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Johnny Panic e a bíblia dos sonhos, de Sylvia Plath

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    Por Pedro Fernandes Sylvia Plath. Foto: Gordon Lameyer A reunião de textos de Sylvia Plath feita por Ted Hughes, poeta e seu companheiro, apareceu no final da década de 1970 em língua inglesa. A primeira edição era composta por uma parte dos materiais finalizados e à espera de ganhar o público. Depois, a descoberta de um vasto espólio adquirido pela Universidade de Indiana, ampliou a antologia; aos treze dos dezessete contos do arquivo original somaram-se mais nove da meia centena de textos que perfazem os primeiros esforços criativos da escritora até os anos 1960. O restante da edição se completa com crônicas marcadas por acentuado tom ficcional e anotações de mesmo valor colhidas dos muitos cadernos que hospedava extensa variedade de exercícios escriturais.   Isso significa dizer que extensa parte da prosa ficcional da autora de A redoma de vidro permanece disponível apenas aos leitores pesquisadores capazes de desenvolver um contato mais aproximado com o universo ...

Willa Cather

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  Por Luis Ramoneda Willa Cather, 1921. Foto: E. O. Hoppe   Wilella Sibert Cather nasceu a 7 de dezembro de 1873 em Back Creek (hoje, Gore), no estado da Virgínia. Seus ancestrais vieram da Irlanda do Norte e alguns parentes próximos participaram da guerra civil (1861-1864) com os sulistas. Sua infância foi passada na fazenda de seu avô paterno em Willow Shade, até que, em 1883, a família se mudou para Nebraska. Esta era uma terra de imigrantes, vindos em grande número do centro e do norte da Europa e também do sul dos Estados Unidos, onde os efeitos da guerra civil foram catastróficos. Apesar de tudo, recebeu uma boa educação, conhecendo os clássicos gregos e latinos, bem como a literatura romântica europeia e frequentou as apresentações dramáticas no teatro da sua pequena cidade. Willa Cather foi educada na Igreja Batista, mas em 1922 entrou na Igreja Episcopal com seus pais. Em suas obras mostra respeito e até admiração pela Igreja Católica.   De jornalista a escritora...

“Platero e eu”: pedagogia e ternura

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Por Rafael Narbona   A primeira edição de Platero e eu foi publicada em 1914, com 63 capítulos que mostravam uma experiência muito pessoal da língua espanhola, sem traços de retórica, aspereza ou exotismo. Nascia uma das grandes obras da literatura mundial e um dos clássicos mais recentes e comoventes. Três anos depois surgiria uma segunda edição, com os 138 capítulos definitivos. Cada capítulo de Platero e eu é um pequeno poema em prosa. O estilo cuidadoso e requintado coexiste com um ritmo narrativo ágil, fluido e altamente emocional.   Juan Ramón Jiménez (Moguer, Huelva, 1881-San Juan, Porto Rico, 1958) iniciou sua carreira literária sob a influência do Modernismo, mas não demorou muito para se tornar independente de qualquer tendência estética, construindo uma obra dinâmica, mística, autocrítica e profunda. Ele nunca se sentiu confortável com os postulados da Geração de 98. Não compartilhava de seu pessimismo ou de sua angústia vital, e os campos de Castela apenas nele p...

Boletim Letras 360º #407

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    DO EDITOR   1. Saudações, leitores! Como estão? Abaixo, encontram as notícias que fizeram a semana em nossa página no Facebook. A invenção denominada Boletim Letras 360º foi criada há 404 semanas, quando os algoritmos da rede social mais frequentada da casa passou a esconder (como faz cada vez mais abruptamente nos dias de hoje) nossas posts.   2. A poucos dias de outro centenário importante nas letras brasileiras, as seções da segunda parte desta edição são dedicadas a Clarice Lispector. A escritora nasceu a 10 de dezembro de 1920 e é desde sua primeira obra, entre nós, autora de uma parte mais singulares da nossa literatura. Boas leituras! Clarice Lispector. Arquivo Instituto Moreira Salles. LANÇAMENTOS   Giorgio Agamben e a arte arrancada de seu contexto museográfico.   Nos palácios renascentistas, Studiolo era o nome dado ao pequeno quarto no qual o príncipe se retirava para meditar ou ler, rodeado pelos quadros que amava de modo especial. Para o ...

O amor à beira abismo. Uma entrevista com o escritor Adriano de Paula Rabelo

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Por Márcio Rodrigues  “Não acreditamos em reumatismo nem em amor verdadeiro até o primeiro ataque”. Esta constatação bem-humorada foi feita pela escritora austríaca Marie von Ebner-Eschenbach, que produziu grande parte do seu trabalho na segunda metade do século XIX. Ao longo dos séculos, muitas criações literárias têm se concentrado em retratar, de maneira triunfal, o momento em que ocorre esse “ataque”, com todo o encantamento e o desassossego que ele produz. Há toda uma vastíssima literatura folhetinesca, fartamente recriada no cinema e na televisão, cujas histórias terminam sempre num momento em que o casal protagonista supera todas as dificuldades e pode seguir junto. E todo mundo se lembra dos contos infantis que acabavam invariavelmente com um “E foram felizes para sempre...”. Será que foram mesmo? É o que parece questionar o escritor mineiro Adriano de Paula Rabelo em O amor é um abismo furtivo , livro de contos que acaba de ser publicado pela editora Aglaia. Vejamos o que ...

O Decameron, o livro de novelas que atravessa uma pandemia

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Por Joaquín León O Decameron . Salvatore Postiglione A peste bubônica desembarcou na Sicília de navios vindos da Síria e se espalhou pela Europa, semeando morte, ruína e paralisando o frenético ritmo social das cidades. Em 1348, o mundo de Giovanni Boccaccio e o destino da cidade de Florença mudaram dramaticamente.   O então centro mercantil, condenado pelo fluxo de viajantes e mercadores, tornou-se o centro da pandemia e seus muros tornaram-se o símbolo de uma cidade sitiada e afligida pela doença. Cessou o comércio, cessou a comunicação entre municípios e regiões, e os florentinos adotaram o distanciamento social como medida que se mostrou, na época, ineficaz diante de uma doença pouco conhecida, que não se sabia como se transmitia, não pelo contato humano, mas pela picada de pulgas, roedores ou parasitas; e com o aparecimento de bubões negros no corpo, matava suas vítimas logo após o terceiro dia.   Quase vazia de habitantes, a cidade viu seus cidadãos adoecerem e morrerem ...