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Clarice Lispector: entrevistas, de Claire Williams

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Por Pedro Fernandes Escrevi outra vez aqui no Letras que Clarice Lispector é hoje, juntamente como outros pouquíssimos nomes da literatura brasileira, tais como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Guimarães Rosa, uma das escritoras mais estudadas e mesmo bem-quista entre todos os segmentos, no acadêmico e no popular. Há quem cite Clarice, sem ter lido, só de inventar, por exemplo. Se este é um gosto duvidoso, é também, um sintoma da popularidade. Assim, reafirmo, sem dúvida, o lugar da escritor. No meio dos estudos literários, as provas estão nas abordagens das mais diversas em torno de sua obra, para todas as linhas da crítica.    No mercado editorial circula uma leva de publicações que começam por nos revelar outras feições de Clarice Lispector. Isto é, a que se dedicou a outras expressões da escrita, fora do campo literário, reiterando com essa atividade chegou a ser vivida plenamente, não como profissão apenas, mas ofício.  Clarice Li...

Gonçalo M. Tavares

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“A literatura pode ter a função de diminuir a ingenuidade e eu tento aumentar a lucidez das pessoas.” (Gonçalo M. Tavares) A literatura de Gonçalo M. Tavares é para leitores interessados abandonar sua condição de entregues à roldana do mundo e descobrir aquilo que não conseguimos alcançar pelo olho comum, porque padecemos, muito ou pouco, dos engessamentos propostos, clara ou sutilmente, pelas ideologias de domínio. Sua escrita também é abandono, deambulação, procura por entre as trivialidades do mundo e da história do sopro capaz de produzir as desestabilizações necessárias à constituição dos sentidos de ser e estar no mundo e na história. Tudo isso significa dizer que, o escritor se preocupa em interrogar não apenas a realidade e seus contornos, como o elemento que enforma: a linguagem. Em diferentes registros, em diferentes fronteiras, em diferentes formas, sua obra elege a certeza da impossibilidade do total como ponto de interesse. Assim se observa, por exemplo, os vár...

Mario Vargas Llosa, o Prêmio Nobel de Literatura de 2010

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O Prêmio Nobel Faltavam alguns segundos para uma hora da tarde (hora local) quando Peter Englund, secretário da Academia sueca, abriu a famosa porta branca onde está a sede acadêmica do Prêmio Nobel e pronunciou o nome do escritor peruano Mario Vargas Llosa como novo galardoado com o prêmio mais prestigiado das letras universais. Como sempre, as razões da Academia cabem em duas linhas: “Por sua cartografia das estruturas do poder e suas imagens mordazes da resistência individual, a revolta e a derrota”. No momento do anúncio, o escritor estava em Nova York, onde ministrava um curso sobre Jorge Luis Borges na Universidade de Princeton. Também é sabido que os leitores em língua espanhola breve receberão seu novo romance O sonho celta (escrito antes do prêmio, portanto, ainda sem julgamentos se escritor melhorou, permaneceu ou piorou sua literatura depois de ganhar a maior honraria das letras). O romance é sobre uma personagem histórica, Roger Casement (1864-1916) que quest...

Por que Literatura?

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Pedro Fernandes, o mantenedor desse blog que ministra fala Por que Literatura numa mesa-redonda dia 07 de outubro no I CNELL/VII SELLP. Foto de Netanias Mateus. Arquivo VII CMELP Este é o título da fala que ministro amanhã, 07 de outubro, na abertura de uma mesa redonda para o I Colóquio Nacional de Estudos Linguísticos e Literários. A mesa é a que discutirá sobre o tema Literatura e Ensino. O meu interesse pelo tema surge ainda na graduação quando estive, por vários momentos, colocado contra a parede para dar uma resposta acerca da contribuição prática para o então projeto de conclusão do curso escrito para leitura (análise) literária e vem ganhando contornos em vários outros momentos acadêmicos. Cito, dentre eles, o curso Literatura e ensino feito no decorrer do mestrado e o desdobramento de vários textos a respeito escritos para jornais. Por ocasião do VII Colóquio Nacional de Professores de Metodologia do Ensino ...

Waslala: memorial del futuro, de Gioconda Belli

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Por Cecil Jeanine Albert Zinani¹ A obra tem como cenário a mesma Fáguas², projetada em um tempo futuro. A ação acontece em meados do século XXI, e a situação do país apresenta uma considerável deterioração. O mundo está dividido em dois grandes blocos: os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos. Os países subdesenvolvidos, como Fáguas, têm como função precípua fornecer oxigênio - o que deveria demandar um cuidado especial na preservação do meio ambiente - e receber lixo produzido pelos países desenvolvidos - o que implica deterioração do meio ambiente. Em Fáguas, a guerra é endêmica, e as pessoas nem sabem mais por que lutam. Nesse cenário, proliferam contrabandistas, traficantes de armas tornadas obsoletas no primeiro mundo, que estimulam as disputas entre facções rivais e traficantes de drogas, já que no país há grandes plantações de "filina", produto híbrido de marijuana e cocaína, propriedade dos irmãos Espada, tiranos locais. As fronteiras do país se desvan...

Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho

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A primeira é mais difícil tarefa do diretor Luiz Fernando Carvalho foi traduzir em linguagem cinematográfica o discurso literariamente complexo do narrador / protagonista do romance homônimo de Raduan Nassar sem perder a intensidade da palavra. A solução de Carvalho foi utilizar, pela voz do personagem principal, André (Selton Mello), quase todo o texto do livro.  Coordenados com a narração, imagens e sons trabalhados até os detalhes fazem do filme tanto uma precisa transposição do romance para outra linguagem quanto recriação inventiva do texto original. O enredo se desenvolve a partir da volta de André, o filho desgarrado, ao convívio da família. O reencontro tenso discute as incongruências entre os valores tradicionais da família libanesa, as relações de poder estabelecidas na casa e os desejos reprimidos, mas não aquietados de André. A coexistência do fato narrado com um passado angustiante e da imagem no presente faz com que a ideia fatalista em relação ao d...