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Anna Akhmátova. Como congelar no inferno

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Por Antonio Lucas Anna Akhmátova foi uma dama altamente intoxicada de poesia e com uma fabulosa propensão para transitar pelas sendas consideradas proibidas de qualquer ditadura. Amou precocemente, escreveu furiosamente, levantou sua voz com todo desalento e morreu com gana de morrer depois de se hospedar em vários infernos. O comunismo teve entre suas sinistras apostas a de apagar a cultura por indomável, dissidente, suspeitosa. Akhmátova formou parte da melhor geração de poetas russos do século XX. Daquela tribo não restou de pé um só – Mandelstam, Marina Tsvietáieva, Essenin, Maiákovski... Nenhum. Um e outro foram caindo enquanto o stalinismo crescia como uma fatídica corte dos milagres. Anna Akhmátova nasceu em Odessa antes da União Soviética comover o mundo. Era 1889. No registro batizaram-na como Anna Andréievna Gorenko, filha uma distinta família de origem tártara. Pai engenheiro (Andrei) e mãe delicada (Inna). Um casamento que voou pelos ares e...

Boletim Letras 360º #331

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Esta a edição, para quem ainda não conhece ou chega pela primeira vez ao blog, reúne todas as informações copiadas em nossa página no Facebook de segunda à sexta-feira. O Boletim Letras 360º foi criado desde quando os algoritmos daquela rede social passaram a limitar progressivamente o acesso dos amigos / seguidores. Desde o início deste ano, fizemos alterações no conteúdo e passamos a oferecer, além da reunião desse material circunscrito no arco de interesses editoriais deste blog, outros trabalhos, como uma pequena lista com recomendação de leituras e dicas de materiais externos e internos ao Letras. Boas leituras! Willa Cather. Obra resgata escritora no Brasil e assinala a entrada no mercado editoral de nova editora. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 17 de junho Escrito há 50 anos, marco na literatura de fantasia e ficção científica ganha edição comemorativa. Enviado em uma missão intergaláctica, Genly Ai, um humano, tem como missão persuadir...

Somos nada mais do que violência

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Por Rafael Kafka Os defensores do Estado policial não gostam muito de discutir com profundidade o tema da violência urbana, mal social terrível que aflige a existência do povo brasileiro de diversas maneiras. Para essas pessoas, a repressão e somente ela é capaz de resolver todos os problemas que levam ao cometimento em massa de crimes nas mais diversas paisagens do país. Isso em níveis macro ou micro. Há uma semana na escola onde dou aulas um professor foi atacado a golpes de faca por um aluno enquanto ministrava aula de língua portuguesa. Desde então, alguns professores, eu incluído, tentamos realizar ações de conscientização da necessidade de se discutir políticas públicas efetivas de combate à violência por meio de uma educação valorizada e humana, bem como com a presença de profissionais da saúde emocional e mental dentro dos ambientes escolares. Nossos discursos e práticas tiveram de enfrentar a presença de membros do poder executivo local que usavam enunciados ...

Memórias do sobrinho de meu tio, de Joaquim Manuel de Macedo

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Por Pedro Fernandes É muito possível que Joaquim Manuel de Macedo figure entre os escritores brasileiros que padecem no limbo da memória literária de seu país e quando lembrado pertença apenas à lista dos autores de um livro só, embora essas duas condições sejam um duplo golpe contra um criador autêntico e polivalente, que tomou muito a sério a condição do gênio, esmerando-se pelo trabalho de construir uma obra singular e significativa para um país que ainda engatinhava na formação de um sistema literário. As razões que levam à primeira visão são oferecidas dado ao silêncio em torno de sua obra e a escassez de sua presença, muito provavelmente restrita a alguns dos poucos cursos de Letras, entre os leitores brasileiros; e, a segunda constatação, que se justapõe à anterior, se determina pela reiteração de A moreninha como sua Magnum Opus , eleição tão controversa como injusta porque tem ofuscado os poucos olhares para um universo criativo amplo e diverso. Mas, qual a ...