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Mostrando postagens com o rótulo Aleksandr Púchkin

Um novo cavaleiro de bronze

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Por Rafael Bonavina  Orest Kiprensky,  Retrato de A. Púchkin , 1827. Foi lançada neste ano O cavaleiro de bronze e outros contos em versos , uma nova seleta de textos de Aleksandr Púchkin, sem dúvida um dos, se não o, mais importantes escritores na história da literatura russa; e ainda assim, como por uma ironia do destino, ele é pouco lido fora da Rússia. Púchkin é para os russos algo como o nosso Machado de Assis, ou seja, uma espécie de ponto de virada na historiografia literária, de salto qualitativo. Não raro encontramos pesquisadores defendendo que a literatura russa só afirma sua identidade nacional a partir de Púchkin; e isso, a nosso ver, não seria um exagero de fã. Afinal, sua obra mescla o classicismo — que pautava grande parte da literatura — com diversos elementos da cultura popular, como a fala e o folclore. A partir daí, é como se a língua russa real começasse a ganhar mais presença no papel, tomando espaço do estilo grandiloquente e já desgastado que se usava n...

Púchkin: A filha do capitão e Evguiêni Oniéguin — formação e cisão

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Por Joaquim Serra Púchkin. Pintura: Vasily Tropinin   A filha do capitão é um ótimo exemplo do encontro profícuo entre literatura e história. Boris Schnaiderman, em Os escombros e o mito , escreveu que não se trata da sujeição de uma à outra, mas de reconhecer a importância do limite entre elas. O ponto alto desse encontro, segundo o crítico, é Dostoiévski em Escritos da casa morta , romance em que o autor se baseia em sua experiência carcerária na Sibéria. Continuando essa tradição do romance de cárcere, no período soviético, Soljenítsin revelou “a ponta do iceberg” — segundo o crítico — da vida no Gulag, enquanto Chalámov foi além, ao repensar os limites dos gêneros literários para descrever eventos históricos. A seguir, vamos tratar de aspectos mais formais das duas obras de Púchkin, já que ambas as traduções estão muito bem ancoradas por paratextos contextuais.   A revolta de Pugatchóv havia sido objeto de estudo de Púchkin. Na tentativa de se tornar o novo tsar, Emilian ...

Tradução de “Uma cena de Fausto”, de Aleksandr Púchkin

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Por Joaquim Serra   Nesta cena de Fausto , temos um exemplo do empréstimo que Aleksandr Púchkin faz da literatura mundial. O pacto selado entre Fausto e Mefisto, para o escritor russo, adquire traços do tédio que faria um longo caminho pela literatura do século XIX. E Púchkin, que não leu a segunda parte da tragédia de Goethe, já identifica no assunto fáustico a destruição que vai tomar lugar principalmente em Fausto II .     Aquele fomentador, criador visionário, que ironicamente vislumbra o mundo da igualdade quando está cego, aqui está preocupado com a monotonia dos dias, ganhando aspectos da própria aristocracia ao redor de Púchkin. O leitor de Púchkin sente falta nesta Cena daquele narrador intruso, que remexe na vida e na alma de suas personagens em Eugênio Onêguin . Esse componente essencial que enforma o modo próprio do autor em narrar a vida russa, dá lugar aqui ao diálogo por vezes cínico entre Fausto e Mefisto.   Para esta tradução, optamos por uma versão...