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Jaime Hipólito

Um dos feitos importantes para a Literatura Potiguar em 2009 é o da comissão organizadora do vestibular para acesso aos cursos de nível superior na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte ter inserido na lista de leituras obrigatórias um título de Jaime Hipólito. Nome, como o de muitas outras figuras importantes para a cultura do estado, entregue praticamente ao esquecimento, a atitude coloca ao menos um texto de bibliografia ao alcance de um público considerável e, claro, também apresenta o seu nome. Antes do feito, é preciso destacar as contribuições significativas oferecidas pelo seu sobrinho na preservação da memória de Hipólito, o poeta Gustavo Luz, também editor da Queima-Bucha, é responsável por publicar a obra do escritor; basta uma visita ao catálogo da editora para consultar alguns dos títulos além o indicado para a seleção no vestibular da UERN. Jaime Hipólito nasceu em Caicó em 1928. Sempre se disse, no entanto, currais-novense (nascido em Currais Novos, cidad...

Nosferatu, de Friedrich Wilhelm Murnau

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A obra-prima do vampiro expressionista que já foi imitada e celebrada, mas jamais superada por qualquer outro cineasta Nas artes visuais, o expressionismo surgiu como resposta amarga, no transcorrer da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ao lirismo do anterior impressionismo. É também, como diz o termo, a expressão de algo que está por detrás, sobretudo do inconsciente humano. No cinema, foi o alemão Robert Wiene seu precursor, com O gabinete do Dr. Caligari  (1919), no qual representava distorções estéticas (sobretudo nos cenários, bastante gráficos com suas casas e ruas tortas). Mas foi Friedrich Wilhelm Murnau quem o levou adiante, dirigindo a obra-prima Nosferatu . O que Wiene mostrava, sobretudo, na geometria dos espaços, Murnau explorava no rosto do vampiro e no jogo de sombras, movimentos de câmera e uso de lentes que deformam e embaçam a imagem. O cineasta, assim, chegava a outra característica expressionista, que é pôr à vista os fantasmas do inconsciente do homem. ...

Sousândrade

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Por Pedro Fernandes Há alguns anos que participei de um evento no qual assisti uma comunicação de Ana Santana de Souza sobre O Guesa , de Sousândrade. Depois, sua tese de doutorado foi publicada em livro, ainda disponível à venda, creio eu: A nação guesa de Sousândrade – uma narrativa de viagem .  Recupero o episódio para dizer que foi a primeira vez que ouvi falar na existência do escritor. Rondei pela web à cata de mais detalhes sobre a obra e o poeta e as recolhas de notas que fiz perderam-se. Mas, não será para falar do primeiro encontro com Sousândrade que escreverei este post. A ocasião se deve que, depois dos fragmentos publicados entre 1867 e 1884 da edição de sua obra, agora chega às livrarias organizada por Luiza Lobo, outra especialista na obra do escritor, uma edição revista e atualizada.  Evidente que não será a obra definitiva, porque as lacunas e os enigmas característicos de um escritor que não se preocupou em fazer uma obra de fácil acesso, e...

Moby Dick, de Herman Melville

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Há escritores de um livro só. Mesmo que tenham escrito uma leva significativa de textos, mas ainda assim são reconhecidos por apenas um texto. No Brasil, Herman Melville, um dos nomes principais da literatura estadunidense, é um deles. Há outros livros seus traduzidos por aqui, como Taipi , seu primeiro romance, Benito Cereno , Billy Budd e Bartleby, o escrivão – uma história de Wall Street . Mas, se perguntado, mesmo entre os do público de leitores assíduos, o citado será sempre Moby Dick . E pensar que quando o romance foi lançado há 160 anos foi considerado um fracasso porque não conseguiu atingir os 3 mil na sua primeira impressão. Também não era de se esperar, depois disso, que pudesse, tanto depois ser lido como um dos principais textos da literatura produzida nos Estados Unidos. E alcançou. Está no panteão de livros que já têm sua própria legião como Os irmãos Karamazov , de Dostoievski, ou Anna Kariênina , de Tolstói. Com um enredo bastante completo a narrativa do r...

A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz

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cena de A malvada. Bette Daves (centro), Marilyn Monroe (em uma ponta para o filme) e George Sands. Visão irônica dos bastidores do mundo do espetáculo traz a estrela Bette Davis em um de seus maiores papéis "Apertem os cintos; esta será uma noite turbulenta!" A célebre frase de Margo Channing dá o tom de A Malvada , uma visão irônica, corrosiva e - por que não? - turbulenta do mundo dos bastidores do showbiz . Channing (Bette Davis), a estrela número um da Broadway, sofre com o envelhecimento e a perda de prestígio. Após um espetáculo, aparece em seu camarim uma fã aspirante a atriz, Eve (Anne Baxter), que se torna sua secretária particular e passa a conviver com as principais estrelas da época. Logo a admiradora ingênua e humilde mostra-se manipuladora e calculista, e sonha apenas em tomar o lugar de sua musa. Espreitando o confronto da dupla está Addison de Witt (George Sanders), cínico crítico teatral que não demora para descobrir as artimanhas de Eve. Bette Dav...

Unidos pela terra

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Por Pedro Fernandes O que se registra aqui é parte das incursões de um curioso por tudo aquilo com o nome de José Saramago. A partir deste centro, todo um universo se amplia descoberta após descoberta. Também poderia ser uma parte na história dos acasos, essa dimensão do pouco provável tantas vezes reiterada como o ponto de inflexão ou de partida para a narrativa saramaguiana.   Alcancei o livro Terra  pela primeira vez na visita a um sebo, este território que, com as livrarias e as bibliotecas, é meu lugar favorito, onde me sinto mais à vontade no mundo. Desta vez, José Saramago só entrará depois nesse encontro. O estímulo que moveu meu interesse para o livro de Sebastião Salgado foi outro: no sebo, minha atenção foi capturada pelo rosto desvalido de uma menina cujos olhos minados d’água olha para a câmera à procura do futuro e da esperança que deviam significar, que dizemos significar toda criança. Está na capa e recuperou de imediato na minha memória um instante de quando o...