

Pela primeira vez em português, a obra de Refaat Alareer, poeta, professor e intelectual palestino cuja voz se tornou um dos mais poderosos símbolos da resistência cultural e humana diante da devastação em Gaza.

Morto em um bombardeio israelense em dezembro de 2023, ao lado de parte de sua família, Alareer alcançou reconhecimento mundial quando o poema que dá título a este livro percorreu o mundo como um manifesto de esperança diante da violência. Esta edição apresenta esse texto marcante ao lado de poemas, ensaios e escritos inéditos que revelam a amplitude de seu pensamento e de sua sensibilidade.
Entre reflexões sobre literatura, ensino, política e vida cotidiana, Alareer narra a experiência concreta de existir em um território ocupado há mais de meio século. Das salas de aula onde ensinava Shakespeare às ruas de Gaza marcadas por sucessivos ataques militares, seus textos revelam a tragédia, a aflição e as perdas impostas à população palestina, sem jamais abandonar a defesa da dignidade, da solidariedade e da força transformadora da educação. Sua escrita combina lucidez crítica, lirismo e um profundo compromisso ético, fazendo da literatura um espaço de memória, resistência e esperança. Com prefácio de Breno Altman, uma das vozes mais ativas no Brasil na mobilização da opinião pública em torno da questão palestina, Se eu tiver de morrer é um testemunho indispensável para compreender um conflito cuja origem remonta a décadas de ocupação, deslocamentos e violência, que precedem, em muito, os acontecimentos de 7 de outubro de 2023. Com tradução de André Capilé, prefácio de Breno Altman e texto de introdução Yousef M. Aljamal, Se eu tiver de morrer sai pelas Edições Cosac. Você pode comprar o livro aqui.

O escritor Miguel Sanches Neto lança um olhar vívido, cru e ao mesmo tempo acolhedor, sobre as cores fortes da sua infância até seus 21 anos. 

Vinte e um capítulos tem Antes do ontem, que começa com a certeza de que um dia um romance seria escrito e termina com a primeira poesia publicada. Aos quatro anos, o menino nascido em Bela Vista do Paraíso conhece o primeiro grande ponto de inflexão de seu destino: a perda prematura do pai, em um acidente de caminhão. A família se muda para Peabiru, no interior do Paraná, onde sua mãe se casa pela segunda vez. O nome da cidade faz referência ao mais famoso caminho pré-colonial da América do Sul, que ligava os Oceanos Atlântico e Pacífico. Sem vislumbrar caminho que fosse, é naquela terra de meninos-homens, que conhecem o trabalho braçal cedo, que o inquieto menino-homem-Miguel começa sua própria jornada, que o levará a aldeias vizinhas, a terras distantes, a personagens e histórias que o encantarão, a personagens e histórias que criará. O Caminho de Peabiru é para viajantes destemidos feito ele. É pelas tramas do véu da memória que o autor revisita a magia dos filmes do Cine Vera, o seriado Os Waltons, a bicicleta cargueira, a moto, a vida rural, o trabalho no barracão da cerealista do padrasto, com quem tem uma relação marcante e particular, o ensino médio na escola agrícola, solução encontrada pela mãe para que pudesse continuar os estudos. A essa altura já havia topado com o segundo ponto de inflexão que moldará seu destino: a literatura. O terceiro, e o mais importante, chega entre a adolescência e a juventude: o amor. Publicação da Grua Livros. Você pode comprar o livro aqui.

Foi com este romance que Cynthia Rimsky recebeu o Prêmio Herralde de Romance 2024. 

Clara e confusa começa com um encontro tão banal quanto inexplicável. Um encanador a caminho de um serviço passa diante de um centro cultural e vê, através da vitrine, uma artista retirar um de seus próprios quadros da parede e realizar um gesto inesperado. A artista é Clara, e o fascínio provocado por aquela cena dá início a uma história de amor atravessada pela dúvida: como saber se alguém nos ama? E até onde é possível compreender o outro? Enquanto tenta decifrar o mistério de sua arte, o protagonista se vê às voltas com outro universo igualmente difícil de compreender: o sindicato dos encanadores, uma organização cheia de hierarquias, conspirações e práticas obscuras. Aos poucos, a dúvida que nasce no amor se espalha para tudo ao redor, como o trabalho, a arte, o acaso, as relações humanas e a própria possibilidade de atribuir sentido ao que acontece. Com seu humor oblíquo e uma imaginação que transforma os objetos e acontecimentos mais cotidianos em matéria de estranhamento, Cynthia Rimsky constrói uma novela ao mesmo tempo amorosa, filosófica e absurdamente divertida. Em Clara e confusa, amor e arte compartilham o mesmo enigma: talvez aquilo que mais nos mobiliza seja justamente o que resiste a ser explicado. Com tradução de Silvia Massimini Félix, o livro é publicado no Brasil pela Relicário Edições. Você pode comprar o livro aqui.

Ismar Tirelli Neto leva adiante uma poesia em que o cotidiano parece a todo instante prestes a sair dos trilhos. 

Cidades, casas, corpos, livros, relações amorosas, lembranças, doenças, objetos e conversas entram nos poemas para logo adquirir novas e inesperadas conexões. A linguagem avança por desvios, associações, cortes e mudanças de direção, num movimento em que humor e inquietação caminham juntos. Entre poemas breves, sequências, enumerações e textos que se aproximam da prosa, Tirelli Neto transforma referências literárias e culturais, cenas banais e resíduos da vida contemporânea em matéria de uma escrita que resiste à explicação imediata. O sentido se constrói e se desfaz diante do leitor, sem jamais desaparecer por completo: por trás das palavras, permanece a impressão persistente de que algo muito preciso está sendo dito. A passagem do tempo, a fragilidade do corpo, o amor, a memória, a vida nas cidades e a dificuldade de reconhecer o outro — e a si mesmo — atravessam o livro. Com inteligência verbal, humor autodepreciativo e uma imaginação capaz de aproximar o mais familiar do mais estranho, Me pergunto quem são confirma a singularidade de Ismar Tirelli Neto na poesia brasileira contemporânea. Publicação da editora 7Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Novo livro de Ana Guadalupe.

As cenas descritas nos poemas de Ana Guadalupe surgem como paisagens emolduradas pela janela do ônibus, embaçadas ou distorcidas pelo movimento, e servem para lembrar que a vida imaginada pouco ou nada tem a ver com a vida que se leva: “a única condição/ para que esta cidade exista/ é que você não insista”. A miopia, aqui, é ao mesmo tempo lente e metáfora. É por meio dela que a poeta descreve o que vê, entre confusões, estranhamentos e falsos cognatos, como se ser estrangeira fosse uma condição permanente. “se o olho é capaz/ de confundir o feixe/ de luz// imagine o que mais/ o corpo pode tramar/ contra nós”, escreve Ana, mostrando que em seus poemas a falha da visão ganha um sentido mais profundo. Com humor inquieto e mordaz, sua poesia explora neuroses, ansiedades, paranoias e angústias, mas trata também de paixão e desejo, com ar melancólico e por vezes insólito. Ensino à distância é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Os possíveis de um possível último dia na vida de um jovem. 

Adriano é bolsista numa das escolas mais prestigiadas da cidade. No seu suposto último dia de vida, transcorrem inúmeras coisas: um evento em seu colégio que pode mudar o futuro de todos aqueles que ele conhece, um inesperado florescer de amizade, a angústia característica que só uma mãe pode sentir pelo próprio filho, a mancha branca e sarnenta que não desiste de crescer em seu braço. Para Adriano, o que se enxerga em seu último dia é, como em todos os demais, a insignificância de existir que somente ele acredita perceber. Para nós, leitores, contudo, o que se vê em seu último dia é um retrato cru e arrebatador da vida. Ainda não, de Natália Zuccala, sai pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.

Publicado originalmente em 1941, romance de Carlos Luis Fallas tornou-se um marco da literatura costarriquenha e latino-americana, permanecendo como um retrato contundente das relações entre capital, trabalho e poder na América Central.

Em Mamita Yunai, Carlos Luis Fallas nos conduz ao coração da Costa Rica dos anos 1930, onde trabalhadores das plantações bananeiras enfrentam condições desumanas de trabalho, pobreza e exploração nas mãos de poderosas companhias estrangeiras. Por meio da trajetória de um trabalhador que percorre a região do litoral caribenho, o romance revela um universo marcado pela desigualdade social, pelo racismo e pela violência contra as populações indígenas e os trabalhadores migrantes. Com uma narrativa vigorosa, que combina experiência autobiográfica, denúncia social e literatura, Fallas dá voz àqueles que a história oficial relegou ao silêncio. Uma obra fundamental para compreender a história social latino-americana e a força da literatura como instrumento de memória e resistência. Com tradução de Gilson Charles dos Santos e ilustrações de Ivan di Simoni, o livro é publicado pela editora Pinard. Você pode comprar o livro aqui.

Borges argentino, Borges errante, Borges escritor.  

Conhecemos o Borges de Ficções, o escritor de cultura enciclopédica, cujo universo é feito de labirintos, bibliotecas e espelhos. Mas houve também o homem de olhar magnético, de cabelos negros como asas de corvo, que cresceu em Buenos Aires entre os relatos mitificados de seus antepassados e passava os dias fechado na biblioteca do pai, experimentando “deliciosos terrores”. Odile Felgine acompanha a trajetória de Jorge Luis Borges desde os subúrbios argentinos, descreve suas viagens pela Europa — a Genebra, à Espanha —, suas primeiras criações, seus encontros (com Victoria Ocampo ou Adolfo Bioy Casares), e sua nomeação para a direção da Biblioteca Nacional.  Ela revisita suas amizades, a presença constante da mãe, suas relações complicadas com as mulheres, suas posições políticas controversas, sua aversão ao peronismo e seu reconhecimento mundial tardio. Ao longo de toda a vida, seus livros (contos, poemas, ensaios...) transformam sua própria existência em mito. Jorge Luis Borges: o universo de Buenos Aires é publicado pela editora Amarilys.  Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES

Nova edição de romance em Oscar Nakasato revisita o tema dos irmãos na literatura. 

Neste drama familiar, dois irmãos idosos revolvem o passado para contar um acontecimento terrível que culminou no afastamento definitivo deles. Zé Paulo, o primogênito, é um homem conservador e pai de três filhos. Proprietário de uma pequena relojoaria em Maringá, sempre se dedicou com rigor às obrigações domésticas. Já Zé Eduardo, o caçula progressista, desde cedo fora errático, e, em meio a uma juventude vivida durante o regime militar brasileiro, encontrou propósito no movimento estudantil e na luta armada, mudando-se primeiro para São Paulo, depois para o Rio de Janeiro, e, por fim, exilando-se em Santiago e Paris. Ao retornar anos mais tarde para a cidade natal, reencontra a família em outra configuração, e as contradições são tensionadas ao limite até ele se ver obrigado a deixá-la novamente. Em capítulos alternados, narrados ora por um irmão, ora por outro, a história se complexifica, adensando nuances de enredo e estilo. Zé Paulo enxerga os ocorridos com retidão e os narra com uma linguagem coloquial. Zé Eduardo, por sua vez, deixa sua vaidade se refletir em tom solene. Assim, somos enredados num jogo de duplos que faz lembrar Caim e Abel; Esaú e Jacó, de Machado de Assis; e Yaqub e Omar, de Milton Hatoum. O tema remete também a uma longa tradição literária cujo cerne são as famílias, fazendo jus à clássica máxima de Tolstói: “todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. E se é verdade que a convivência familiar é uma das mais antigas matérias da literatura, também o é que Dois a atualiza com o espírito de nosso tempo. Com a delicadeza que lhe é característica, o escritor Oscar Nakasato faz desse tema difícil uma leitura enternecedora, mostrando uma vez mais a qualidade indubitável de sua obra. Dois é reeditado pela editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS 

Anne Carson no Brasil. A Editora 34, uma das primeiras casas a trazer a obra da escritora para este lado, planeja para 2027 a publicação de Wrong Norma. Depois do Prêmio Nobel de Literatura, é até agora, a única novidade nesse sentido.

Mais dois títulos na Coleção Clássicos 1. Pela Editora da Unesp. Sai Bubu de Montparnasse, de Charles-Louis Philippe com tradução de Adriano de Paula Rabelo. É um romance que narra a ruína de uma mulher levada à prostituição na Paris da Belle Époque.

Mais dois títulos na Coleção Clássicos 2. E Winesburg, Ohio, de Sherwood Anderson. Considerado marco no modernismo estadunidense, o livro reúne um conjunto de contos em torno de um repórter confidente dos anseios e fracassos nas pequenas cidades do interior do seu país. A tradução é de Bruno Gambarotto.

PRÊMIO LITERÁRIO

Anne Carson, Prêmio Nobel de Literatura 2026.

Destacado nome da literatura de língua inglesa, Anne Carson é de Toronto. A estreita relação da sua obra com a literatura grega clássica e helênica se estabelece em continuidade a um interesse constituído ainda na juventude e que se aperfeiçoa na formação em Estudos Clássicos. Sua obra transita entre a poesia e o ensaio. Marcadamente experimental, Carson se integra entre os escritores reconhecidos pela porosidade da escrita quanto às formas e pela maneira disruptiva como articula o clássico ao seu tempo. A breve justificativa do anúncio da Academia Sueca, aliás, sublinha isso: “Pela sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea.” Há alguns anos, as editoras brasileiras têm trabalhado na tradução e publicação da obra da escritora canadense no Brasil. São exemplos os livros O método Albertine, Autobiografia do vermelho: um romance em versos, Sobre aquilo em que eu mais penso, Vidro, ironia e deus, Falas curtas, Eros, o doce-amargo, A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos e Antigonick.

DICAS DE LEITURA

1. O cúmplice secreto, de Joseph Conrad (Trad. Celso M. Paciornik, Iluminuras, 128p.) Com a narrativa situada quase inteiramente nos confins de um navio, essa novela explora ao limite os temas psicológicos caros ao escritor a partir da intrusão de um estranho resgatado para uma tripulação pelo jovem capitão recém-empossado. Você pode comprar o livro aqui. 

2. O que sei de você, de Éric Chacour (Trad. Letícia Mei, DBA, 272p.) O romance secreto e conflituoso entre Tarek e Ali em meio um Egito instável marcado pelo levante do conservadorismo a partir da Guerra dos Seis Dias. Você pode comprar o livro aqui. 

3. Íntimo idioma, de Maria do Carmo Barreto (Cepe, 368p.) Livro reúne a poesia de quase cinco décadas de uma poeta cuja obra, para o crítico e prefaciador Lourival Holanda, “não grita, sussurra; e quando sonha, é olhando o mundo em torno”. Você pode comprar o livro aqui. 

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

“Na verdade, não sei o que é ser insuportável, mas acho que um dos efeitos que causo nas pessoas é o de deixar tudo em um ponto de tensão, onde elas ficam ao mesmo tempo encantadas pela pessoa ou pela escrita, e completamente aterrorizadas por uma revelação ou pela aceitação de uma revelação que está quase acontecendo, mas nunca chega a acontecer por completo.” A passagem é da entrevista de Anne Carson para Paris Review na edição n.171, de 2004. A revista liberou o acesso aqui.

BAÚ DE LETRAS

Em agosto de 2020, quando as primeiras obras da agora Prêmio Nobel de Literatura Anne Carson começavam a aparecer entre os leitores brasileiros, traduzimos este ensaio que comenta um pouco dos aspectos e procedimentos literários da sua obra. 

E por referir a Borges, com a chegada entre nós de mais uma biografia do escritor argentino, catamos da superfície do nosso baú este ensaio traduzido nesta semana e disponível no nosso arquivo à volta de “O Aleph”. Em 2025 passou-se oito décadas da primeira edição, saída na edição n.131 da revista Sur. 

Quando Dois, de Oscar Nakasato, foi publicado pela primeira vez, saiu aqui uma resenha do romance escrita por Pedro Fernandes. 

DUAS PALAVRINHAS
 
É preciso sair da ilha para ver a ilha

— Em O conto da ilha desconhecida, de José Saramago

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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.


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