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insônia

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David Dupuis. se na noite vaga o sono abrisse-me os misericordiosos braços agarraria-o como o escuro agarra-me os olhos grilados nele. * Acesse  o e-book  Palavras de pedra e cal  e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Aspirinas & Urubus

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O título é de ouro. Mais literário impossível. A ideia também. Jotta Paiva, jornalista do jornal De Fato e editor da Revista de contos Cruviana aparece juntamente com Regiane, Arlete, Klas e Davi para reinventar a atmosfera dos blogues literários no Rio Grande do Norte e por que não (?) no Brasil. Segundo notifica o editorial da ideia, Aspirinas & Urubus - é este o sugestivo título do blogue - nasce daquele filme de Marcelo Gomes, Cinema, Aspirinas e Urubus . Da ideia dessa película, extrai-se o Aspirinas & Urubus que pretende ser uma espécie de laboratório ao ar livre da web para novas experiências literárias. Os cinco integrantes do blogue, pessoas com características profissionais diferentes, emprestam suas atenções e percepções para descrever os fenômenos da vida a partir de uma escrita rápida como a crônica e o conto ou mesmo a poesia e demais gêneros. A novidade é que este blogue não se pretende ser fechado como os laboratórios comuns. Fazendo jus ao...

Fahrenheit 451, de François Truffaut

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Por Pedro Fernandes Um clássico é um clássico e ponto. Não tinha nenhuma frase mais óbvia para justificar inicialmente uma obra apresentada na década de sessenta, 1966 para ser mais exato, de um dos grandes nomes do cinema contemporâneo, François Truffaut. Mas, o retorno a esse filme – apesar de nunca ter comentado sobre, é um filme que, nuns tempos em que o tempo me permitia algumas coisas, já havia visto, por isso o termo retorno – esse retorno se deu por localizá-lo on-line dia desses enquanto buscava algumas informações acerca da obra de Ray Bradbury, autor sobre o qual redigi algumas notas para dois trabalhos muito bons do selo Biblioteca Azul, da Globo Livros, As crônicas marcianas e A cidade inteira dorme . Também Fahrenheit 451 faz parte neste projeto de reedição da editora. Quando assisti ao filme de Truffaut, o televisor de plasma ainda era algo de luxo. Mas, já me chamou a atenção a presença do instrumento em cena numa época em que o aparelho comum nos país...

Retrato de um desconhecido, de Nathalie Sarraute

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Por Javier Aparicio Maydeu Nathalie Sarraute, 1983. Foto: Thierry Martinot. Do tédio considerado como uma das belas artes. Do tédio como diversão (ou da quadratura do círculo). De intriga considerada um incômodo. Do narrador onisciente considerado como uma falácia e do personagem considerado um estorvo para a escrita desenfreada, para a única ficção verdadeira segundo os pressupostos neovanguardistas do nouveau roman forjado por Alain Robbe-Grillet contra a tradição narrativa, cujo surgimento aconteceu em 1955, com a publicação do romance de referência, A espreita , e mais tarde, em 1961, com a primeira edição de Por um novo romance , seu polêmico manifesto.   Sem enredo, morto o herói, sem configuração de personagens, nem psicologia, nem narrador onisciente, nem referências históricas ou sociais, nem sentido figurativo ― nem metáforas, nem símbolos, nem alegorias ― nem nada que não possa ser apreendido pelos sentidos, o nouveau roman ― ou o romance objetivista ou l'école du rég...

Afonso Cruz

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  “Para uns, a raiz é a parte invisível que permite à árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado.” ― De Os livros que devoraram o meu pai , Afonso Cruz Afonso Cruz. Foto: Sara Matos   Não faz muito tempo que a obra de Afonso Cruz começou um caminho de vigorosa ascensão, mas já faz o tempo suficiente para que os leitores deste lado do Atlântico começassem a reivindicar a presença de sua obra entre nós. O escritor nascido em Figueira da Foz em 1971 escreveu até agora cinco livros dotados de uma rica linguagem poética e imaginativa, como é possível sorver nos excertos que iluminam a abertura dessas notas. Com alguns deles, acumula alguns importantes prêmios e boa recepção pela crítica literária no seu país.   De maneira que, com esses traços é possível filiar o autor a uma linha criativa da literatura portuguesa marcadamente surrealista e circunscrita no diálogo à volta de um univers...

Miacontear - O homem cadente

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Por Pedro Fernandes Ilustração: Nikolaus Heidelbach Eis o segundo conto de O fio das missangas : “O homem cadente” Misto de sonho kafkiano, o conto dá contas de um fato insólito: Zuzé Neto, amigo do narrador, cisma, e de um hora para outra, já no início da narrativa, “está caindo”.  Vale dizer que a linguagem aqui é seu ponto de inflexão maior. Ao usar o caindo  como expressão de um fato e para uma forma verbal - cair - que,  pelo sentido que carrega, supostamente não lhe permite um gerúndio, o narrador acaba por ressaltar o poder demiúrgico da palavra. “Aquele gerúndio era um desmando nas graves leis da gravidade: quem cai já caiu” (p.15).  Com este conto Mia Couto demonstra que a palavra que rege (e mesmo é forma enformante) o mundo e o constitui também é capaz de colocar em xeque as próprias leis fechadas dos sistemas, a começar pelo da própria linguagem. E Zuzé Neto flutua no ar, “como água real”, caindo para cima ,...