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“Andávamos sem nos procurar”, o filme de “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortázar

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Por Ivanna Soto O jogo da amarelinha nunca foi levado ao cinema. Mas se alguém se atreveu a render homenagem ao meio século de sua publicação a partir de sua transformação em imagens. A encarregada da empreitada foi Daniela Lozano com o curta-metragem Andábamos sin buscarnos (Andávamos sem nos procurar, excerto do romance de Cortázar) toma os capítulos 1, 2 e 7 – Do lado de lá e 93 – De outros lados –, alguns dos que tocam no amor entre Horacio Oliveira e a Maga e propõe um final alternativo com fragmentos de Reino crepuscular , de Daniela Lozano.     Dentre todas as possibilidades, escolhe mostrar o amor entre eles e não o de Talita, Pola ou Lilith. “Como se se pudesse escolher no amor, como se amar não fosse um raio que quebra os ossos e nos deixa paralisados no meio do pátio. Tu dirás que eles escolhem porque-a-amam; creio que é o contrário. Não se pode escolher Beatriz, não se pode escolher Julieta”, escreve Cortázar no capítulo 93. Em Andávamos sem...

Companheiros de viagem: J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: "O dom da amizade", de Colin Duriez

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Por Guilherme Mazzafera Ainda que a ominosa sombra do clichê paire constantemente sobre os resenhistas, digo sem peias que o lançamento de J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: o dom amizade , de Colin Duriez, pela HarperCollins Brasil, é um acontecimento. Não pelo livro em si, que já havia sido lançado pela Nova Fronteira em 2006. É um acontecimento por ser o primogênito de uma enorme lista de livros de e sobre Tolkien que a HarperCollins promete lançar ao longo dos próximos sete anos, incluindo a obra completa do autor, que continua a expandir-se quase anualmente. Nesta primeira publicação, nota-se o empenho em um belíssimo projeto editorial de ar austero, quase clássico (mas com toques modernos), atendendo à demanda do público por obras em capa dura, com tamanho padronizado e preço acessível. O que é verdadeiramente importante, no entanto, é que o leitor tem em mãos uma tradução de altíssima qualidade feita pelo principal tradutor de Tolkien entre nós, Ronald Kyrmse, amparada por...

O conto inédito de Ernest Hemingway que narra a libertação de Paris do nazismo

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Por Antonia Laborde Ernest Hemingway em fotografia de 1954. Dois anos depois escreveu o conto que agora é publicado pela primeira vez. Não importa que Ernest Hemingway tenha morrido há mais de meio século. O Prêmio Nobel de Literatura de 1954 ainda permite que seus seguidores descubram novas facetas de sua vida através dos textos. Há duas semanas foi apresentado em Paris seu conto inédito “A room on the garden side” (Um quarto ao lado do jardim, em tradução livre). O conto quase autobiográfico revela as proezas de um escritor na libertação da capital francesa em 1944. Aí o próprio onde foi correspondente e ao mesmo tempo parte da resistência.  The Strand Magazine foi a responsável pela publicação do texto cujo original de 15 páginas escrito a mão descansava silencioso havia décadas na Biblioteca John Fitzgerald Kennedy, de Boston, junto a outras três de suas narrativas curtas. No verão de 1956, Hemingway buscou inspiração em suas recordações da Se...

Boletim Letras 360º #288

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Estas foram as notícias que selecionamos e publicamos durante esta semana em nossa página no Facebook. Além de lembrar a leitora e o leitor do Letras sobre o papel desta publicação, queremos dizer que, muito em breve, realizaremos uma nova promoção. Então, fique atenta/o às nossas redes sociais. Boas leituras! Em 2019 deve ser publicada no Brasil a antologia mais completa com a poesia de Bertolt Brecht. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 20/08 >>> Brasil: Uma caixa reúne cem novelas do Decamerão Giovanni Boccaccio é considerado uma das grandes vozes do Renascimento italiano – ao lado de Dante e Petrarca – e, com O Decamerão , que inaugurou a prosa de ficção ocidental, foi capaz como poucos de canalizar um manancial de narrativas em uma estrutura complexa, mas ao mesmo tempo acessível e atrativa. As cem histórias desta obra monumental versam sobre os mais variados traços da vida humana, com suas riquezas e contradições, suas paix...

O Cofre de Guma e o discurso de um presidenciável em House of Cards: Mar Morto e Pesquisa Eleitoral

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Por Wagner Silva Gomes Joana de Oliveira Guerreiro   A geração modernista de 1930, marcada pelo romance social, legou ao país obras em que protagonizam personagens marginalizados mas que, de uma autenticidade popular foge ao padrão classe mediano da língua portuguesa tipo roupa social, que cabe bem em qualquer formalidade e informalidade. Da boca de personagens de pouca fala, muita reflexão, e muito vagar silencioso na procura de si, na alienação sincera; deles saíram frases lapidares que paradoxalmente podem se passar por pensamentos filosóficos. Indivíduos protagonistas de suas vidas, ao contrário da sociedade brasileira atual, em que é visível a existência de um bovarismo de classe, seja pela cultura eurocêntrica e estadunidense abrir um guarda-roupa de vestes, máscaras, frases e jeito de se portar, seja pelo sujeito não se ver na plenitude de si, no mais simples de seu ser, por baixa estima de etnia e de classe, por conteúdos de identidade que ao longo do temp...

A mesma fome, de Marize Castro

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Por Pedro Fernandes Algo nasceu agora sem raça, sem sexo. Possui uma alegria inolvidável. Está no mesmo patamar dos seres e das coisas que se dilatam e se aprofundam dentro de si mesmos. A tarefa mais ardilosa para o poeta que deixou de ser uma entidade sensível e suscetível às variações e virações das musas é a de existir. Quer dizer, não é que as musas tenham deixado o mundo pelo seu excesso de balbúrdia, mas o tempo da demasia deixou-nos um bocado mais alheios e céticos à suscetibilidade das entidades que noutro plano regem (de alguma maneira) nossa condição actancial de existir. Poetas de toda estirpe podem estar suscetíveis a isso. O preço que se paga por tanto não é só o levante dos individualismos – é a abolição dos sentidos, dentre eles, a possibilidade de abrir-se sensivelmente aos objetos de prazer, como a poesia, e a multiplicação do banal e da barbárie. Que no passado se condenassem os poetas pela mesma condição de marginais que uns pou...