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A lamentável leveza da morte

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Por Rafael Kafka Gabriel García Márquez, aplicado às letras desde quando jornalista. Dessa dedicação brotou obras clássicas como Cem anos de solidão . Lembro-me de um professor meu, em meus tempos de cursinho, no Centro Federal de Educação e Tecnologia do Pará (CEFET/PA) em 2007, apresentando para mim um livro de título bem singelo: Memórias de minhas putas tristes . Lembro igualmente de outro professor, no mesmo recinto, dizendo que não entendia como aquele autor conseguira ganhar o Prêmio Nobel de literatura. Eu levaria sete anos para comprar o livro e deixá-lo me esperando na prateleira improvisada de meus livros. Levaria um pouco menos, seis anos, para comprar o maior clássico de Gabriel García Márquez , Cem anos de solidão , que seria dele a primeira leitura feita por mim. No excelente prefácio de Eric Nepomuceno, uma cena a qual eu adoraria ter vivido: a do jovem tradutor encontrando o seu mestre e criando uma rara e profunda relação de amizade com o mítico escrito...

O rei se inclina e mata, de Herta Müller

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Por Pedro Fernandes Quando Herta Müller ganhou o Prêmio Nobel em 2009 até seu nome me era desconhecido, embora já circulasse no Brasil algumas traduções de livros seus. Resisti certo tempo em buscar a leitura de sua obra, por razões diversas, mas cito ao menos duas delas: o interesse pelas literaturas de expressão portuguesa, cuja formação acadêmica me exige, e o tempo escasso para permitir a entrada de outros nomes em meu cânone particular. Sobre esta última, basta ter uma dimensão do que é a literatura dos cinco países falantes do português para se dar conta que, ainda que eu tivesse todo o tempo do mundo, nunca irei contorná-lo. Mas, o encontro com obras da escritora romena nas várias idas às livrarias após sua premiação e a leitura de uma crítica qualquer, esparsa e vulgar, dessas que sai com frequência nos ditos cadernos de cultura que circulam no Brasil sempre me mantiveram um alerta de que há algo na obra de Herta que quase me obriga a ler alguma coisa dela. Já ...

O Balzac brasileiro de um húngaro

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Por Alfredo Monte A 4ª. edição de Balzac e A Comédia Humana 1 , de Paulo Rónai (1907-1992) reapareceu na esteira do relançamento dos 17 volumes de traduções da obra balzaquiana que ele coordenou nos anos 1940-50. Há todo um charme recôndito no pequeno volume, no qual o húngaro, que viveu no Brasil boa parte da sua existência, destila sua íntima convivência com os textos do autor de A Comédia Humana e nos faz relevar os aspectos datados, quiçá superados, das suas análises, principalmente as literárias, pois se o texto de Rónai é um manancial de informações valiosas e de conhecimento de primeira mão, por vezes soa esquemático demais, professoral e “quadradinho” (por exemplo, nele se fala em  “qualidades típicas do espírito francês”, em “ilustre gentil-homem”— e ele não está falando de um personagem de Balzac, não, mas de um estudioso de sua obra!; há também afirmações genéricas do tipo: “A Comédia Humana presta-se a todas as interpretações”). Como atualmente constata-...

Quando a pintura vai buscar diálogo com a poesia - Carlos Drummond de Andrade e Yara Tupynambá

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Por Pedro Fernandes Já outro dia examinamos por aqui o lado oposto desta relação, isto é, quando a poesia vai buscar diálogo com a pintura . E também a partir de obra de Carlos Drummond de Andrade. Trata-se de “Quixote e Sancho” poemas publicados em  As impurezas do branco e as ilustrações de Cândido Portinari. Agora, em questão, o extenso poema narrativo “A mesa”. O texto ganhou uma versão com imagens a partir do trabalho pictórico de Yara Tupynambá. O poema foi publicado pela primeira vez em 5 de fevereiro de 1951 como livro editado pela Hipocampo e ilustração de Eduardo Sued. O livro de páginas soltas teve uma tiragem curta, apenas setenta exemplares numerados e assinados pelo autor. No mesmo ano, “A mesa” foi incluído no livro Claro enigma , editado pela José Olympio. Carlos Drummond de Andrade, o de braços cruzados em pé à esquerda, acompanhado da família com parte dos irmãos. A foto é de 1915. O tema central do poema é a família do poeta. De ún...

Turismo (Trabalho Poético), de Carlos de Oliveira

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Por Pedro Belo Clara Não seria caso singular, no que a esta rubrica diz respeito, o facto de se apresentarem, num só artigo, duas obras de um mesmo autor. Recordo que, meses atrás, um igual método foi utilizado na apresentação de dois trabalhos poéticos de Eugénio de Andrade. Acontece que, apesar da sua aparente brevidade, acrescida da condensação temática e do estilo maioritariamente concreto, todo o sentido dessa hipotética “anexação devidamente individualizada” dilui-se quando se empreendem os primeiros passos do processo analítico. Assim sendo, apresentar-se-ão aqui, neste espaço, e com a merecida propriedade, os dois primeiros livros de poesia editados por Carlos de Oliveira, embora separados pela habitual semana de intervalo entre publicações. A razão que sustentou a escolha das primeiras (e não das derradeiras) obras verificar-se-á, estou certo, no desenrolar do artigo, mas poderei desde já adiantar a intenção de muito em breve dar destaque aos seus trabalhos mais tar...

Boletim Letras 360º #60

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Fotograma de um estômago? Alguém engoliu filmes de máquina fotográfica e fez isso. Leia mais sobre neste boletim. Enquanto desenhamos já a próxima semana para o blog, fica o que foi notícia nesta que finda hoje. Num intervalo de tempo sempre fazemos questão de lembrar aos leitores (principalmente os novos que chegam por aqui) sobre a função deste BO. Diariamente editamos notícias sobre Literatura, Artes e Comportamento – eixo deste blog; essas notícias são filtradas das mais diversas mídias e são publicadas aquelas que melhor se aproximam do que já foi tema (ou poderá ser em breve) no aqui no Letras. Os mecanismos do Facebook – onde essas notícias são publicadas – nem sempre colocam os leitores diante das postagens. Uma vez publicadas aqui, num só lugar, essas notícias ganham mais uma semana para adiante de visibilidade. O que não queremos mesmo é que nossos leitores fiquem desinformados. Vamos, então? Segunda-feira, 07/04 >>> França: 7 milhões de euros pelo...