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Cemitério dos sonhos

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Por Renildo Rene   Paulina Chiziane. Foto: Nuno Ferreira Santos Há de se esperar que a arte do romance africano, desenvolvida vertiginosamente durante a segunda metade do século XXI, toque em alguns pontos-chaves do colonialismo. Se tratando de Moçambique, o país é outro que sofreu dos agouros dessa experiência e dos desastres marcados do avanço da guerra civil. Começamos a entender, pois, toda a complexidade e ambivalência residentes nas relações desse passado sendo abraçados por narrativas mais elásticas na sua escrita (com uma forma linguística apegada às tradições), e um modo de afirmação nacional obstinado a depurar todo trauma e destruição causados naquela terra. Não tomemos isso como regra de identificação, mas talvez seja um ponto de interseção muito interessante para se aventurar nessa literatura.   Ora, sabemos que tanto a escrita como a leitura de livros — elemento indispensável na formação de bons escritores — se estabeleceu em muitos desses países sempre por media...

Paulina Chiziane

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Paulina Chiziane. Foto: Douglas Freitas. A chegada da obra de Paulina Chiziane por uma importante casa editorial no Brasil reafirma o destaque da sua obra fora de seu país e, ao mesmo tempo, nos oferece uma possibilidade de ampliar o reconhecimento sobre as literaturas produzidas em África, este vasto território de rica variedade cultural sempre silenciado ou colocado à margem pelas expressões ocidentais.   Sabe-se que a escritora pertence à terceira linha na recente historiografia literária de seu país, Moçambique. Isso significa que a memória cultural, a formação da identidade e os horrores do passado colonial estão recorrentes na sua literatura. Esse envolvimento ressalta a proximidade que a literatura sempre mantém com o social, naquilo que em “Literatura e Sociedade” Antonio Candido designa como dialética da criação. Não se pressupõe, é claro, numa representação no sentido de reflexo ou transposição imediata da história, por exemplo, mas esta enquanto contexto participa ativam...