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Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

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Diretor retorna ao ambiente onde viveu sua infância para produzir uma visão sem glamour da máfia Dezessete anos depois de Caminhos Perigosos (1973), Martin Scorsese retorna não só ao gênero gângster como também ao cenário de sua infância - um bairro ítalo-americano em que os mafiosos eram tão comuns quanto as mamas e as pizzarias. Para os jovens que cresciam em ruas assim, aqueles homens de terno e dinheiro transbordando dos bolsos eram ídolos, aquele cotidiano era seu ideal de vida. Como disse Scorsese certa vez: "ou a pessoa virava gângster ou virava padre" (o que por muito pouco não foi o seu caso). Por isso não surpreende que logo no começo de Os bons companheiros seja dita a frase "desde que eu consigo me lembrar, eu sempre quis ser um gângster". O autor dela é Henry Hill, cuja autobiografia deu origem ao roteiro. Ele é interpretado por Ray Liotta (que nunca mais teve outra atuação boa), que conta três décadas na vida de um grupo de mafiosos, desde...

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto

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Por Pedro Fernandes Morte e vida severina é, de toda a obra poética de João Cabral de Melo Neto, certamente, o seu texto mais conhecido. A afirmativa um tanto óbvia tem por objetivo, antes de ser a abertura de algumas notas (estas também um tanto óbvias sobre esta obra, mas fundamentais pelo compromisso de chamar à leitura do texto novos leitores), tenta seguir outro rumo, fora daquelas coordenadas que sempre hão de apontar outros mais ingênuos que eu, de que esta popularidade do poema se deu pela adaptação para a TV Globo em 1977, depois do sucesso obtido no teatro. Além disso, este texto teve importante inserção no contexto escolar, ao menos de quando foi estudante do ensino básico (quando conheci a obra) e, claro, trata de uma temática comum a pelo menos boa parte dos brasileiros: o êxodo do sertão nordestino em busca de melhores condições de vida nos grandes centros urbanos. O poema foi escrita entre os anos de 1954 e 1955 e tendo ficado conhecido apenas pelo título ora evo...

Liev Tolstói: a arte deve ser ponte para a transformação do homem

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Por Pedro Fernandes Liev Tolstói. Foto de 1847 (aproximadamente) Semestre passado tive contato com um texto crítico de Tolstói em torno da pergunta já há muito discutida O que é arte . O texto está publicado, pelo menos parte dele, numa coletânea organizada por Elena Vássina, traduzida por extensa equipe e recém-publicada pelo selo Penguin / Companhia das Letras. Alguns dos recortes que marquei no texto considero até hoje pertinentes mesmo sabendo que as considerações datam de 1896 e que o escritor russo tinha uma concepção muito particular sobre a obra de arte. “Toda obra de arte faz com que o receptor entre numa espécie de comunicação com quem criava ou cria a arte e com todos que ao mesmo tempo antes, ou depois, receberam ou vão receber a mesma impressão artística.” “A arte começa quando o homem evoca novamente dentro de si o sentimento já experimentado, com o objetivo de transmiti-lo para outras pessoas, e o expressa por meio de determinados sinais externos.” “...

Das misérias humanas

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Por Pedro Fernandes Jan Havickszoon Steen Quero relatar dois episódios que não sei onde os colocaria na estante dos acontecimentos que frequentemente nos assaltam. Mas, creio que ficaria bem no setor daqueles casos em que por baixo se escreve Das misérias humanas .  Também não consigo agora descrever misto de sentimentos que me invadiu no momento das duas ocorrências - se pena, se tristeza, se impotência... se...  O primeiro fato se deu numa saída de um sebo, certo dia - dia daqueles escolhidos para peregrinação em sebos. Pedi a uma vendedora de rua, um copo de água, que ainda, apesar dos altos e baixos da economia, se é vendido a cinquenta centavos. Revirei minha mochila e catei os centavos que tinha. Quarenta e cinco no total.  Não tomei cara emprestada e joguei com a vendedora, pensando na facilidade da venda: - Aceita os quarenta e cinco centavos ou quer tirar de dez? Ela devolveu-me as moedas: - É melhor tirar de dez. É... E dizem por aí os economistas que o dinhei...

Caim, o novo romance de José Saramago

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De acordo com uma carta escrita por Pilar del Río e publicada no Blog da Fundação José Saramago, é oficial para outubro o novo livro do escritor português. A notícia enche todos os seus leitores de grande expectativa; tudo porque um escritor como José Saramago era ideal que nunca nos deixasse, nunca se calasse. Há sempre reflexões muito lúcidas, inquietantes e necessárias ao nosso tempo. Depois de publicado A Viagem do Elefante , entre as longas travessias de uma doença, temíamos que não existisse mais outra obra. Mas não. Estamos todos os leitores da sua obra muito felizes. O título do romance é Caim  e a figura bíblica é a protagonista principal. Certamente esse será um livro distante do fôlego de O Evangelho segundo Jesus Cristo  porque as condições físicas do escritor de 87 anos já não são as mesmas de 1991. Mas trará, certamente, um impacto parecido com o do outro romance. Já sabemos das posições certeiras de José Saramago quando o assunto é a religião e e...

A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich

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Cybill Shepard. A Última Sessão de Cinema foi o primeiro filme para a atriz. A vida nos Estados Unidos durante os dourados anos 1950 vista na perspectiva ordinária de uma cidade do interior do Texas O fim de um época e a decadência de seus ícones refletidos no cotidiano de uma pequena cidade do interior do Texas. A partir dessa idéia simples, o diretor Peter Bogdanovich fez um filme que homenageia, sem nostalgia e com muita personalidade, o início do fim do modelo clássico hollywoodiano que alcançou seu ápice anos de 1950. A Última Sessão de Cinema   se passa em 1951 e acompanha dois adolescentes que vivem o fim da juventude. Sonny Crowford (Timothy Bottoms) e seu melhor amigo, Duane Jackson (Jeff Bridges), jogam no time de futebol americano do colégio. A cidade tem na piscina pública, na lanchonete e na ida ao cinema seus únicos lugares de quebra da rotina. Os últimos dias do colégio e a solidão dos personagens tingem de melancolia o filme e tudo parece estar em dec...