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Entrevista com Leontino Filho

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No domingo, dia 01 de novembro, o Caderno Universo , do jornal O Mossoroense , publicou entrevista da jornalista Larissa com o poeta Leontino Filho. Vale a pena ouvi-lo, ou melhor, lê-lo. Por isso, recortamos a entrevista para os leitores deste espaço e, claro, como uma alternativa de que ela, acontecimento raro, circule em mais espaços na web . Antes, deixa eu apresentar quem é o poeta (de quem sou devedor de uma post neste espaço há muito prometida): além de ter sido meu professor, orientador e fiel conversador de corredor sobre Literatura e quem deu gás a publicação do jornal Trabuco (que a essa altura não sei como anda), Leontino é poeta (e dos grandes). Autor de obras como Cidade íntima, que li e recomendo, Atualmente seu novo trabalho é o Geometria do fragmento , livro de ensaios sobre poesia e literatura. Você publicou seu primeiro livro com 22 anos de idade. Descobriu cedo o talento para a poesia e as letras? Sim, principalmente como leitor. Muito cedo acabei me identifica...

Levantado do Chão, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes Sobre Levantado do Chão , disse, certa vez, José Saramago: "Um escritor é um homem como os outros: sonha. E o meu sonho foi o de poder dizer deste livro, quando terminasse: 'Isto é o Alentejo'. Dos sonhos, porém, acordamos todos, e agora eis-me não diante do sonho realizado, mas da concreta e possível forma do sonho. Por isso me limitei a escrever: 'Isto é um livro sobre o Alentejo'. Um livro, um simples romance, gente, conflitos, alguns amores, muitos sacrifícios e grandes fomes, as vitórias e os desastres, a aprendizagem da transformação, e mortes. É portanto um livro que quis aproximar-se da vida, e essa seria a sua mais merecida explicação. Leva como título e nome, para procurar e ser procurado, estas palavras sem nenhuma glória - Levantado do Chão . Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor bra...

Paul Bowles

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“Quase todas as noites soam os tambores. Nunca me acordam; os ouço e os incorporo ao meu sonho como as chamadas noturnas dos almuadens. Mesmo quando no sonho esteja em Nova York, o primeiro Allah akbari borra a tela de fundo para me levar ao que seja a África do Norte, e o sonho segue...”. Viajante permanente, anfitrião em Tânger de William Bourroughs e Jack Kerouac, personagem esquiva e mítica da geração beat, o escritor e compositor Paul Bowles soube encarnar como ninguém o “sonho do Tânger”. Nascido em Nova York em 1910, Bowles viajou ao Marrocos, quando tinha só 21 anos, aconselhado pela escritora estadunidense Gertrude Stein para catalogar as diferentes expressões musicais do país. Como também acontecera a Lawrence Durrell com a cidade de Alexandria, não tardou em cair cativo do obscuro magnetismo do norte da África. “Enquanto o turista geralmente volta depressa para casa ao fim de algumas semanas ou meses, o viajante, que não pertence a um lugar mais do que a outro, se ...

Neocristianismo

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Por Pedro Fernandes Não faz muito tempo que têm as religiões, cito as mais conhecidas, a dos católicos e dos evangélicos, tomado certo rumo que me espanta. Enquanto eu e muitos outros acreditávamos numa falência dos credos em detrimento da expansão de outro mal, o capitalismo, o que tem acontecido é que tais religiões têm é se expandido. Refizeram seus discursos (entre aspas, porque ainda dizem o meso de sempre, só que agora numa via mais pop, entretanto, não menos ludibriante) e se alastraram feito rastilho de pólvora, infestando todas as vias, as concretas e as imaginarias. De início o Rádio e a TV, agora a Internet, a cada esquina há de ter alguém se  esgoelando , comprando almas, fazendo leiloes de salvação, pactuando com pombas divinas, encomendando-se a Deus a ao Diabo se aquele demora com a satisfação. São showmissas, showcultos, milagres, curas e curas, banzeis a torto e a direito, virtuais. Ainda mais recente, depois da grande debanda de fieis do catolic...

Pulp Fiction - Tempo de Violência, de Quentin Tarantino

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O liquidificar Tarantino mistura influências e humor negro para compor obra que gerou várias imitações Grande sensação da indústria norte-americana do fim do século 20, Quentin Tarantino sempre chamou mais atenção pelo que representa do que pelo que é. Afinal, não se trata de nenhum gênio, e a idéia é exatamente essa. Ele é apenas um ex-atendente de videolocadora que resolveu fazer filmes, sem qualquer preparo técnico ou passagem por universidades de cinema, mas com muita paixão e um conhecimento enciclopédico de dados e informações sobre os clássicos do passado. Pegue esse background e jogue em um liquidificador com algumas de suas fixações pessoais e processe: quadrinhos, videogames, seriados de televisão, filmes obscuros de ação e orientais de kung-fu, westerns, revistas baratas de histórias policiais e referências à cultura pop. Graças a esse espírito diletante e à variedade de influências, Tarantino conseguiu a façanha de produzir uma das obras mais cultuadas e influentes ...

Paulo Mendes Campos

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Paulo Mendes Campos. Foto: Instituto Moreira Salles Paulo Mendes Campos nasceu em 28 de fevereiro de 1922, ano mítico para a cultura brasileira — acontecia aí a Semana de Arte Moderna em São Paulo que o antecedeu por exatos dez dias. Seus ecos não demorariam a chegar à Belo Horizonte do futuro autor, como sabem os leitores de O desatino da rapaziada , de Humberto Werneck e Cenas de um modernismo de província , de Ivan Marques.  Mas o ano de nascença do mineiro foi do balacobaco também em inglês (apareceram Ulysses , de Joyce, e The Waste Land , de T.S. Eliot) e francês (Proust colocou o asmático ponto final em seu Em busca do tempo perdido ) — línguas e literaturas com as quais o escritor se fez íntimo ao longo do tempo. Criado com nove irmãos em ambiente familiar de poliglotas e anglófonos, foi a mãe quem lhe despertou o gosto pela poesia. Em 1937, conheceu o adolescente de mesma idade Otto Lara Resende, em São João del-Rey, que seria seu amigo de toda a v...