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John Steinbeck muito além da ira e do Éden

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Por Roberto Breña Para Ale, razão porque Steinbeck é significativo; A René, por sua amizade “Sempre me pareceu muito estranho. As coisas que admiramos nos homens, bondade e generosidade, franqueza, honestidade, compreensão e sentimento são os elementos do fracasso em nosso sistema. E as características que detestamos, astúcia, ganância, cobiça, mesquinharia e egoísmo, são os fatores do sucesso. Enquanto os homens admiram as qualidades que citei, adoram o resultado das outras características.” John Steinbeck, A rua das ilusões perdidas Exceto As vinhas da ira   e Ao leste do Éden , os dois grandes romances de John Steinbeck (1902-1968), e duas de suas narrativas mais longas, Ratos e homens e A pérola , praticamente todo o resto da extensa obra desse autor é pouco conhecida e diria pouco lida. “Pouco lida” é uma expressão necessariamente subjetiva, inverificável e que, além disso, é quase anódina num mundo em que os “grandes escritores” são cada vez menos ...

Antonio Machado, poesia e filosofia

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Por Juan Malpartida Antonio Machado foi o poeta de língua espanhola mais próximo à filosofia e que, por outro lado, mais profundamente viveu a lírica como problema. Embora não a partir de sua poesia e sim de sua prosa. O poeta, no sentido profundo, além de alguma observação em verso, ou algum poema tardio de caráter metafísico, parece ignorar o prosador, que é em quem – e nisto concordo com alguns enquanto discordo de outros – está sua verdadeira modernidade. A originalidade reflexiva de Machado, acredito, radica no que desperta a partir de seu interesse por Kant, especialmente pelo deslocamento que levou a cabo a uma maior subjetividade, depois de Descartes situar o pensar como fundamento do eu. A liberdade, a coisa em si, é algo no qual podemos pensar mas não é compreensível, só acessamos intelectualmente o mundo fenomenológico. Além disso, Kant afirmou o elemento interpretativo da mente humana, que projeta fora o que leva no seu interior. Num texto autobiográfico de 19...

Uma tentativa de descobrir as leis da literatura

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Por Joshua Rothman Ilustração: Pierre di Sciullo A crítica literária deve ser uma arte ou uma ciência? Um tanto considerável depende da resposta a essa pergunta. Se você é um graduando em Língua Inglesa, o que você deve estudar: um idiossincrático grupo de escritores que por acaso te interessam (arte) ou história e teoria literárias (ciência)? Se você é um professor de Literatura Inglesa, como deveria aproveitar seu tempo: produzindo “leituras” de obras literárias que lhe são importantes (arte) ou buscando padrões que moldam formas e padrões literários inteiros (ciência)? Diante dessa questão, a maioria das pessoas tenta dividir a diferença: se você se conecta à crítica como uma arte, tome algumas aulas teóricas; se você se conecta a ela como ciência, encare bravamente algumas leituras cerradas ( O artigo de Louis Menand sobre Paul de Man, na New Yorker dessa semana , cita o crítico Peter Brooks, que lembra como de Man podia “sentar em frente a um texto e arrancar cois...

Boletim Letras 360º #314

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No dia 25 de fevereiro sortearemos um leitor do Letras para levar um exemplar da nova edição do Grande sertão: veredas , de Guimarães Rosa. Interessados em participar podem visitar nossa página no Facebook. Já na quinta-feira disponibilizaremos um novo sorteio e será,  para aguçar a curiosidade outro lançamento da obra da reedição da obra de Tolkien. Além de brindes legais, não deixe de acompanhar o Letras por outro motivo, este mais nobre: saberes e sabores do literário. Aqui e em todas as nossas redes. Abaixo uma pequena amostra sobre as informações que circulam em nossa página no Facebook.  Novo título do expressivo teatro de Oduvaldo Vianna Filho ganha reedição. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Segunda-feira, 18/02 >>> Brasil:  O nervo do poema , uma antologia para Orides Fontela A antologia organizada por Patrícia Lavelle e Paulo Henriques Britto reúne releituras contemporâneas da poesia de Orides Fontela e poemas que, co...

Será o gato o animal favorito da literatura?

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Por Matías Moscardi Certa vez, Jean Cocteau disse que preferia os gatos aos cachorros porque não existem gatos de guarda . Os gatos estão na moda. Por todos os lados, gifs e memes de bichanos simpáticos, ternos, graciosos: invariáveis símbolos cristalizados pelo marketing . O ambíguo poder desses bichinhos parece ter sido reduzido e nivelado pelo mercado, como se o mito segundo o qual “os chineses comem os gatos” fosse uma forma de exteriorizar uma metáfora do sinistro: sim, consumimos gatos, mas apenas como publicidade. Escritores como Truman Capote, Herman Hesse, Aldous Huxley, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar; estrelas do cinema como Bettie Page, Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe; e, mesmo os heróis do rock, de Bob Dylan, David Bowie, Freddie Mercury, Kurt Cobain e Johnny Ramone – até Marilyn Manson! Todos foram fotografados com seus gatos. Por que os cães não gozam do mesmo tipo de estatuto cultural? Qual é o segredo do sedutor magnetismo que os gatos ...