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Reler Liev Tolstói

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Por Luciano Lamberti Como resenhar um clássico, um livro que se lê com “prévio fervor” e que a história da literatura já julgou e aprovou há muitos anos? Apesar de Anna Kariênina ser um dos romances que reli mais vezes, seus contos e especialmente esta pequena novela intitulada A morte de Ivan Ilitch constituírem uma espécie de bíblia para mim, nunca havia lido A sonata a Kreutzer , talvez a novela mais copiada de Tolstói, também a mais moderna, a que deixou uma marca mais profunda. E lamento não ter lido antes, porque me deu muito prazer, me parece terrivelmente atual e é bastante próxima à perfeição. Tolstói não se preocupava, em geral, com a forma dos textos. Não lhe era sua primeira necessidade. O experimental, pelo menos em sua superfície, não é de sua predileção. É um narrador poderoso o suficiente para fingir certa inocência, certa crueldade das coisas (embora é evidente que o seu narrador, como se disse reiteradas vezes, é aparentemente sensível). Seu narrad...

Por que Calvin e Haroldo é grande literatura: sobre a ontologia de um tigre de pelúcia ou encontrando o mundo todo em um quadrinho

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Por Gabrielle Bellot “Para um editor”, escreveu Bill Watterson, o criador de Calvin e Haroldo em 2001, “espaço pode ser dinheiro, mas, para um cartunista, espaço é tempo. O espaço provê o andamento e o ritmo da tira”. Watterson estava certo, talvez em mais formas do que imaginava. Tirinhas de jornal, escreveu, fornecem um espaço único para muitos leitores antes de começarem o dia; conseguimos atravessar, brevemente, uma porta que nos leva a um mundo mais calmo, simples, no qual os personagens permanecem largamente os mesmos, inclusive em seu vestuário. Nem todas as tirinhas de jornal são assim, é claro, em especial os quadrinhos narrativos mais complexos do passado como Little Nemo in Slumberland ou Terry and the Pirates , e os piores quadrinhos – dos quais há muitos – retêm o senso de mesmice sendo formulaicos e sem inspiração. Mas isso, também, está relacionado ao espaço. Espaço, em termos gerais, é o que define Calvin e Haroldo . A tira acompanha Calvin, um amer...

Engagement, de Theodor W. Adorno*

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Por Irina Migliari Theodor W. Adorno, autorretrato, 1963. Foto: Stefan Moses. No final de 1945, com o encerramento da Segunda Guerra Mundial, a forma de pensar as artes, portanto, a literatura, mudou. Mais precisamente, a literatura pós-Auschwitz passa a ser pensada de outra maneira. Essas ideias começam a ser articuladas desde o século XVIII com os pensadores da Escola de Frankfurt que iniciam esse “movimento” questionando como pensar a poesia lírica em tempos catastróficos ¹  e de barbárie. Influenciados pela teoria da poesia de Hegel (1770-1831), segundo a qual a lírica constitui-se como expressão subjetiva e individual, os pensadores do idealismo alemão foram responsáveis por articular um novo pensamento das teorias utilizadas para os estudos da arte, em especial, a Teoria da Literatura. Com a ascensão dos regimes autoritários no século XX, tais como o nazismo de Hitler, responsável por políticas de extermínio que resultaram em Auschwitz, dentre outras formas de...

O filho que vingou: ou a relativização da necessidade em “Pai contra mãe”, de Machado de Assis

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Por Joaquim Serra © Marcos Bontempo A chamada segunda fase da obra de Machado de Assis (1839-1908) é marcada por seu estilo irônico. O conto “Pai contra mãe”, de 1906, publicado nas Relíquias da casa velha , dois anos antes da morte do autor, pertence a essa fase da sua obra. O autor de Quincas Borba (1891) aproveitou-se tanto de temas e estilos do romantismo e do naturalismo, como também não se deixou encaixar em nenhum desses métodos – ou escolas –, de representação. Criou até um defunto autor para tratar de temas materialistas, de cunho histórico, da vida da classe alta do Brasil escravocrata do século XIX. Em “Pai contra mãe”, Machado de Assis usa de um procedimento que entrelaça comentário e ação, e impacta diretamente a relação de distância na narrativa, o que Theodor Adorno chamou em “Posição do narrador no romance contemporâneo” de: distância estética (seu exemplo mais extremo é a narrativa kafkiana em que essa distância praticamente inexiste). No con...

Boletim Letras 360º #324

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Como temos feito desde a primeira semana de abril, semana a semana apresentamos dois novos colunistas que a partir de 2019 passam a integrar o blog Letras in.verso e re.verso. Ainda guardamos estreias. E nesta semana chegou-nos Marina Rufo Spada. Aguardemos novidades – que sempre virão. E, aproveitando a ocasião dos recadinhos lembramos soube outras duas coisinhas: até o dia 11 de maio recebemos inscrições no nosso Instagram para a promoção que sorteia o segundo exemplar da nova edição de Grande sertão: veredas (João Guimarães Rosa / Companhia das Letras); queremos logo chegar a 74K amigos em nossa página no Facebook – isso para realizarmos outro sorteio – por isso, até o dia 11 de maio o leitor pode participar de uma enquete que abrimos por lá interessada em saber sua opinião sobre o conteúdo que vinculamos naquele espaço. Os participantes nesta enquete interessados podem concorrer a um sorteio com livro-surpresa. Estamos carentes; queremos interação. Bom, recados apresentados de...