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Por outros meandros da Geração Beat

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Peter Orlovsky e Allen Ginsberg na Índia. Quando Allen Ginsberg chegou à Índia com seu companheiro, Peter Orlovsky, em 1961, para passar 15 meses, havia acabado de publicar Kaddish , um extenso poema dedicado à sua mãe que já havia morrido; o poema é sua obra-mestra e algo mais: o testemunho de que havia deixado de ser uma criança e que, portanto, tem que fazer algo para merecer uma idade adulta, que necessita estar à altura de seus objetivos. Esses objetivos, claros desde que William Blake lhe falara há uma década, numa visão que marcou o resto de sua trajetória literária e existencial, não eram outros que converter-se na “voz das multidões” e em “um santo”. A Índia tinha que ajudar-lhe nisso, tornando-o um mestre e modificando sua percepção da realidade. Também lhe falando em outro tom da morte: a de sua mãe, que levou toda sua vida morrendo por causa das suas desordens mentais, e a do próprio filho, que parecia aos olhos dela como um fantasma preso nas drogas, nos amant...

Um grão de trigo, de Ngũgĩ wa Thiong’o

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Por Pedro Fernandes O que mais poderá tocar um leitor na literatura de matriz africana é sua diversidade. Qualquer um que se aventurar ensaiar uma breve incursão que seja por este vasto território logo será tomado por essa impressão. A chegada ao Brasil da obra de Ngũgĩ wa Thiong’o vem novamente reforçar essa certeza; é supostamente a primeira vez que é publicada por aqui a obra de um escritor do Quênia, ao menos com essa consistência. A entrada das chamadas letras periféricas traz alguns sinais que, se o mercado editorial não terá pensado porque está (infelizmente) mais interessado nos lucros, merecem ser lembrados em ocasiões como estas: a necessidade de formar leitores abertos à recepção de outras culturas e, obviamente, inscrever outras literaturas no chamado cânone literário. Ao referir-se ao interesse capital do mercado editorial sobre obras como a de Ngũgĩ wa Thiong’o este texto compreende que elas só chegam aqui porque o autor ultrapassou já uma longa ...

Os contos completos de Liev Tolstói

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Por Pedro Fernandes A editora Cosac Naify destacou-se no mercado editorial brasileiro por ambiciosos projetos de edição. É fato que sua existência entre nós talvez se deva à formação de profissionais qualificados nos vários setores da cadeia do livro e com outra maneira de enxergar este objeto, ainda que, os leitores estejamos presos entre condições paupérrimas: somos poucos e extensa a miséria financeira oprime ampla maioria o consumo de obras como as publicadas pela casa de Charles Cosac.   Três anos depois do belíssimo projeto que trouxe ao Brasil, pela primeira vez, uma tradução direta do russo de Guerra e paz , obra-prima da literatura russa, a casa anunciou em seu site a chegada de outro grande feito: os contos completos de Liev Tolstói. A proeza é graças ao mesmo Rubens Figueiredo, quem, muito antes do monumental romance publicado em 2012, já se destacara entre os nomes de uma geração de exímios tradutores de literatura russa. O projeto de agora levou pouco mais de três anos...

Quem tem medo de Agatha Christie?

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Agatha Christie em sua casa em Devon, 1974. Foto: Lord Snowdown Em 1961, a Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) reconheceu que Agatha Christie era a autora da obra mais lida do século XX. Tantos anos depois, a julgar pelo ritmo, ela ainda tem chances de repetir o feito, visto que, as recordes não param de ser superados.  Deixou uma bibliografia que vale por uma biblioteca inteira, são 81 romances de cunho policial, e há ainda os livros de contos, as peças para o teatro, os romances não-policiais e os livros de memórias. Essa extensa obra tem alimentado uma geração diversa de leitores – dos iniciantes aos que mesmo estando noutro estrato de leitura nunca perderam a chance de fazer uma visita (depois de passar por sua obra) e respeitá-la – e também de detratores que demonstram a artificialidade dos seus enigmas, a mecânica fajuta de suas narrativas ou o conservadorismo ideológico que tem a atmosfera de suas narrativas e suas personagens.   Se tud...

Um itinerário para o Livro do desassossego

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Por Cláudia Sousa Um dia talvez compreendam que cumpri, como nenhum outro, o meu dever-nato de intérprete de uma parte do nosso século; e quando o compreendam, hão-de escrever que na minha época fui incompreendido, que infelizmente vivi entre desafeições e friezas, e que é pena que tal me acontecesse. E o que escrevi isto será, na época em que o escrever, incompreendedor, como os que me cercam, do meu análogo daquele tempo futuro. Porque homens só aprendem para uso dos seus bisavós, que já morreram. (Fragmento do Livro do Desassossego , composto por Bernardo Soares) Da epígrafe à referência podemos questionar sobre que livro é este composto “por” Bernardo Soares? Por que não “O livro do desassossego”? Asseguramos que a questão, aparentemente despropositada, nos arremessa para um livro sem fim, sem fronteiras e que não fecha. Desse modo, o artigo definido implicaria toda a intenção para o título dessa grande obra pessoana, que já prenuncia, desde o título, a conce...

Boletim Letras 360º #134

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É sempre com satisfação que regressamos a cada sábado, um pouco cada vez mais velhos, mas satisfeitos com o trabalho que vimos desempenhando na divulgação sobre a literatura, o universo do livro e adjacências. Isso em todos os canais que podemos firmar para estar próximos dos leitores; no Facebook, onde o público é maior, a presença tem sido mais intensa também. E essa presença que faz com que retornemos sábado a sábado para organizar essas informações passadas aos nossos leitores. Gabriel García Márquez sempre foi amigo muito próximo de Fidel Castro. A relação entre os dois pode ter sido o motivo para a espionagem dos Estados Unidos sobre o autor de Cem anos de solidão . Saiba mais ao longo deste boletim. Segunda-feira, 07/09 >>> Brasil: Nos 70 anos de Chico Buarque falamos sobre a edição de um filme sobre a vida e a obra do compositor e romancista brasileiro. Pois bem, a boa nova é que está quase pronto e chega aos cinemas até o final do ano Chico: artis...