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Poesia, de Alberto Caeiro

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Por Pedro Belo Clara Embora o real autor em causa seja um dos que tem o conjunto da sua obra mais digerido e esmiuçado pelo leitor lusófono, tanto que por vezes parece roçar o arriscado domínio dos “lugares-comuns”, a verdade é que um conhecimento superficial sobre certas temáticas não se poderá equiparar a uma avaliação mais demorada sobre as mesmas, ainda que se evite cair em extremos pouco proveitosos. Assim, com o intuito de clarear alguma visão mais toldada, ou simplesmente colocar “nomes em percepções somente ao leve percepcionadas”, se elegeu este valioso trabalho compilatório da “dispersa globalidade” que Caeiro produziu. A edição em causa, do livro que se pretende mais introduzir ao leitor do que propriamente analisar, remonta a 2001 e foi dada aos prelos sob a chancela da Assírio e Alvim. Na verdade, esta editora muito recentemente levou a cabo novos esforços de reeditar muitos dos trabalhos assinados por Pessoa e seus heterónimos, tornando-os, sob uma determin...

O mundo desnudo de um poeta - Octavio Paz

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Por Juan Cruz Abro alguns livros de Paz. São sua maneira de manifestar-se no mundo. Olhos azuis, camisas azuis, as mãos tranquilas passando as páginas como quem vira ondas. O mundo dos livros sabe mais; ele entrava como o feitor mexicano de palavras que eram mundos. O mundo de Paz, perfeito e nu. Apetite de Paz. Saio com calma. E com uma certeza: seu estilo era a inteligência do estilo. Libertad bajo palabra . Aspirava a Deus, a sê-lo. “Invento à véspera, a noite, o dia seguinte que se levanta em seu leito de pedra e recorre com olhos limpos um mundo penosamente sonhado”. Inventava a queimadura e o grito, “a masturbação nas latrinas”; o risco surrealista que compartilhou até aqui combinado com a inteligência; para fazer poesia se necessita intuição e raiva, imagem. “Fecha os olhos e perde-te na escuridão/ sob a folha de tuas pálpebras”. Isto é, por sua vez, palavra e arquitetura, o som da escultura que Paz vai despertando e que habita no interior das palavras. “Afunda ne...

Boletim Letras 360º #58

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Capa da 22ª edição da Revista Blimunda , projeto da Fundação José Saramago. Chegamos ao último fim de semana do mês de março. E ainda se acumula aqui numa parte da redação deste blog uma pilha considerável de leituras que já deveriam ter saído: Ondjaki, Mia Couto, Rodrigo Lacerda, Herta Müller, Elizabeth Bishop, Nuno Camarneiro, João Tordo, Leonardo Chioda, Antonio Geraldo Figueiredo... E há mais! Mas, paremos! Chegaremos ao tempo de cumpri-las (temos fé nas Letras e no tempo). Até agora tem dado certo; embora, nos últimos dias tenham se multiplicado as atividades e entre essas leituras tenham se instalado. E há também outras leituras além das literárias a serem feitas. Enquanto essas leituras não se concretizam, vamos voltar ao início da semana para rever aquilo que a correria do tempo não nos permitiu acompanhar em nossas notícias na página do Facebook. Para que os leitores não se surpreendam, esta foi a semana mais portuguesa de todas! Verão já por que. Segunda-feira,...

Fragmentos de um monólogo saudoso: uma leitura do simbolismo em Movimento perpétuo

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                                                                                              Por Daniel Miranda da Silva Fiama Hasse Pais Brandão.  A novela poética Movimento perpétuo  de Fiama Hasse Pais Brandão olha para dentro, descrevendo a vida e o universo de seus personagens a partir do interior, traçando o entorno e as ações deles como quem descreve a visão de alguém que sonha. Esse fato já sugere uma leitura simbólica da obra, mas é apenas um dentre outros fatores, que podem ser enumerados da seguinte forma: 1) No prefácio, os nomes dos personagens são tratados como uma amostra da essência deles, como se dissessem quem o personagem é e que papel ele desempenhará na história; 2) A interação dos personagens com aquilo que os ...

Trapaça, de David O. Russell

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De alguma maneira, a crise por que atravessa o capitalismo enquanto modelo social, sua insustentabilidade e os indicativos de falência – ou as causas da falência – têm servido de mote para parte das narrativas cinematográficas do final de 2013 e início de 2014 produzidas por Hollywood. Se fizermos uma leitura panorâmica pelos filmes que comentamos aqui nessa safra logo localizaremos uma amostra significativa: O Lobo de Wall Street , injustamente esquecido pela Academia na última edição do Oscar; Capitão Phillips ; Blue Jasmine ; e Trapaça , de David O. Russell, autor do patético O lado bom da vida . O filme de agora funciona como uma espécie de redenção, incorporando algumas lições caras ao cinema hollywoodiano, como uma boa história, ainda que os diálogos fiquem sempre a desejar. Além disso, O. Russell parece colocar de lado o romance açucarado e investir numa história mais próxima do empírico – revestida de um humor decente, uma pitada de tragédia, doses de neurose e uma crí...

Uma novela (de humanidade) exemplar

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Por Thiago Gonzaga O clássico autor argentino Jorge Luis Borges dizia que o livro era o mais espetacular dos instrumentos utilizados pelo ser humano, pois ele atua como uma extensão da memória e da imaginação. O escritor Marcos Medeiros, com sua nova obra, faz jus a esta famosa citação. Com muita criatividade e domínio, ele criou uma história cativante e envolvente que demonstra tanto a utilidade quanto a função humanizadora da literatura em nossas vidas. Como toda manifestação artística, a literatura acompanha a trajetória humana, e por meio de palavras, ela constrói mundo familiares, em que pessoas semelhantes a nós vivem problemas idênticos aos nossos. É a narrativa do jovem Felisberto, que desde que nasceu enfrenta os entraves da vida. A obra literária, neste caso o livro Aflições de um sonhador , também exprime, pela criação ficcional, reflexões e emoções que parecem ser tão nossas quanto as de quem registrou. Aflições de um sonhador têm várias passagens qu...