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Mostrando postagens de outubro 16, 2026

Azul e dura, de Beatriz Bracher

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Por Gabriella Kelmer   Beatriz Bracher. Foto: Eduardo Knapp Quando os tempos são contrários, não raras vezes a literatura possibilita nosso contato com um escapismo tão inteiriço quanto é a submersão — exclusiva ao texto — ministrada pela linguagem. A obra literária pode sublimar a existência ao reduzir a acústica da realidade imediata, como meio legítimo de virar as costas ao abismo que se aproxima. O outro caminho é contrário e corresponde ao confronto com o presente, o que é potencializado pela singularidade da obra, repartida, muitas vezes, entre o dado estético e a especificidade com que a produção se vincula à realidade. Ler é epifânico também quando se evidenciam os retalhos das nossas circunstâncias, quando se dinamizam alguns dados históricos, políticos, sociológicos. Sendo indevido reduzir a esse escopo o fato literário, é igualmente discorde ignorar que a obra absorve e digere em alguma medida a realidade, reestruturando-a. Tendo precisado da primeira estratégia em algun...