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O caminho de Mônica também é nosso. Uma leitura do livro Mônica vai jantar, de Davi Boaventura

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Por Tiago D. Oliveira Perceber quando os sinais mais sensíveis começam a indicar uma mudança. Julgar. Romantizar. Amuar. Como pensar o lugar do outro sem automaticamente equalizar o nosso em um plano racional? Passionalidade: julgar, romantizar, amuar. As consequências do outro em nós. Aprisionar. Espraiar o indigesto individual em um mundo de valores cadentes que não assiste, apenas oprime e dobra a produção de modelos violentos, alienados e cegos dentro de um sol que quer a todos, como um grande emoji negando o tempo enquanto devora tudo neste mesmo labirinto que se tornou a vida no país em que vivemos. Julgar. Romantizar. Amuar. O ciclo agarra-se em nossos dias como mecanismo natural de defesa e seguimos repetindo padrões que muitas vezes não percebemos como o algoz. O outro: julgar, romantizar, amuar. De quando em quando o verdadeiro algoz de nós é um nós singular que criamos enquanto fechamos os olhos no gozo calmo das horas passando. A literatura possibilita a representação veros...

Paul Celan: poeta e personagem de ficção

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Por José Aníbal Campos Paul Celan. Foto: Michael Wolgensinger   Não é incomum que um escritor famoso se torne personagem de um romance. Mas o fato de se tornar parte de uma obra de ficção quando ainda é um desconhecido do grande público e um punhado de seus poemas circulam apenas entre um pequeno grupo de amigos e pequenos editores, é um indício do fascínio que, independentemente de sua obra, emana de sua personalidade.   Este é o caso de Paul Celan, considerado por alguns o poeta de língua alemã mais influente do século XX. Sobre essa personalidade cativante, especialmente em seus primeiros anos como poeta na Romênia, o crítico literário romeno Ovid nos deu um primeiro testemunho. Crohmălniceanu, conta que Celan fez sua aparição na cena literária de Bucareste como um beau ténébreux . Uma figura luminosa e sombria, que incita a paixão e, por vezes, mergulha em abismos aterradores, que seduz e ao mesmo tempo assusta.   Com Celan, há um caso singular: sua obra e sua figura ...

Leonardo Sciascia queria saber a verdade

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  Por Rafael Gamucio   Leonardo Sciascia. Foto: Angelo Pitroni O tempo se confunde nas ilhas. As civilizações chegam por meio de naufrágios, as mudanças no ritmo das ondas. Assim, na Sicília o século XX teve seu maior expoente bem entrado no século XVIII. A ética e, portanto, a estética de Sciascia ― autor de nada menos que uma versão siciliana do Candido de Voltaire ― é a do século das luzes. Sua paixão por Stendhal, ao qual devotou uma infinidade de artigos e um livro inteiro de ensaios, origina-se de sua ancoragem comum naquele mundo mais feliz e menos temeroso, o de Diderot, Voltaire e Sterne. Um mundo em que o leitor era cúmplice e em que o humor era uma arma de combate. Um mundo que acreditou justamente na possibilidade de se compreender. A psicologia e a melancolia nunca interessaram muito a Sciascia, autor de romances cada vez mais breves, mas cada vez mais complexos. O que importava para Sciascia era a clareza, a geometria da trama e como esta poderia de alguma for...

Boletim Letras 360º #405

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    DO EDITOR   1. Saudações, caro leitor! Publica-se outra edição desta post semanal organizada para reunir as notícias que circulam durante a semana em nossa página no Facebook, para oferecer uma série de outras dicas como companhia para o fim de semana ou para projetos futuros. Obrigado pela companhia! Thomas Mann. Editora publica coletânea com melhores contos do escritor.   LANÇAMENTOS   Nova edição e tradução de  Os sofrimentos do jovem Werther Após se mudar para um encantador vilarejo no interior da Alemanha, o jovem Werther passa a escrever para seu amigo Wilhelm sobre os encantos do local ― a natureza, os jardins, os aldeões e a paixão por Charlotte, um amor proibido que mudará os humores e o destino dele. O desenvolvimento cada vez mais sombrio e o triste fim da história de Werther comovem leitores desde sua publicação original, em 1774. Goethe, um dos maiores nomes da literatura mundial, criou nesse romance uma das obras mais importantes da l...

Miguel Ángel Asturias: o homem e a obra

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  Por Giuseppe Bellini Miguel Ángel Asturias. Foto: Jean Marquis   Poucos meses após a morte de Pablo Neruda, outro gigante das letras hispano-americanas morreu em Madri em 9 de junho de 1974: Miguel Ángel Asturias, Prêmio Nobel de 1967. Com ele desapareceu um dos maiores narradores da língua espanhola, talvez o maior do século XIX, e um homem que ao longo da vida deu o exemplo de uma resistência que nunca cedeu à ditadura ou à bajulação do dinheiro e do poder.   Ele nasceu em 19 de outubro de 1899 na Cidade da Guatemala; os seus pais ― ele advogado e ela professora ― demitidos pelo ditador Estrada Cabrera, a quem se opunham implacavelmente, tiveram de se refugiar numa pequena cidade do interior onde se dedicaram ao pequeno comércio para sobreviver. No contato com o mundo rural e com a dura vida dos camponeses, Miguel Ángel Astúrias escolheu o seu caminho, que será sempre o de defender os fracos e se colocar em oposição aos tiranos. Quando volta à capital para iniciar os ...