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Boletim Letras 360º #236

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No dia 3 de setembro a página do Letras no Facebook realiza mais um sorteio: Os Bruzundangas / Numa e ninfa , de Lima Barreto, edição especial da Editora Carambaia. O livro foi escolhido depois do resultado da votação realizada no grupo também na mesma rede social. Então, interessados em dar uma chance à sorte, basta nos visitar e seguir as metas necessárias e, claro, fazer sua inscrição. Nos 30 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade, uma edição especial recupera diários do poeta. Segunda-feira, 21/08 >>> Brasil: Novo livro de Milton Hatoum deve sair em outubro Nos últimos dois anos sempre a mesma expectativa: a publicação do novo romance de Milton Hatoum. Mas, agora, parece que vai. A notícia foi divulgada no jornal “Folha de São Paulo” de que a Companhia das Letras publicará a obra em outubro. “O lugar mais sombrio” é uma trilogia que se passa em três lugares diferentes: o segundo será em São Paulo e o terceiro, em Paris. A narrativa cobre pelo...

Coisas que não quero saber, de Deborah Levy

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Por Fernanda Fatureto A escritora sul-africana Deborah Levy esteve na Festa Literária Internacional de Paraty 2017 e apresentou Coisas que não quero saber publicado pela Autêntica Editora. Também sua mesa na Flip, dividida com o escritor e surfista William Finnegan, teve um público considerável. Deborah Levy tinha, antes da Flip, apenas um livro traduzido no Brasil – Nadando de volta para casa , romance editado pela Rocco em 2014. Toda essa curiosidade pelo universo de Levy se dá, em parte, pela temática: Coisas que não quero saber é uma resposta ao ensaio Por que escrevo , de George Orwell, escrito entre 1928 e 1949. Uma resposta pela perspectiva da mulher e em diálogo com algumas escritoras que antecederam, em seus discursos, o movimento feminista como Simone de Beauvoir e Virgínia Woolf. De Woolf, mais especificamente o ensaio Um teto todo seu, de 1929, numa época em que era raro uma mulher frequentar as universidades na Inglaterra. Responder à questão “por que escr...

O deserto do amor, de François Mauriac

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Por Pedro Fernandes O que somos para nós? O que somos para os que são próximos a nós? E para aqueles que só sabem de nós pelo que os outros dizem de nós? O deserto do amor , de François Mauriac, uma história de amor, é também uma investigação sobre essas questões. A essas perguntas, numa certa ocasião, uma das personagens do romance, se vê entregue a um sofisma: “Assim que ficamos sós, somos loucos. Sim, o controle de nós próprio por nós próprio só funciona mantido pelo controle que os outros nos impõem”. Raízes da máxima existencialista que atribui ao outro o inferno de nós mesmos, a compreensão de Paul Courrèges, mantém diálogo com as indagações anteriores num ponto: nossa identidade nunca é definida como se um todo isolado, mas na relação entre nós e o mundo. Como François Mauriac se insere no amplo debate que nos compreende enquanto trânsito? Raymond Courrèges é um que se orgulha do fato de se bastar no mundo e de não desenvolver quaisquer tipos de apegos emocionai...

Onze filmes que tratam sobre a vida de pintores

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Por Javier Bilbao cena de Sede de viver , filme sobre a vida de Van Gogh Talvez não soe um tal Ricciotto Canudo, mas seguramente terão escutado numa infinidade de ocasiões a expressão “sétima arte”. Pois bem, foi este crítico italiano quem criou o termo em 1911 com seu Manifesto das sete artes . Pintura, música, escultura, arquitetura, dança e literatura – essas eram as artes que o cânone ocidental havia distinguido tradicionalmente e com um olfato bastante aguçado Canudo viu precocemente que o cinema estava destinado a unir-se a elas. Mas não uma a mais, mas englobando-as. “Necessitamos do cinema para criar a arte total o que, desde sempre, teve todas as artes. A Sétima Arte concilia desta forma todas as demais”. Não era nada demais o que planejava. Finalmente o cinema incluiu a música e desde então suas origens e raro é o filme que não precisa de uma trilha sonora; a dança ganhou presença a todo um gênero que com La La Land parece revitalizar-se e não obra literária mi...

Denise Levertov, poeta e algo mais

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  Por Natalia Carbajosa Figura imprescindível da poesia e da crítica estadunidense do século XX, Denise Levertov (Reino Unido, 1923 – Estados Unidos, 1997) é conhecida em nosso idioma quase exclusivamente como poeta e isso só de maneira parcial já que só é possível encontrar partes dos poemas dos dezenove livros publicados entre 1946 e 1999 em esparsas antologias.  Poeta precoce, educada em casa num ambiente de grande estímulo espiritual, social e literário (seu pai, Paul [Pavel] Levertoff, era pastor anglicano de origem judaica; sua mãe, Beatrice Spooner-Jones, cristã galesa), aos doze anos se “atreveu” a enviar a T. S. Eliot um conjunto de poemas, quem lhe respondeu encorajadoramente; casada com o escritor estadunidense Mitchell Goodman, em finais da década de 1940, ambos se instalaram em Nova York.  Logo abandonou o estilo do novo romantismo inglês, ao qual pertence o seu primeiro livro, The Double Image , para empapar-se das vanguardas poética...

Abismo, brilho, destino e vento

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Por Justo Navarro Sem precisar de bússolas, viajamos a bordo de uma nave que gira a mais de 100.000 quilômetros por hora ao redor do Sol: Terra é o nome da nave. Quem assim o faz é Rumford em The Sirens of Titan , um romance de ficção científica de Kurt Vonnegut. Mas, antes de nossa era, o filósofo épico Lucrécio comparou os recém-nascidos com náufragos, marinheiros jogados à costa por uma forte tempestade marítima. “Há 200 milhões de anos deixamos o mar e isso precisou ser um acontecimento traumático do qual não nos recuperamos”*, diz uma das personagens de O mundo submerso , de J. G. Ballard. Foi encontrado um remédio para o trauma: imaginar aventuras marítimas. Estou lendo Um ciclone na Jamaica , de Richard Hughes, um bom romance de 1929. Quando um furacão leva sua casa, os Bas-Thornton, ingleses numa ilha em ruínas depois da libertação dos escravos negros, decidem mandar seus dois filhos e suas três filhas para estudar em Londres. Os cinco caíram em poder dos pirat...