Postagens

Boletim Letras 360º #261

Imagem
Amigos, que acompanham o divulgam o trabalho do Letras in.verso e re.verso, somos só agradecimentos; nossa página no Facebook alcançou esta semana os 70 mil amigos. Será que chegamos aos 100 no fim de 2018? Será? Ansiosos. Bom, a seguir estão as notícias que esta semana circularam por lá; vejamos. Tomas Tranströmer. Pela primeira vez obra do poeta Prêmio Nobel de Literatura ganha edição no Brasil. Segunda-feira, 12/02 >>> Estados Unidos: Um software de caçar plágios de estudantes encontra uma possível fonte para peças de William Shakespeare Os pesquisadores estadunidenses Denis McCarthy e June Schlueter publicam um estudo que aponta um manuscrito nunca publicado de finais do século XVI como fonte para Ricardo III , Henrique V , Macbeth  e outras oito peças de Shakespeare. Para chegar a estas conclusões utilizaram um programa muito popular entre pesquisadores universitários para buscar plágios: o software WCopufind. A fonte é A Brief Discours...

Anotações sobre O velho e o mar, de Ernest Hemingway

Imagem
Por Albert Lladó “O velho pensava sempre no mar como sendo la mar , que é como lhe chamam em espanhol quando verdadeiramente o querem bem ... o velho pescador pensava sempre no mar no feminino e como se fosse uma coisa que concedesse ou negasse grandes favores; mas se o mar praticasse selvagerias ou crueldades era só porque não podia evitá-lo”.  Quem fala é o narrador de O velho e o mar , a fábula de Ernest Hemingway em que os conceitos como sucesso e fracasso terão que se refazer ante a luta e a dignidade de seu protagonista, o pescador Santiago. Aparecido na revista Life , em 1953, este conto foi a última grande obra de ficção do escritor de Illions que nesse mesmo ano recebeu o Prêmio Pulitzer e um ano depois, o Prêmio Nobel de Literatura. A vida de Hemingway foi uma aventura constante e não é estranho que isso se reflita em sua obra. Com apenas dezenove anos participou, como membro da Cruz Vermelha, da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, como corresp...

Entre facas, algodão, de João Almino

Imagem
Por Pedro Fernandes O passado é uma ilusão que não volta mais. Tivéssemos esta certeza e não persistiríamos em remoê-lo com a melhor das intenções – a de encontrarmo-nos outra vez ante alguma felicidade que no presente não possuímos e por isso a imaginação e a memória, suspeitamente, fabulam o vivido com a mais envolvente das atmosferas. Tivesse esta certeza e o narrador das histórias de Entre  facas,   algodão  não empreenderia o projeto de sua obsessão: deixar Taguatinga, onde já criou raízes e voltar para a fazenda onde viveu sua infância. Ainda assim não podemos condená-lo por uma ideia gorada desde sua concepção. Não fosse a atitude cética do narrador e uma certeza de que a decisão projetada realmente possa significar outra possibilidade para sua vida este romance não existiria. A dúvida e a ação são não apenas condutoras da narrativa, são pedras de sua fundação. E, claro, não podemos acusar este narrador de apenas se deixar conduzir pelo fals...

Corpo elétrico, de Marcelo Caetano

Imagem
Por Pedro Fernandes Uma narrativa que a um só tempo trate do Brasil e seja universal. A lista de obras cinematográficas que conseguem esta façanha é um bocado extensa, embora possamos perceber pelos filmes capazes de chegar aos circuitos maiores que essa possibilidade se apresente toldada por uma influência castradora e problemática para a criação brasileira, a importação dos modelos vazios e bestiais do cinema folhetim estadunidense. Pelos elementos recorrentes na cena, Corpo elétrico assume ainda outra frente nas produções brasileiras, a dos filmes que abordam o universo operário, vertente marcada por títulos como Os libertários , documentário de Lauro Escorel ou Chapeleiros , de Adrian Cooper. Esses dois filmes, importantes para o contexto de sua produção e agora para a história do cinema no país, adquirem dois papéis fundamentais na filmografia sobre o trabalhador e o trabalho: aquele constrói um retrato acerca dos movimentos de defesa dos direitos trabalhistas e...

Uma biblioteca do Boom Latino-Americano: vinte e um romances essenciais

Imagem
Quando apareceu, o Boom já existia. E quando acabou, o Boom continuou a existir. Qualquer inventário sobre os melhores romances latino-americanos do século XX  não pode deixar de fora o famoso Boom . Veja: é mesmo possível numa lista deixar de fora nomes como Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Carlos Fuentes ou Julio Cortázar? Certamente não. Porque sem A cidade e os cachorros , Cem anos de solidão , A morte de Artemio Cruz ou O jogo da amarelinha não se pode explicar nem a literatura do século XX nem a seguinte neste continente. Se é impossível deixar de citar determinadas obras, também o é deixar de fora outras que naquela ocasião podem não ter, de imediato, passado à memória literária do movimento. Como o grandiosíssimo Jorge Ibargüengoitia e As mortas , sem o  qual não falaríamos sobre Carrère nem sobre isso que agora chama-se romance de não-ficção. E mais: se sempre se fala em Truman Capote, por que não nesta investigação também sobre um crime escrita pe...

Guimarães Rosa, observador literário

Imagem
Por Guilherme Mazzafera Em uma importante carta para seu tio Vicente Guimarães, datada de 11 maio de 1947, Guimarães Rosa traça um detalhado e combativo diagnóstico da literatura brasileira de então, identificando uma série de problemas graves – sobretudo de ordem técnica – e esboçando soluções possíveis que adquirem, no teor de sua escrita, a dimensão de um posicionamento estético-político. Em seu contexto específico, a carta responde às críticas do tio à recém-publicada “crônica-fantasia” de Rosa, “Histórias de fadas”, mas seu interesse se espraia na formulação de uma tese, considerada vital, sobre a literatura e cultura brasileiras. Elaborada por “dever de artista” e como resposta a um estado de coisas determinado, a carta alterna proposições teóricas e comprovações empíricas de sua eficácia a partir de uma seleção de excertos críticos sobre Sagarana . De modo muito diverso de outras manifestações do escritor sobre o próprio ofício, a linguagem da carta não as...