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Boletim Letras 360º #433

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DO EDITOR   1. Caro leitor, outra vez é sábado e ainda estamos aqui. Este boletim é uma publicação criada há 430 semanas com o interesse de reunir as notícias que foram copiadas em nossa página de informações no Facebook.   2. Reitero, em nome do blog, os agradecimentos pela companhia e pelos gestos de divulgação e de diálogo, tão importantes para este trabalho. Obrigado e boas leituras! Ana Luísa Amaral. Foto: Onomatopeia.   LANÇAMENTOS A Ponto Edita reúne em projeto especial inéditos de Zelda Fitzgerald .   A antologia Artigos e textos jornalísticos , que a Ponto Edita lança agora, reúne 13 textos raros de Zelda Fitzgerald e propõe uma leitura contemporânea de suas facetas de ensaísta, contista, bailarina e artista plástica. Concebida como um livro de artista, a edição apresenta esses escritos menos conhecidos em diálogo com as intervenções artísticas originais da escritora brasileira Clara Averbuck e da cartunista Bruna Maia. Completa a edição um ensaio crítico e...

Vidas de romancista

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Por Antonio Muñoz Molina Philip Roth. Foto: Ethan Hill   Nos últimos anos de sua vida, absolvido por decisão própria da urgência de escrever, Philip Roth aprendeu a desfrutar de algo que nunca havia conhecido antes, o simples prazer de não fazer nada. Em sua casa de campo, que havia sido por quase meio século o mosteiro de sua dedicação disciplinar à literatura, ele agora olhava pela janela a paisagem, os pássaros cruzando o céu, ouvindo por muito tempo a chuva ou o vento nas folhas daquelas árvores monumentais da América. Na biografia de Roth, recentemente publicada e recentemente proibida, Blake Bailey tem o prazer de se recriar ao contar esse penúltimo tempo, antes da devastação final da doença, em que o romancista que nunca se concedeu um dia de trégua — nem o mundo o concedeu — aceita a velhice e adquire um pouco de paz de espírito.   O leitor da biografia também aprecia esses momentos de descanso. Contar a vida inteira de Philip Roth deve ter sido quase tão exaustiv...

A ausência, de Peter Handke

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Por Pedro Fernandes Peter Handke. Foto: Franck Ferville   A convencionada literatura de invenção, constituída das alternativas de fuga dos protocolos realistas, alberga uma lista de criadores que, centrados na dinâmica da linguagem e da enunciação, almejam quase sempre justificar seus objetos não como extensões dialogantes com o mundo exterior, mas mundos autênticos. Uma dessas maneiras criativas é a de se apropriar de recursos possíveis noutras expressões que lidam com a mimesis, tais como o teatro e o cinema. No caso do Peter Handke autor de A ausência , romance que se situa entre os últimos da sua primeira fase literária, o que verificamos é o contínuo exercício de adiamento do enredo e o acurado interesse pela imagem, duas técnicas, podemos assim dizer, derivadas dos modos ficcionais dramáticos. O resultado é uma sintaxe narrativa bastante específica voltada não para o interesse de contar uma história mas propor histórias possíveis.   Se comumente se associa um recur...

Dois ensaios de Louise Glück e um comentário

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Por João Arthur Macieira  William Scott. Sem título , 1970. A persistência da poesia estadunidense   Como coloca Gilles Deleuze, há uma espécie de sonho traído na literatura estadunidense. Sua definição é de uma “sociedade dos camaradas” e seu sentido é a produção de uma linha de fuga para fora dos horizontes europeus constituídos até o século XIX. Quando pensamos numa poesia como a de Walt Whitman, principalmente na construção do narrador de Folhas de Relva , isso é bastante evidente. Também a literatura e o cinema do século XX — os romances de Jack Kerouac ou os filmes de Jim Jamusch — revisitam os temas que essencialmente já estavam lá em Whitman.   Mas o que dizer do século XXI ou mesmo das últimas décadas do século XX? Ainda é possível, depois da tomada de consciência dos Estados Unidos como um império capitalista em franco declínio diante do presente, ler aquelas ideias a sério? Não só as “massas” — se é que ainda pode-se usar esse termo pouco razoável sociologicam...

Joseph Brodsky

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Por Ernesto Hernández Busto Joseph Brodsky. Leningrado, 1972. Foto: Lev Poliakov. Na primavera de 1972, Joseph Brodsky saiu da Rússia com um livro de John Donne na bagagem. Nesta imagem podemos depositar, talvez, alguns dos precoces desenvolvimentos de um poeta que, apenas cumprido os 32 anos, descobre o tema da velhice. Dedicará a John Donne sua “Quase uma elegia”¹, o primeiro de seus poemas importantes e também seu primeiro poema publicado na Rússia tão logo se confirma o eclipse de seus censores. Como uma herança do poeta inglês, Brodsky arrastará sempre o gosto pelo paradoxo, uma impureza de origem que recorda aquela “sombra do motivo impuro” que T. S. Eliot, com a severidade mestra, impunha sobre Donne. Para trás ficava o Império, adiante, as ilhas: a medida dessa perda (“ato que iguala a Deus com os humanos”) é incomensurável. Durante muito tempo as experiências poéticas de Brodsky não serão novidades, apenas o prolongamento memorioso de sua vivência russa: o grande exemplo é a a...