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Boletim Letras 360º #237

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Aqui estão as notícias que divulgamos durante a semana na página do Letras in.verso e re.verso no Facebook. Este espaço virtual, aliás, alcançou os 66 mil seguidores. Nós não temos outra coisa a dizer se não muitíssimo obrigado por esse carinho todo.  João Cabral de Melo Neto. Foto: Orlando Brito Segunda-feira, 28/08 >>> Brasil: Uma entrevista em grande parte inédita com João Cabral de Melo Neto ganhará edição em livro Trata-se da entrevista realizada pelo diretor Bebeto Abrantes para o documentário Recife-Sevilha  (2002), pouco antes da morte do poeta. Originalmente, o material tinha quatro horas e meia e foi condensado no filme de 52 minutos. Transcrita, a gravação resultou em mais de cem laudas. Aí estão frases como "Temos de escrever sobre copo de água, não emoção ou saudade". O título deve sair em 2018, pela Editora Autêntica. >>> Estados Unidos: A "Jacobean Traveling Library" remonta a 1617 é agora vista como uma prec...

O irmão Brontë e os outros esquecidos

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Por Alba Lara Uma coluna de cor ocre aparece pintada no centro do retrato das irmãs Brontë realizado pelo único irmão da família de escritoras, Patrick Branwell, em 1834. À primeira vista parece apenas um elemento da composição, mas segundo revelou um estudo da National Portrait Gallery de Londres, onde o quadro está guardado, Patrick rascunhou seu retrato, mudou de ideia e se escondeu por detrás do pilar. Este ano o oculto Branwell parece que se mostra ainda que brevemente: o Brontë Personage, museu em Yorkshire dedicado à família, celebra no marco de seu programa Brontë 200 o bicentenário do nascimento do único irmão varão das romancistas Emily, Charlotte e Anne com uma exposição que recupera parte de sua obra e de sua biografia. O certo é que é que no talento do jovem Patrick estavam postas todas as esperanças da família. Colaborou com suas irmãs na escrita de livros fantásticos para o público infantil. Alentado pelo poeta romântico Coleridge, traduziu as Odes de Horá...

Potnia, de Leonardo Chioda

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Por Pedro Fernandes Em diversas culturas a água se apresenta como a origem da vida. No mito bíblico sobre a criação do mundo, para citar ao menos uma dessas recorrências, se diz que no princípio de tudo só o espírito pairava sobre as águas. A filosofia de Tales de Mileto numa de suas primeiras formulações sobre a unidade de todas as coisas teria compreendido que tudo é água. E, mesmo a ciência, reitera que a origem da vida na terra se deu a partir de um único elemento e que este se formou e se transformou na água. Pela água também é que o homem se descobre homem. O encantamento de Narciso por sua imagem nos diz que pela água conseguimos pela primeira ver a nós mesmos ou o outro de nós. Eis então a primeira condição para a reflexão. Para a alteridade. Pela nossa imagem, desenvolvemos as primeiras compreensões sobre uma interioridade e uma exterioridade a nós. A água é um elemento de fora e de dentro de nós porque tanto participa de nossa composição químico-biol...

Graham Greene, paixão pelos sonhos

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Por Rafael Narbona Graham Greene foi um grande pecador obcecado pela santidade e pela virtude. Segundo a minuciosa e exaustiva biografia de Norman Sherry, The Liefe of Graham Greene , o escritor visitava sua amante Lady Catherine Walston, quando estava havia convidado a sua mansão um padre católico. Deste modo, podia cometer adultério e pedir imediatamente a absolvição por meio do sacramento da confissão. Apaixonado pelos excessos e o luxo, Greene visitou a China durante a Semana Santa de 1957. Antes de partir, escreveu às autoridades católicas irlandesas para oferecer seus serviços como espião num país que tratava sem contemplações os missionários. Seu propósito de servir à Igreja não o desviou de seus costumes. Pediu aos seus guias chineses que o ajudassem a conseguir ópio e lhe proporcionassem para sua companhia jovens mulheres que preenchessem a ingrata perspectiva de uma cama vazia. Afetado pelo transtorno bipolar, Greene fantasiou desde jovem o suicídio. Sua mort...

O “Lowry” que sobreviveu ao fogo

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Por Juan Tallón Malcolm Lowry em Tlaxcala, México. Foto: Raúl Ortiz As versões que alguns escritores escrevem algumas vezes de seus romances, como se não fosse possível concluí-los ou abandoná-los, podem ser uma salvação. Ninguém como o britânico Malcolm Lowry (1909-1957) para melhor falar sobre manuscritos perdidos e prodigiosamente encontrados depois. No dia 7 de junho de 1944, em sua cabana próximo à praia de Dollarton, no Canadá, costa do Pacífico, o escritor se levantou e logo enquanto preparava o café gritou: “Está queimando alguma coisa!” Ao sair de casa, viu o teto em chamas. Enquanto corria em busca de ajuda, Margarie Bonner (1905-1988), sua segunda companheira, salvou a maioria dos manuscritos, entre eles Debaixo do vulcão . Também resgatou os discos, mas não o fonógrafo. Os vizinhos a detiveram quando tentou salvar Rumo ao mar branco [título na versão portuguesa]. Era o mais extenso dos romances em realização de Lowry, quem havia começado a escrever uma dúzia...

Alguns dos melhores começos de romances

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Gabriel García Márquez, o escritor de começos memoráveis. Isto que agora mesmo você está lendo, a palavra que justamente agora está lendo e que colocada ordenadamente com as demais formam esta frase, a pausa que acaba de fazer nesta última vírgula e todo o percurso de letras que seus olhos seguem neste mesmo instante até este outro, é o último parágrafo que escrevi deste texto. Logicamente – continuo –, agora terei que refazer um pouco os seguintes para adaptá-los ao anterior. Sua compreensão leitora, no fim de tudo, só exige um mínimo de coerência. Faltaria algo mais.  Não é incomum. Salvo que alguém tenha realmente claro como vai contar o que vai contar, a redação de um texto não costuma ser uma viagem em linha reta da primeira à última palavra. Naipe, cavalo e rei. Normalmente há que voltar atrás variadas vezes, mudar de direção às vezes, tomar desvios imprevistos e inclusive desandar, como eu fiz, a primeira rota do caminho. Imagine as dimensões do caos ...