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Poeta total

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Por Eduardo Milán Augusto de Campos. Foto: Fernando Lazslo   1. Questão de justiça   A história da poesia latino-americana é também a história da supremacia da língua espanhola sobre a língua portuguesa. Supremacia como isolamento, isolamento como marginalização. Consciente de sua singularidade à força, de sua alteridade caída do céu imperial, a cultura brasileira assumiu sua deriva periférica, seu impureza numa pureza suspeitosamente impura e igualmente mestiça que se encontrava deixada de lado.   Ensimesmada como um caracol consciente de sua alteridade caracol começou a trabalhar seu próprio ruído de mar. Resultado: no século XX, dois dos maiores momentos da cultura latino-americana ― a Semana de Arte Moderna de 1922 e a fundação do movimento da Poesia Concreta em 1956. O primeiro esplendor foi produzido por artistas como Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Patrícia Galvão “Pagu”, Carlos Drummond de Andrade, entre os mais important...

Um poeta de grande futuro

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Por Gonzalo Aguiar Chegou o século XXI e algo foi se fazendo evidente no mundo da poesia: Augusto de Campos não é apenas um dos poetas mais significativos do século que passou mas continua sendo, na atualidade, um dos mais instigantes e estimulantes inventores da cena contemporânea. Frequentemente o apresentam como “o poeta concreto” mas na verdade em sua trajetória de mais de sessenta anos (seu primeiro livro, O rei menos o reino é de 1951), o concretismo – movimento de vanguarda que começou na arte brasileira na década de cinquenta – só abarca cinco anos. É como dizer “o pintor cubista Picasso” ou “o crítico estruturalista Roland Barthes”: só uma parte de sua obra pertence estritamente ao concretismo. É bem verdade que Augusto de Campos seguiu sempre fiel à poesia visual (uma poesia próxima ao concretismo já que trabalha com o espaço, as tipografias e a disposição das palavras), sua poesia tem uma potência sonora única, a ponto de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes e Adr...