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Estórias gerais, de Jaime Hipólito

Por Lindelillyan Fernandes Importante profissional do jornal e escritor de reconhecimento merecido. Como costumavam dizer a seu respeito: - Caicoense de Mossoró, publicou no ano de 1962 o livro de conto:  O aprendiz de Camelô , hoje metabolizado nessa obra:  Estórias Gerais . A qual merece seus confetes por trazer para ao público, um conjunto de momentos cotidianos, bem possíveis de realização. Fato que ele se orgulhara de comentar, por gostar de expor os acontecimentos em seus contos exatamente como eles aconteciam, fossem verídicos ou existentes somente no seu mundo particular de idéias. Isso provavelmente influência das rotinas jornalísticas, visto que ele preferia os bastidores dos jornais à vida literária. Estórias Gerais de Jaime Hipólito é uma obra tipicamente nordestina, pois trata contos como um gênero regional, trabalhando seus temas com a simplicidade da conversa na janela das vizinhas de um bairro popular. O autor busca , como ele mesmo afirma, e...

Mais dez filmes inspirados em clássicos da literatura brasileira

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No começo do mês de agosto organizamos uma lista com dez filmes que tiveram seu enredo adaptado a partir de alguns clássicos da literatura brasileiro. Mas, o leitor bem sabe que uma lista que dá conta de apenas dez títulos não abarca nem uma milésima parte da quantidade de trabalhos dessa natureza já apresentados; nem esgotaríamos se ampliássemos para uma centena deles. Bem, como toda lista é sempre injusta, mesmo depois dessas duas publicadas aqui no blog, certamente ficaremos sem mencionar outros filmes que caberiam aqui. E, com um tema vasto desses, o bom que poderemos voltar a ele quantas vezes acharmos necessário e escrever outras tantas e tantas listinhas de dez filmes. Por enquanto, fiquemos com esses. Nunca é demais lembrar que não é propósito estabelecermos um ranking  por melhor ou pior filme; os títulos foram se apresentando aleatoriamente e depois só organizamos por ano de lançamento. Grande Otelo em Macunaíma Macunaíma , de Joaquim Pedro de Andrade (1969): Quem n...

Literatura e prática

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Por Pedro Fernandes Quem se debanda para estudar literatura ou qualquer outra arte sabe, ou pelo menos deve estar ciente, do caminho pedregoso a se vencer. E não é apenas uma pedra no meio do caminho, como o poema de Drummond nos faz crer à primeira leitura; a imagem do termo “caminho pedregoso” remete a um espaço onde a pedra, como na verdade está a pedra de Drummond, está em toda a parte. Haveremos de escolher o que fazer com tanta delas: se driblamo-las, se apanhamo-las e jogamos em quem as coloca no caminho, se apanhamo-las e levamos conosco, fazendo o fardo ficar ainda mais pesado, ou se, simplesmente nos acuamos e sentamo-nos sobre elas. Talvez, ao longo do trajeto, não necessariamente escolhemos uma das ações, mas fazemos o uso constante delas. Dentre esse pedregulho, uma pedra tem me feito companhia desde meus tempos de faculdade e agora, novamente, ela me reaparece. Chamam a dita cuja de “Prática” e ela, já reparei há de surgir sempre que estivermos diante de todos c...

Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese

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Diretor retorna ao ambiente onde viveu sua infância para produzir uma visão sem glamour da máfia Dezessete anos depois de Caminhos Perigosos (1973), Martin Scorsese retorna não só ao gênero gângster como também ao cenário de sua infância - um bairro ítalo-americano em que os mafiosos eram tão comuns quanto as mamas e as pizzarias. Para os jovens que cresciam em ruas assim, aqueles homens de terno e dinheiro transbordando dos bolsos eram ídolos, aquele cotidiano era seu ideal de vida. Como disse Scorsese certa vez: "ou a pessoa virava gângster ou virava padre" (o que por muito pouco não foi o seu caso). Por isso não surpreende que logo no começo de Os bons companheiros seja dita a frase "desde que eu consigo me lembrar, eu sempre quis ser um gângster". O autor dela é Henry Hill, cuja autobiografia deu origem ao roteiro. Ele é interpretado por Ray Liotta (que nunca mais teve outra atuação boa), que conta três décadas na vida de um grupo de mafiosos, desde...

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto

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Por Pedro Fernandes Morte e vida severina é, de toda a obra poética de João Cabral de Melo Neto, certamente, o seu texto mais conhecido. A afirmativa um tanto óbvia tem por objetivo, antes de ser a abertura de algumas notas (estas também um tanto óbvias sobre esta obra, mas fundamentais pelo compromisso de chamar à leitura do texto novos leitores), tenta seguir outro rumo, fora daquelas coordenadas que sempre hão de apontar outros mais ingênuos que eu, de que esta popularidade do poema se deu pela adaptação para a TV Globo em 1977, depois do sucesso obtido no teatro. Além disso, este texto teve importante inserção no contexto escolar, ao menos de quando foi estudante do ensino básico (quando conheci a obra) e, claro, trata de uma temática comum a pelo menos boa parte dos brasileiros: o êxodo do sertão nordestino em busca de melhores condições de vida nos grandes centros urbanos. O poema foi escrita entre os anos de 1954 e 1955 e tendo ficado conhecido apenas pelo título ora evo...

Liev Tolstói: a arte deve ser ponte para a transformação do homem

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Por Pedro Fernandes Liev Tolstói. Foto de 1847 (aproximadamente) Semestre passado tive contato com um texto crítico de Tolstói em torno da pergunta já há muito discutida O que é arte . O texto está publicado, pelo menos parte dele, numa coletânea organizada por Elena Vássina, traduzida por extensa equipe e recém-publicada pelo selo Penguin / Companhia das Letras. Alguns dos recortes que marquei no texto considero até hoje pertinentes mesmo sabendo que as considerações datam de 1896 e que o escritor russo tinha uma concepção muito particular sobre a obra de arte. “Toda obra de arte faz com que o receptor entre numa espécie de comunicação com quem criava ou cria a arte e com todos que ao mesmo tempo antes, ou depois, receberam ou vão receber a mesma impressão artística.” “A arte começa quando o homem evoca novamente dentro de si o sentimento já experimentado, com o objetivo de transmiti-lo para outras pessoas, e o expressa por meio de determinados sinais externos.” “...