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O Balzac brasileiro de um húngaro

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Por Alfredo Monte A 4ª. edição de Balzac e A Comédia Humana 1 , de Paulo Rónai (1907-1992) reapareceu na esteira do relançamento dos 17 volumes de traduções da obra balzaquiana que ele coordenou nos anos 1940-50. Há todo um charme recôndito no pequeno volume, no qual o húngaro, que viveu no Brasil boa parte da sua existência, destila sua íntima convivência com os textos do autor de A Comédia Humana e nos faz relevar os aspectos datados, quiçá superados, das suas análises, principalmente as literárias, pois se o texto de Rónai é um manancial de informações valiosas e de conhecimento de primeira mão, por vezes soa esquemático demais, professoral e “quadradinho” (por exemplo, nele se fala em  “qualidades típicas do espírito francês”, em “ilustre gentil-homem”— e ele não está falando de um personagem de Balzac, não, mas de um estudioso de sua obra!; há também afirmações genéricas do tipo: “A Comédia Humana presta-se a todas as interpretações”). Como atualmente constata-...

Quando a pintura vai buscar diálogo com a poesia - Carlos Drummond de Andrade e Yara Tupynambá

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Por Pedro Fernandes Já outro dia examinamos por aqui o lado oposto desta relação, isto é, quando a poesia vai buscar diálogo com a pintura . E também a partir de obra de Carlos Drummond de Andrade. Trata-se de “Quixote e Sancho” poemas publicados em  As impurezas do branco e as ilustrações de Cândido Portinari. Agora, em questão, o extenso poema narrativo “A mesa”. O texto ganhou uma versão com imagens a partir do trabalho pictórico de Yara Tupynambá. O poema foi publicado pela primeira vez em 5 de fevereiro de 1951 como livro editado pela Hipocampo e ilustração de Eduardo Sued. O livro de páginas soltas teve uma tiragem curta, apenas setenta exemplares numerados e assinados pelo autor. No mesmo ano, “A mesa” foi incluído no livro Claro enigma , editado pela José Olympio. Carlos Drummond de Andrade, o de braços cruzados em pé à esquerda, acompanhado da família com parte dos irmãos. A foto é de 1915. O tema central do poema é a família do poeta. De ún...

Turismo (Trabalho Poético), de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Não seria caso singular, no que a esta rubrica diz respeito, o facto de se apresentarem, num só artigo, duas obras de um mesmo autor. Recordo que, meses atrás, um igual método foi utilizado na apresentação de dois trabalhos poéticos de Eugénio de Andrade. Acontece que, apesar da sua aparente brevidade, acrescida da condensação temática e do estilo maioritariamente concreto, todo o sentido dessa hipotética “anexação devidamente individualizada” dilui-se quando se empreendem os primeiros passos do processo analítico. Assim sendo, apresentar-se-ão aqui, neste espaço, e com a merecida propriedade, os dois primeiros livros de poesia editados por Carlos de Oliveira, embora separados pela habitual semana de intervalo entre publicações. A razão que sustentou a escolha das primeiras (e não das derradeiras) obras verificar-se-á, estou certo, no desenrolar do artigo, mas poderei desde já adiantar a intenção de muito em breve dar destaque aos seus trabalhos mais tar...

Boletim Letras 360º #60

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Fotograma de um estômago? Alguém engoliu filmes de máquina fotográfica e fez isso. Leia mais sobre neste boletim. Enquanto desenhamos já a próxima semana para o blog, fica o que foi notícia nesta que finda hoje. Num intervalo de tempo sempre fazemos questão de lembrar aos leitores (principalmente os novos que chegam por aqui) sobre a função deste BO. Diariamente editamos notícias sobre Literatura, Artes e Comportamento – eixo deste blog; essas notícias são filtradas das mais diversas mídias e são publicadas aquelas que melhor se aproximam do que já foi tema (ou poderá ser em breve) no aqui no Letras. Os mecanismos do Facebook – onde essas notícias são publicadas – nem sempre colocam os leitores diante das postagens. Uma vez publicadas aqui, num só lugar, essas notícias ganham mais uma semana para adiante de visibilidade. O que não queremos mesmo é que nossos leitores fiquem desinformados. Vamos, então? Segunda-feira, 07/04 >>> França: 7 milhões de euros pelo...

Pequenas rotinas, grandes mentes (Parte 2)

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Esta pose noir  de galã é só pose. Hemingway tinha preferência por escrever em pé. Facilitava a circulação de ideias. Há aproximadamente um mês publicamos uma matéria aqui acerca da rotina (algumas delas nada convencionais) de algumas mentes brilhantes – em parte, de nomes da Literatura – no trato com a produção escrita. O tema foi motivo para um trabalho extenso de catalogação feito pelo jornalista Mason Currey; daí, pela quantidade de situações apresentadas, ficou acordado que voltaríamos ao assunto para adiantarmos (ou melhor, bisbilhotarmos) um tanto mais sobre a vida íntima de alguns nomes importantes. Adiantamos que isso não tem nenhum efeito literário se não o da curiosidade. Mas, juramos, não tornaremos este espaço numa Ti-ti-ti . Já findamos por aqui esse catatau de situações íntimas. Quem quiser mais que corra à procura noutros espaços. 1. O primeiro da lista é Ray Bradbury, o autor de As crônicas marcianas e A cidade inteira dorme também escreveu até uma obra ...

Noé, de Darren Aronofsky

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Há dois motivos possíveis que podem justificar a corrida do público brasileiro para ver este filme: estatisticamente ainda somos um dos povos mais religiosos do mundo, se não formos o mais. Mesmo a Igreja Católica tendo estado cada vez mais a perder fiéis à banca rota, não se verifica um abandono da religião, mas uma debanda para correntes até mais retrógradas e conservadoras com é caso das Igrejas Evangélicas. As duas presenças religiosas têm apreço pelo mito de fundação da comunidade humana tal como narram os livros que compõem o Antigo Testamento da Bíblia. Se os desse grupo conseguissem se despir do véu ideológico que os cegam, veriam que bem, o filme de Darren Aronofsky não parece ter tanto interesse assim em se manter fiel ao relato bíblico. Embora todos os elementos do Gênesis aí se mostrem. O diretor, aliás, aposta na ideia do pecado que resultou na expulsão do casal mítico do paraíso para alinhavar toda sua história, e preserva outras situações como a presença dos...