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Boca suja (fragmento)

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Zachary Johnson (detalhe). in verso, poesis, in poesia, [re] verso i'm f r a g m e n t a d o espartilhado violentado por maiúsculas superiores machine desejante filho um cruzzamentto homofóbico e apocalíptico - deus in diabo / diaboindeus * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola

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Saga da família no mundo do crime consolida marca autoral na Hollywood dos anos 1970 O Poderoso Chefão é fruto do casamento entre duas tradições de cinema distintas, a da Hollywood industrial com o filme de arte europeu. Em termos práticos, um grande estúdio financiou a criação extremamente autoral de Francis Ford Coppola, que, ao mesmo tempo, cumpria as exigências de um produto comercial. A Paramount, nos anos 1970, momento em que os grandes estúdios trabalhavam sem as regras rígidas do período de ouro (entre os anos 1920 e 1950), estava francamente aberta aos novos cineastas e deu a chance a Coppola demonstrar do que era capaz. Ele dirigiu com o mesmo afinco que teria se estivesse sob vigia dos executivos da casa; se falhasse, eles o teriam substituído. Mesmo nesse clima tenso, o cineasta conseguiu verter em imagens o romance homônimo de Mario Puzo, que mostra a saga de Vito Corleone (Marlon Brando) na América, lutando para manter intacto o núcleo familiar – que ...

Estudei e num aprendi português

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Por Pedro Fernandes A aula de gramática deve implicar numa atuação participante de professor e alunos, movidos pelo desejo da descoberta científica. A ordenação dos achados é uma fase final no procedimento pedagógico. (Ataliba Castilho) Os estudos do francês Ferdinand Saussure (1857 – 1913) o fizeram considerado pai da Lingüística por ter redimensionado e ao mesmo tempo revolucionado as questões que se referem à língua e à linguagem. Nestes moldes, a teoria saussuriana será precursora de transformações diretas ou indiretas no que compete ao campo do ensino de língua materna. Ao dividir o signo em langue e parole, a Lingüística fundamentada em novas concepções passa a ser considerada inimiga ferrenha do tradicionalismo gramatical. Isso porque ela passa a considerar uma heterogeneidade lingüística, frente à homogeneidade pretendida pela gramática normativa. Então, a fim de se manterem na tradição a idéia é atirar granadas espalhando mitos de que a Lingüística concorda – e...

No extenso horizonte sangue

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no extenso horizonte-sangue que desenha-se ao longe enxergo-me nu. desnorteado. desordenado. fugindo de mim no espaço. e no vôo rasante rasgo o céu diamante. esbarro nas tintas d'aquarela-aurora. por horas fico suspenso. o globo corroendo minha coluna. com seu peso. desacordo. enxergo dentro de mim. minhas entranhas podres. arranco-as fora: fígado. baço. intestinos. e poluo os oceanos. pendente. com min'alma nas mãos. sou vil amante do caos. da solidão. de perto transmutado. dilacerado. desfigurado. no extenso horizonte-morte. a escuridão escondeu minha face. estou cego debatendo-me em trevas. fugindo de mim no espaço. * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Poema-conto de sonho-cabaré

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Cabaré Santa-Fé. Foto: Paulo Abrantes na tarde sombria que alarde ouço por baixo dos panos sujos, ensebados de suor e gozo os gemidos frenéticos vindos do quarto ao lado. parece uma ladainha cantada, gritada em latim vulgar ou um grito rasgado de rito de ave-maria barroca. e mais tarde sob o desvario frenético da última trepa da noite como açoite aos meus ouvidos a sirene de uma ambulância e de carros de polícia cercam o casebre debruçado na beira da estrada solitária e vazia. alguma coisa comia meu pensamento entre o entra-e-sai de meu órgão copiosamente inebriado no orvalho do sulco vaginal. a prostituta vizinha que gritava e gemia encontra-se nua e estrangulada no meu pensamento. quando de súbito acordo e recordo mentalmente de nada, passou, um sonho, uma polução noturna. * Acesse o e-book Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Erico Verissimo

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“O que penso de mim mesmo? Depende da ocasião. Nos momentos escuros, minha tendência é considerar tudo quanto produzi até hoje medíocre ou mesmo mau. Nas horas claras, porém, olho com mais indulgência para a minha obra e concluo que, dentre os vinte e poucos livros que escrevi até hoje, uns três ou quatro possuem alguma importância e pelo menos um deles – creio que O continente – sobreviverá por algum tempo. Sei que não sou, nunca fui, writer’s writer , um escritor para escritores. Não sou um inovador, não trouxe nenhuma contribuição original para a arte de ficção. Tenho dito  escrito repetidamente que me considero, antes de mais nada, um contador de histórias. Ora, nos tempos que correm, contar histórias parece ser aos olhos dos críticos o grande pecado moral literário. A chamada ‘boa crítica’ considera a história ou estória , como queiram, uma fama inferior de arte. Na minha opinião isso é, por um lado, uma atitude esnobe e, por outro lado, um equívoco semântico segundo ...