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Boletim Letras 360º #386

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DO EDITOR 1. Caros leitores, abaixo estão as notícias divulgadas durante a semana na página no Facebook (ou não) e a atualização das demais seções deste Boletim com as recomendações de leitura, assuntos de arredores do campo de interesse do blog e a sugestão de visita a algumas das publicações apresentadas aqui. Obrigado a todos pela companhia ― sigamos juntos. Boas leituras! Alexandre O'Neill. Foto: Nuno Calvet. Obra do poeta português é publicada pela primeira vez no Brasil.  LANÇAMENTOS Nova edição e tradução de um clássico de Robert Louis Stevenson . Nas sombrias ruas de Londres, um criminoso sem escrúpulos espreita. Seu nome é Sr. Hyde, e sua conexão íntima e injustificada com um respeitável médico da vizinhança, o Dr. Jekyll, é motivo de suspeita. Publicado pela primeira vez em 1886 com o título Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde , esta novela é um clássico do autor escocês Robert Louis Stevenson. Seus personagens se tornaram célebres e influ...

O mito inesgotável de “O Grande Gatsby”

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Por Greil Marcus O Grande Gatsby , de Baz Luhrmann (2013).  Um artigo interessante foi publicado no The New York Times há alguns anos: uma matéria em sua primeira página, em 23 de abril de 2013, com a manchete: “Julgar Gatsby pela(s) capa(s)”. Na ocasião da adaptação cinematográfica de O Grande Gatsby , a cargo do diretor australiano Baz Luhrmann, que seria lançada duas semanas depois, foram publicadas duas novas edições de bolso do romance que F. Scott Fitzgerald escreveu em 1925. A primeira era uma versão explicitamente relacionada ao filme, uma moldura art déco dos anos 20 com um recorte, por dentro, de Leonardo DiCaprio interpretando Jay Gatsby; com Carey Mulligan, no papel de Daisy Buchanan, localizada abaixo dele, e ambos cercados por pequenas imagens de Tobey Maguire como Nick Carraway, Elizabeth Debicki como Jordan Baker, Isla Fisher como Myrtle Wilson e Joel Edgerton como Tom Buchanan. A outra era a versão não explicitamente vinculada ao filme: uma edi...

De amor e trevas, de Amós Oz

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Por Pedro Fernandes Amós Oz. Foto: Leonardo Cendamo. “Aqui está você ― aqui é o centro do mundo”. A lição aprendida por Amós Oz a partir da leitura dos contos de Sherwood Anderson explicitada no desenvolvimento final deste longo itinerário memorialístico que percorre da infância ao nascimento do escritor é uma das chaves de acesso sobre De amor e trevas e este livro uma espécie de farol que ilumina todo o restante de sua vasta produção literária. A expressão assim deslocada de seu contexto pode favorecer ao leitor compreender à luz de certo narcisismo que se imiscui na gênese e por entre um texto autobiográfico. Isso porque se colocar como centro do mundo é, por si só, uma atitude egotista e marcada por um certo pretenciosismo. Mas, nada disso é o que se imprime neste livro e o sentido da expressão relaciona-se com outro gesto, este sim, fundamental a todo escritor porque integra seu longo itinerário de aprendizagem: o mundo sobre o qual escreve é o seu próprio mundo...

Erich Maria Remarque, um escritor superado por sua primeira obra de sucesso

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Não existem muitas obras cujos títulos tenham transcendido o nome do autor a tal ponto que, na medida em que o título se tornaria quase em lugar-comum, o nome do autor se apagava. Este é o caso de Nada de novo no front , o título do romance de maior sucesso de Erich Maria Remarque, escritor nascido em 22 de junho de 1898, em Osnabrück, na Alemanha; Remarque morreu aos 72 anos de idade em uma casa de frente ao lago Maggiore, na Suíça. O título (que em algumas traduções perdeu seu tom lacônico) se tornaria uma frase feita, um artefato irônico, útil para se referir à vida em geral e para ser usado entre colegas de trabalho durante um troca de turnos. Mas as imagens difundidas com seus muitos exemplares (10 milhões por volta de 1970), em 48 idiomas, também são uma herança pública. Certamente, se alguém imaginar a Primeira Guerra Mundial como uma luta sórdida de trincheiras, na qual milhares de soldados se arrastavam entre a lama e o sangue, e se alguém identificar essa guer...

A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin

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Por Joaquim Serra A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin é uma sátira escrita por um dissidente soviético. Só essa afirmação já deveria aguçar a curiosidade do leitor atento às vicissitudes russas já que, como se sabe, os seus mais célebres escritores nunca agradaram de fato a censura ou os críticos da época. Estes, enquanto brigavam em um cabo de força para construir a identidade de um povo, cabia ao escritor russo penetrar nas camadas altas do pensamento filosófico transformado em uma narrativa quase sem ação ou ir até o mais baixo dos porões, na mais afastada das aldeias para ver como se comportam os de carne e osso que vagueiam sobre um mundo desconhecido. Mês passado comentei brevemente algumas peças de Gógol. O projeto estético de Vladimir Voinóvitch, em A vida e as extraordinárias aventuras do soldado Ivan Tchônkin , recupera boa parte da tradição gogoliana. Também tem fortes ligações com outras narrativas de guerra como As aventuras do ...