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As vidas de Gertrude Stein e Alice B. Toklas

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Por Iker Seisdedos Alice B. Toklas e Gertrude Stein Uma boa pergunta pode ser a linha mais curta a uma resposta adequada. Como puderam sobreviver duas velhas lésbicas judias na França ocupada durante a II Guerra Mundial? Esta é uma boa pergunta. A partir dela, a jornalista Janet Malcolm pesquisou sobre a escritora experimental Gertrude Stein e sua companheira e secretária pessoal durante décadas, Alice B. Toklas. A resposta foi publicada em três artigos no New Yorker e depois recolhida no livro Duas vidas: Gertrude e Alice . Quando a guerra estourou em 1939, Stein e Toklas, talvez o casal mais pitoresco das letras estadunidenses já haviam saído de sua casa na rua parisiense Fleurus, um dos cenários clássicos do que ficou conhecido como “geração perdida”. O termo foi criado pela escritora para referir-se aos amigos literatos, aventureiros e expatriados. Viviam então tranquilamente entre as frequentes visitas de Picasso, Hemingway ou Man Ray em Culoz, lugar ao sul da França s...

Florbela Espanca, tormento do ideal

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Por Laury Maciel Florbela d’Alma da Conceição Lobo Espanca nasceu na Vila de Viçosa (Alentejo), em 1894. Seus primeiros versos são da época em que fez o curso secundário, em Évora, e que somente viriam a ser reunidos em volume depois de sua morte. Malogrado seu casamento, vai para Lisboa estudar Direito e, nesse mesmo ano, 1919, publica Livro de Mágoas , que passa despercebido. Igual destino teve a obra seguinte, Livro de Soror Saudade , dado a lume em 1923. Novamente infeliz no casamento, retira-se do convívio social, embora continue a escrever poesia e a publicá-la ao acaso. Recolhe-se a Matosinhos, já agora estimulada pelas renovadas esperanças de felicidade conjugal, mas seus versos entram a dar sinais de exaustão. Morre, segundo alguns estudiosos, de suicídio, em 1930. Toda a produção de Florbela entre os anos de 1915 e 1917 – tanto em poesia como em contos – foi escrita em um livro de mercearia ao qual ela deu o título de Trocando olhares . Deste livro ela separou 33 poemas p...

Vasco Graça Moura

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Vasco Graça Moura não é um nome totalmente alheio ao Brasil; embora não tenhamos conhecimento da publicação de alguma obra do escritor para esses lados, em 1989, entretanto, recebeu aqui a condecoração da Ordem do Rio Branco e a Medalha da Marinha. Nesta época ocupava cargo na Comissão dos Descobrimentos e passava por um intenso verão nas produções em poesia – como outros que já havia atravessado – o que também não se reflete na sua obra, porque deixou-nos, só de poesia, quase trinta livros. Sua carreira literária começou com o dinheiro dos primeiros ordenados como trabalhador numa fábrica de conservas em Matosinhos. Modo mudando , foi, em 1963, distribuído pela livraria e galeria Divulgação, um espaço ponto de encontro de escritores e intelectuais do Porto. Não demorou a chegada do segundo título, Semana inglesa , publicado dois anos depois, o que não se tornará uma constante esse arroubo poético. Depois do segundo título, até que venha o próximo – e aqui está seu primeiro ...

Em Busca do Ouro, de Charles Chaplin

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Aventura passada no Alasca traz a famosa cena em que o personagem Carlitos executa a dança dos pãezinhos É uma tarefa sempre injusta escolher títulos de Charles Chaplin para uma lista de películas essenciais. Como deixar de fora O Grande Ditador (1940), sátira contra os nazistas com aquele antológico monólogo do final? E ainda o meigo e apaixonado Luzes da Cidade (1931), um exemplo de como deveriam ser as comédias românticas? Mas, como o próprio Chaplin afirmou, o filme pelo qual ele mais esperava ser lembrado é Em Busca do Ouro . Lançada em 1925, a produção é uma das muitas protagonizadas pelo personagem Carlitos, o vagabundo patético e carismático que se mete em confusões e nunca perde o bom humor e a alegria de viver. Durante a corrida do ouro do final do século 19, Carlitos vai ao Alasca tentar a sorte no garimpo. Lá, ele conhece Big Jim, garimpeiro experiente que encontrou a montanha de ouro, mas perdeu a memória. Ao mesmo tempo, Carlitos se apaixona pela bela Geor...

Dez livros marcados pela bebedeira

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Jack Kerouac, entre a escrita, muita bebida. Depois da postagem sobre o trabalho de Fernando Pessoa em criar um slogan para uma bebida hoje corriqueira em mais de meio mundo, lembramos sobre o gosto do poeta não pelo refrigerante mas pelo vinho. Sabe-se que o português levou o resto da vida entregue à embriaguez perfazendo assim – pela bebida – uma revisitação de outros planos do sentido como sempre foi gesto dos verdadeiros poetas. Além de Fernando Pessoa, é possível lembrar de Charles Baudelaire e Charles Bukowski, de Vinicius de Moraes e William Burroughs. O primeiro dizia em "Embriagai-vos" que "É necessário estar sempre bêbado / Tudo se reduz a isso; eis o único problema / Para não sentirdes horrível do Tempo que vos  / abate e vos faz pender para terra, é preciso que vos embriagues / sem cessar". Mas, muitos outros poetas fizeram da bebida uma profissão de fé; e antes de todos esses nomes, Horácio, na Roma antiga já dizia, numa apologia à necessidad...

Mídia e educação

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Por Pedro Fernandes A idéia para a composição deste texto partiu quando de “zapping” parei num desenho animado que passava em determinado canal de televisão e que mostrava uma comunidade de formigas. Algo me chamou atenção. Foi justamente as feições humanas atribuídas aos insetos e isso me fez retomar outros desenhos animados. Por exemplo, lembrei-me bem dum episódio da Disney em que o pato Donald julgava-se dono do Pluto; de quando Bob Esponja não conseguia amarrar o cadarço do tênis; etc. A humanidade é mesmo prepotente, pensei comigo, é a única que sente necessidade de atribuir caracteres e modelos seus aos animais ou aos seres inanimados. Mas o que me mais me interessou no desenho das formigas é que estas se apresentavam com problemas de convivência tais quais os nossos; isso a Biologia prova que não existe, aliás, as colônias do mundo animal são sempre modelos para uma sociedade a Thomas Morus. Outro detalhe que captei ainda desse episódio foi a pungência do general formiga em...