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Boletim Letras 360º #191

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Para que ninguém acuse Dylan de não ser escritor :) O artista ante a máquina de escrever. Esperamos uma semana a mais para sabermos qual o nome do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2016 e aí está: Bob Dylan. A escolha tem sido motivo de discussão diversa na web . Não entraremos em debate - por enquanto. Esperemos os ânimos ganharem alguma calma. Fora isso, novamente chamamos atenção dos nossos leitores para participar da promoção que está online em nosso Facebook - o lugar de onde recolhemos essas notícias que agora dão forma a mais uma edição deste Boletim.  Segunda-feira, 10/10      >>> Brasil: A leitura como terapia Lido no momento certo, um livro pode mudar sua vida. É o que acreditam Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras de Farmácia literária , livro que chega ao Brasil pela Verus Editora. Trata-se de um catálogo com mais de 400 indicações de títulos para curar males diversos: da depressão a coração partido. Para criar esta ...

Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro

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Por Rafael Kafka Na tradição literária, sabemos que o épico origina o romance em um processo complexo que para ser explicado exige mais espaço e base intelectual do autor desta pequena post. Mas basicamente, podemos dizer que o épico é o primeiro exemplo mais claro de narrativa dentro do campo literário que se volta para uma questão mais temporal, enquanto o drama foca mais nas ações das personagens. O épico narra fatos heroicos e se passa, como bem mostra Lukacs em A teoria do romance , em um mundo no qual existe harmonia entre o indivíduo e o universo no qual reside. O romance já se configura como gênero em uma Europa saída da Idade Média e começando a ter as crises de identidades que marcarão a história da civilização ocidental desde então. Ao contrário das epopeias, o romance se dá em um plano mais individualizado, servindo de expressão ao universo pessoal de um sujeito de carne e osso, que por ter em sua essência a identidade entre escritor e herói ou não. De qualquer...

Novos traços da última poeta maldita

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Por Inês Martin Rodrigo Era noite, embora sempre seja na escuridão da alma. Não fazia muito frio, mesmo o clima em Buenos Aires no mês de setembro sempre ser severo. O dia anterior havia chovido e as ruas ainda conservavam a umidade do temporal. Alejandra Pizarnik (1936-1972) fazia horas deitada na cama fumando um cigarro depois de outro. Logo, se levantou, alisou o cabelo emaranhado pela modorra, apagou a última bituca no cinzeiro de sua mesa e caminhou, pausadamente, até o quarto de trabalho no apartamento que tinha em Buenos Aires, no edifício de Montevideo 980. Aí, pegou um giz e escreveu alguns versos no quadro-negro que tinha no local: “Não quero ir nada mais que até o fundo”. Foi o último rastro que a poeta deixou e só o encontraram apenas uma semana depois. Na madrugada de 25 de setembro de 1972, Pizarnik ingeriu uma overdose letal de barbitúricos e morreu. Acudiu-lhe uma amiga, que a levou já sem vida, ao Hospital Pirovano. A morte, tantas vezes insultada p...

Nobel 2016: para o Philip Roth africano

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Por Javier Rodríguez Marcos Ngũgĩ wa Thiong’o , o africano sempre cotado ao Prêmio Nobel quando os apostadores lembram da injustiça da Academia sueca com aquele continente. Neste dia 13 de outubro todos saberão quem ganha o Prêmio Nobel de Literatura – um galardão que a cada ano produz um maremoto de especulações estimuladas em grande parte por dois sentimentos: o narcisismo e o nacionalismo. É o narcisismo que faz com que no instante seguinte da premiação uma porção de leitores lamentem que não tenha ganhado nosso escritor nova-iorquino favorito. A satisfação de dizer “eu vi primeiro” é quase maior que a curiosidade por descobrir um novo autor cujo nome sequer sabemos pronunciar. Às vezes, com o pecado vem a penitência. Cuidado com desejar que ganhe quem mais você goste: o desejo pode não se cumprir e levar nosso candidato a durante doze meses ser condenado a receber honoris causa ou não escrever mais manifestos contra Donald Trump.   O segundo fator...

Saint-Exupéry inédito

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Por José María Plaza Os encontros de O pequeno príncipe – “Este é um planeta diferente”, disse para si o pequeno príncipe enquanto viajava. Havia ido direto do deserto até o Himalaia. Desejava há tanto tempo conhecer uma montanha de verdade! Possuía três vulcões, mas chegavam aos seus joelhos. Apoiava-se frequentemente sobre o que estava adormecido, mas apenas lhe servia de assento. – “De uma montanha alta como esta montanha – disse –, poderia ver toda a humanidade de uma vez”. Mas não viu nada, só picos de granito bem afiados e grandes destacamentos de terra amarela. Se reunisse todos os habitantes deste planeta um ao lado do outro, apertados como numa plateia, os brancos, os amarelos, os negros, as crianças, os velhos, as mulheres e os homens sem esquecer um só, a humanidade caberia inteiramente em [ palavra ilegível ] da ilha de Long Island. – Se buscas um mapa-múndi escolar e perfuras com uma agulha, a humanidade se abrigaria toda ela na superfície deste orifício de ag...

Natália Correia: um sopro de liberdade na poesia portuguesa

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Por Maria Vaz Confesso aquilo que o ‘dever ser’ evitaria: não sabia bem sobre quem escreveria desta vez. Contudo, há sempre qualquer coisa de correspondência anímica que nos envia para aquilo que amamos em alguém. A inconvencionalidade que só tem quem é tocado pela liberdade. Uma liberdade que é amor. Um amor abstracto e nada mesquinho. Pelos Direitos Humanos. Pela emancipação feminina. Pela preocupação com genuinidades, e não com o politicamente correcto: que nunca é para nós, mas para o que os outros possam pensar; que, paradoxalmente, não é altruísmo de nenhum tipo, mas egoísmo e vaidade. Enfim. Para quem passe os olhos pela biografia de Natália Correia torna-se facilmente visível o brilho ontológico que carregava consigo: um brilho que a perseguia em palavras ordenadas em estrofes ou, simplesmente, na liberdade que a sua existência sempre exalou. Era uma existencialista. Uma rebelde. Não lhe chamemos poetisa, afinal sempre defendeu que a poesia era assexuada. A sua exa...