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Cinco obras fundamentais ao leitor de Gustave Flaubert

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Gustave Flaubert. Ilustração: David Hocney (1937, detalhe). Quando se fala o nome de Gustave Flaubert (1821-1880), logo o leitor recorda por associação um título: Madame Bovary . Isso não é gratuito. O romance projetou o nome do escritor francês para aquela ordem que designamos como de domínio do clássico. Sim, ao contrário do que possa parecer, nos dias de vocabulário gasto, porque utilizado de qualquer maneira, uma obra merece essa designação quando consegue sempre se recuperar de maneira livre pela memória popular e, mais que isso, ser relevante muitos anos depois de sua publicação. Apresentado em 1856, parece oportuno sublinhar o valor do tempo nesse caso e para uma obra capaz de suscitar questões ainda fundamentais aos leitores.   Se Madame Bovary pode ser um bom exemplo na retomada sobre o sentido fundamental do termo clássico , Flaubert se filia, por sua vez, a um lugar no cânone — para citar outro termo que os partidários dos revisionismos insistem por fina força dizer que...

Ferenc Móra

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Nascido em Kiskunfélegyháza em 19 de julho de 1879, segundo filho de um alfaiate e uma padeira, Ferenc Móra cresce e vai para a escola sob as mais extremas dificuldades financeiras dada a pobreza da família. É o seu irmão István, 15 anos mais velho que ele, escritor e professor, quem o incentiva a se matricular na Universidade de Budapeste, onde se formará em geografia e ciências naturais. Só lecionará por um ano como professor assistente e é mandado embora do instituto onde trabalhava por ter incluído no programa de estudos de ciências as novas teorias de Darwin.   Em 1902 foi convidado por Zsigmond Kulinyi, diretor do independente Szegedi Napló (Diário de Szeged) e se torna colaborador na redação do jornal até se tornar uma década mais tarde editor-chefe. Sua relação com este diário se manterá até sua morte e foi um dos poucos da Europa que não se vendeu para as propagandas de guerra. A vivência neste período, leva-o a se estabelecer em Szeged, onde se casou com Ilona Walleshaus...

Boletim Letras 360º #443

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DO EDITOR   1. Caro leitor, como forma de oferecer alguma retribuição pela ajuda com nossa campanha para cobrir as despesas com o domínio e a hospedagem do  Letras  na  web , faremos um sorteio entre os contribuintes.   2. Quem já colaborou está na lista; e quem colaborar a partir deste sábado pode, se quiser, se inscrever para sorteio. É muito simples: basta enviar e-mail a blogletras@yahoo.com.br informando e-mail o nome completo.   3. Podem participar os que adquirirem um dos livros no bazar ou com doações avulsas via PIX e com qualquer valor — há informações  aqui no Facebook   e   aqui no  Instagram . 4. E reitero, a todos que de alguma maneira ajudaram até agora, receba os agradecimentos. Obrigado pela companhia! Louis-Ferdinand Céline. Foto: François Pages.   LANÇAMENTOS Chega ao leitor brasileiro o sexto livro de Paul Celan .   Sexto livro de Paul Celan, e o penúltimo que publicou em vida, Ar-reverso  (Atemwende, 1...

J.P. Cuenca e Vladimir Safatle no inferno: o querer da literatura e da filosofia hoje?

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Por João Arthur Macieira João Paulo Cuenca em frame do filme A morte de J. P. Cuenca . Reprodução. Escrever sobre escrever. Escrever sobre escritores, diretores de cinema ou teatro, sobre estudantes de pós-graduação, professores de pós-graduação. Aspirantes a escritores, amantes de escritores. Autobiografias de escritores. Quem lê pode ter a impressão de que há um universo muito restrito de lugares onde a narração pode ir. A experiência mediada pela realidade dos literatos quer se sobrepor à realidade, como se não fosse dela que a própria escrita emergisse. Certamente, não é para isso que queremos a literatura. Tende-se a crer que a literatura oferece esse tal acesso formidável à realidade, às suas dimensões mais profundas, mais verdadeiras do que é para o não-leitor. Ler educa os corpos e ensina-os a obediência à mente. Essa tese ganha força justamente com o realismo moderno do século XIX. Um exemplo maior seria o de Balzac e a descoberta das estruturas sociais através do texto literá...

O poeta inquieto

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Por Pedro Fernandes Ferreira Gullar. Foto: Guillermo Giansanti.   No texto utilizado como posfácio para a edição de Toda poesia (Companhia das Letras, 2021), “A fala ao revés da fala”, o também poeta Antonio Cicero passa em revista o projeto literário de Ferreira Gullar, livro a livro, apontando as peculiaridades de cada uma dessas obras e o papel que desempenham na formação de uma poética das mais interessantes na literatura brasileira do século XX. Nesse itinerário, uma característica, especificamente, chama atenção e esta é derivada da própria fala do autor de A luta corporal , de algumas passagens situadas em momentos diversos da sua carreira: como a cada novo trabalho, à medida que reiterava expressões criativas em vigor se mostrava o poeta em tentativa de desfiliação, abrindo-se a outros interesses, ao ponto de, muitas vezes, significar a obra presente uma negativa da obra anterior.   Esse movimento de afirmação e negação morreu com Ferreira Gullar. Seu último livro de ...

O Decálogo. A grande série de televisão escondida nos anos oitenta

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  Por Julio Tovar   O Decálogo é a única obra-prima que posso citar durante toda a minha vida. — Stanley Kubrick, citado em MARZIERSKA, E.; GODDARD, M. Polish Cinema in a Transnational Context . Nova York: Rochester Press, 2014, p.67. Pôster oficial de O Decálogo .   Uma criança que prevê o seu destino num cão tomado pelo frio, uma violinista grávida que arranca uma planta arrancando uma vida que se recusa a morrer, cartões de Natal como uma recordação arborescente da festa que não se é lembrada... Imagens enigmáticas, de um cineclube, impossíveis de assistir na hora do rush em qualquer estação europeia e que atingiu milhões de telespectadores na televisão polonesa. Dez capítulos construídos através do silêncio, do ritmo lento e que poderiam ser o pesadelo de qualquer programador de televisão hoje. Estranho oxímoro, televisão artística e ensaística, que só poderia ter sido possível num país fora do grande capitalismo ocidental. Falamos, é claro, dos últimos anos da Pol...